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CANABIDIOL - Algumas ressalvas
Apontamentos ressaltados pela Liga Brasileira de Epilepsia (LBE) de São Paulo e o Departamento Científico de Epilepsia da Academia Brasileira de Neurologia 
 
“é reconhecida a ação terapêutica do CBD para epilepsias de difícil controle, porém evidências atuais não são sugestivas de efeito benéfico em todas as formas de epilepsia refratária”
 
“não dispomos, para importação, de um produto seguro fabricado por laboratório farmacêutico, e sim de um grupo heterogêneo de diferentes formulações do CBD ... Ou seja, em pasta oleosa, líquido, em concentrações de 14%, 18,5%, 21% e até 35%, não havendo qualquer evidência de equivalência terapêutica entre os mesmos”.
 
"os estudos realizados nos Estados Unidos, pelo doutor Orrin Devinsky, sob aprovação do FDA, “utiliza o Epidiolex® fabricado pela GW Pharmaceuticals, uma empresa britânica. Este fármaco foi disponibilizado exclusivamente para pesquisas clínicas e ainda não está disponível para uso comercial”
 
Em 2013 o FDA aprovou testes com voluntários, envolvendo o Epidiolex® que contém 98% de canabidiol.
Quem receberá o medicamento será um grupo de 25 crianças portadoras de epilepsia de difícil controle. O objetivo é investigar as já comprovadas propriedades anti-convulsivas do canabidiol (CBD).
As pesquisas serão conduzidas por médicos da Universidade de Nova York e Universidade da Califórnia.
 
"A Liga Brasileira de Epilepsia e o Departamento Científico de Epilepsia da Academia Brasileira de Neurologia pretendem deixar claro para a população que o uso do canabidiol provoca efeitos adversos, como sonolência, fadiga, perda ou ganho de peso, diarreia, diminuição ou aumento do apetite, entre outros"
 
http://www.diariodosudoeste.com.br/noticias/brasil/2,77168,17,01,falta-de-equivalencia-terapeutica-torna-canabidiol-inseguro-afirma-liga-brasileira-de-epilepsia-.shtml  
PÉ EQÜINO E TRATAMENTO CIRÚRGICO - Considerações
Considerações sobre o tratamento cirúrgico do Pé equino nas crianças com Paralisia Cerebral
 
O pé eqüino é a deformidade mais comum que requer tratamento no paciente com paralisia cerebral
O objetivo no tratamento do pé eqüino é a obtenção de um pé plantígrado, com o maior ganho funcional possível. 
Cirurgia está indicado: 
I- casos em que a abordagem não cirúrgica não obteve resultados
II- casos de deformidades fixas não redutíveis na dorsiflexão passiva do tornozelo
 
INSUCESSOS no tratamento cirúrgico
 
I- Idade da criança:
Importante considerar porque as recidivas são mais frequentes nos pacientes abaixo de 4 - 6 anos de idade
Vários estudos demonstraram sucesso, a curto prazo, em adiar (desde que possível) a cirurgia para uma idade maior do que seis anos
 
II- A ocorrência de recidiva da deformidade é uma das complicações mais frequentes nestes pacientes
 
III- crianças hemiplégicas apresentaram maiores taxas de recidiva de eqüino em relação às crianças diplégicas. 
 
RECOMENDAÇÕES:
 
Sempre que possível os pacientes devem ser operados após os 7 anos de idade.
 
Os pacientes submetidos ao alongamento do tendão deverão ser acompanhados no mínimo até sua maturidade esquelética
 
A técnica que apresenta menor taxa de recidiva é o alongamento do tendão calcâneo
 
Condutas que possam protelar a intervenção cirúrgica, como a toxina botulínica, trocas gessadas ou órteses podem ser consideradas no seguimento destes pacientes
 
FISIOTERAPIA:
 
Todas as técnicas cirúrgicas foram criadas com o intuito de reduzir o reflexo do estiramento exacerbado e alongar o músculo, entretanto, todas enfraquecem o músculo.
 
A maior preocupação, após o tratamento cirúrgico destas crianças, é o potencial enfraquecimento muscular. Portanto, o plano de tratamento deve ser estabelecido no pré operatório
 
Os pais deverão ser orientados e esclarecidos para  a nova rotina, principalmente com relação a possíveis alterações nas freqüências das sessões de fisioterapia e introdução de outras modalidades terapeuticas.
 
LABORATÓRIO DE MARCHA:
 
Importante instrumento de avaliação para tomada de decisão cirúrgica 
 
Estudos mostram que este tipo de avaliação pré-operatória apresenta impacto substancial na decisão ortopédica cirúrgica ou conservadora (confirmar, excluir ou postergar a indicação cirúrgica)
 
Permite analisar objetivamente os resultados funcionais pós-operatórios das crianças com paralisia cerebral submetidas ao tratamento cirúrgico do pé eqüino.
 
Referência: Projeto Diretrizes - Associação Médica Brasileira
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia  (Nov. 2013)
 
chrome://external-file/pe_equino_na_crianc%CC%A7a_com_paralisia_cerebral_tratamento.pdf
 
 
ORTOSTATISMO X TEMPO
Uma das orientações de posicionamento para a criança com lesão no sistema nervoso central ou periférico é a posição em pé
 
Quanto tempo é recomendado para a criança permanecer em pé?
 
"As crianças que deambulam menos de 2 horas por dia ou não deambulam,  muitas vezes experimentam complicações dolorosas por conseqüência de 
longos períodos do dia nas posições sentado ou deitado.
 
Programas para posição em pé têm sido utilizados,  com diversas definições durante muitos anos.
Apesar de sua vasta utilização clínica há uma  falta de  recomendações baseadas em evidências para a administração eficaz do programa.
 
Em uma revisão sistemática da literatura as evidências mostram um efeito benéfico sobre a: 
densidade mineral óssea das pernas e da coluna;
amplitude de movimento do quadril, joelho e tornozelo;
espasticidade do tornozelo;
função intestinal
 
Resultados não conclusivos para um efeito positivo sobre a função cardiorrespiratória e da bexiga, a força muscular, e alerta.
 
Segue o link com o trabalho na íntegra
 
http://journals.lww.com/pedpt/Fulltext/2013/25030/
Systematic_Review_and_Evidence_Based_Clinical.2.aspx  
 
 
SETE SENTIDOS

O cérebro recebe constantemente grande quantidade de informações através dos sentidos.

 

É através deles que a criança aprende a se mover, equilibrar-se e relacionar-se

 

com os objetos e pessoas aos seu redor , aprende sobre o mundo em que vive.

 

O cérebro organiza toda a informação recebida para possibilitar uma resposta.  

 

O cérebro humano freqüentemente tem sido comparado à um computador.

 

Ele depende da informação que recebe do ambiente através dos sistemas sensoriais. Depende de informação visual, auditiva , tátil, olfativa e gustativa.

 

Além disso, precisa também de informação sobre gravidade e movimento. O cérebro reúne todas essas sensações e as organiza para um plano de ação.

 

A Integração sensorial é o processo através do qual os nossos sentidos trabalham juntos

 

A maioria das pessoas citam os 5 dos sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato.

 

Vamos falar sobre mais dois sentidos: Vestibular e Proprioceptivo

 

VESTIBULAR

 

Este é o sentido do Equilíbrio e Movimento, o qual nos ajuda a manter a posição ereta e saber o quão rápido o nosso corpo está em movimento.

 

Este sentido nos ajuda com atividades como caminhar sem cair e andar de bicicleta

 

PROPRIOCEPÇÃO

 

Este é o sentido da Posição do Corpo, o qual nos dá informações sobre a posição das partes do nosso corpo, sem olhar para elas, e nos ajuda a saber o quanto de força é usado quando pegamos algum objeto.

 

A fim de dar sentido ao mundo que nos rodeia temos de combinar a informação sensorial que recebemos de todos os nossos sentidos.

 

Algumas vezes as crianças que têm dificuldade para organizar os seus sentidos ou o processamento de informação sensorial podem ter problemas com as tarefas diárias e podem:

 

Ser hipo reativas ou hiper-reativa a estímulos sensoriais, como sons, texturas ou movimento

 

Ter dificuldade para organizar as atividades diárias ou parecerem desajeitados

 

Ter dificuldade para aprender novas habilidades motoras

 

 

AS TERAPIAS PODEM AJUDAR:

 

Podem ajudar as crianças a se adaptarem ao seu ambiente sensorial de maneira divertida, positiva e com atividades baseadas em jogos

 

Através da terapia, as crianças podem explorar os seus sentidos em um ambiente seguro e aprender a organizar adequadamente a informação sensorial.

 

Fonte:Pathways.org

http://pathways.org/wp-content/uploads/2014/10/understandingthesenses_english.pdf 

Guia básico para pais sobre o desenvolvimento físico do bebê.
Uma das angústias, na maioria dos pais, passa por não saber reconhecer se o seu bebê está se desenvolvendo corretamente.
Sempre questionam a existência de um "manual" que possa ajudar detectar, precocemente, algo fora do "normal"
Para nós, da área da saúde, existem avaliações específicas que oferecem essa resposta.
Hoje compartilhamos um livreto fornecido pela Pathways (organização direcionada à promover o desenvolvimento motor, sensorial e de comunicação da criança) direcionado para os pais.
 
Esperamos que gostem!
 
A Classificacao Internacional de Funcionalidade (CIF) na Reabilitacao

A CIF, como classificcacao ou como modelo, tende a servir de base para a estruturacao dos servicos de reabilitacao tanto como guia para a pratica do processo de reabilitacao como tambem para a formacao de um sistema de informacao, uniformizando a linguagem. A dissertacao pode ser acessada no endereco eletronico: http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&frm=1&source=web&cd=17&ved=0CGkQFjAGOAo&url=http%3A%2F%2Fwww.teses.usp.br%2Fteses%2Fdisponiveis%2F6%2F6132%2Ftde-03102008-112435%2Fpublico%2FEduardoSantana.pdf&ei=hChIUuFkk8D1BL-FgZAN&usg=AFQjCNG2BiVcA7-nbOFQaU8ZubZ0pDOQ1w&sig2=EVGoXAw0RCeJ0-g2oyHG5g

Pesquisa mostra que ritmo está relacionado à resposta cerebral para a fala
Publicado no site do jornal O Globo, no dia 17 de setembro de 2013
 
Pessoas mais capazes de se mover no ritmo de batidas mostram respostas cerebrais mais consistentes ao discurso do que aqueles com menos ritmo, de acordo com um estudo publicado nesta terça-feira na “Journal of Neuroscience”. Os resultados sugerem que o treinamento musical poderia aguçar a resposta do cérebro à linguagem.
 
Cientistas sabem há muito tempo que se mover a uma batida constante requer sincronização entre as partes do cérebro responsáveis por audição e movimento. No estudo atual, os professores Nina Kraus e Adam Tierney, da Universidade de Northwestern, analisaram a relação entre a capacidade de manter o ritmo e a resposta do cérebro ao som.
 
Mais de cem adolescentes de Chicago participaram do estudo Lab Kraus, onde foram instruídos a ouvir e tocar o dedo ao longo de um metrônomo (relógio que mede o andamento musical). A precisão do toque foi calculada com base em quão intimamente suas batidas se alinhavam ao tique-taque do metrônomo. Em um segundo teste, os pesquisadores usaram eletroencefalograma para registrar as ondas cerebrais de um grande centro de processamento de som do cérebro enquanto os adolescentes ouviam o som sintetizado “da”, repetido periodicamente durante 30 minutos. Os pesquisadores, então, calcularam como as células nervosas da região responderam cada vez que o som “da” foi repetido.
 
- Quanto mais precisos os adolescentes eram para acompanhar as batidas, mais consistentes eram suas respostas cerebrais à sílaba “da” - diz Kraus.
 
Como estudos anteriores tinham mostrado relação entre a habilidade de leitura e a de manter o ritmo, Kraus explica que esta descoberta mostra que a audição é uma base comum para estas associações.
 
- Ritmo é parte inerente de música e linguagem - diz a pesquisadora. - Pode ser que treinamento musical, com ênfase em habilidades ritmicas e exercícios com o sistema auditivo levem a associações essenciais para aprender a ler.
 
Crianças bilíngues: os prós e contras dessa decisão
Publicado no site da Revista Crescer, no dia 12 de setembro de 2013
 
Aprender uma segunda língua durante a infância pode trazer uma série de benefícios ao desenvolvimento do seu filho. Entenda como isso acontece e saiba quais cuidados você deve tomar nesse processo
 
A criança está brincando ou assistindo à televisão, quando, de repente, balbucia alguma palavra estrangeira – o que imediatamente é motivo de espanto para os pais. A cena acontece na casa de muitas famílias brasileiras e é a prova de que os pequenos, graças à popularização de canais por assinatura, computadores, tablets e smartphones, são expostos cada vez mais cedo a diferentes línguas. Diante disso, há famílias que pensam na possibilidade de matricular as crianças em um curso de outro idioma. Mas será que existe idade certa para isso?
 
Na faixa entre 6 meses e 4 anos, há uma janela cerebral nas crianças. Isso significa que estão se formando circuitos de linguagem. Os neurônios, se estimulados, podem fazer novas conexões e especializações. Apresentar um novo idioma ao seu filho, nessa idade, torna a tarefa do aprendizado mais fácil , sim. Há maior chance de ele falar sem sotaque, já que as estruturas nervosas básicas ainda estão em formação. Além disso, as crianças aguçam a compreensão auditiva e tornam-se capazes de distinguir sons semelhantes, como no inglês, bed (cama) e bad (mau). Só de ouvir, elas já vão absorver a língua assim como fazem com o português. “Outra consequência é o aumento da agilidade e das competências cognitivas”, explica Ligia Fonseca Ferreira, professora doutora do Departamento de Letras da Unifesp (SP).
 
Além de aprender com muita facilidade e da forma mais correta, quem fala duas ou mais línguas tem maior poder de concentração, de acordo com estudos. Mas os especialistas dividem opiniões sobre esse contato tão precoce: ele não pode confundir a cabeça da criança?
 
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“O melhor é esperar que a criança tenha boa consciência fonológica em seu idioma, para só depois aprender a ler e a escrever em outra língua”, recomenda Antonio Carlos de Farias, neurologista do Hospital Pequeno Príncipe (PR). O que isso significa? Quando seu filho já conseguir perceber rimas e fonemas e entender como se formam as palavras em português, poderá começar o aprendizado na língua estrangeira. Isso acontece porque a alfabetização é um processo simbólico.
 
Vale lembrar ainda que há diferentes formas de ser bilíngue. Algumas crianças têm o pai e mãe de nacionalidades diferentes e acabam desenvolvendo dois idiomas em casa, desde cedo. “Cada um deve falar em sua língua, sem misturar, para que o filho em fase pré-escolar não se confunda”, explica Ligia. Outra possibilidade é de famílias que imigram e têm de aprender a lidar com um idioma no lar e outro na escola. “O tempo ao qual a criança é exposta a cada língua pode definir a que ela usará no dia a dia”, complementa a professora. E, o mais comum aqui no Brasil, é matricular a criança em escolas que incorporem às aulas diárias um idioma além do português.
 
Se você está pensando em escolher uma instituição bilíngue para seu filho, preste atenção no desempenho dele na Língua Portuguesa primeiramente. Se a criança tem mais de 4 anos e ainda fala com dificuldades, tem atrasos de atenção e problemas de aprendizagem, é melhor esperar um pouco para ensiná-la uma nova língua. Cabe aos pais o dever de casa: matricular seu filho em uma escola que seja acolhedora, calorosa e convidativa. Até para que a família avalie junto o melhor caminho, respeitando as fases de desenvolvimento de cada criança, não importa em qual língua.
 
Avaliacao Funcional de Criancas com Paralisia Cerebral

Ha um grande desafio nas equipes multidisciplinares não só na avaliação dos diferentes graus de incapacidade na PC, mas também na mensuração de seu impacto funcional e resposta às intervenções. A consciência de que ainda somos cegos motiva inúmeros investigadores no mundo inteiro a continuarem buscando maior conhecimento sobre a Paralisia Cerebral, tema complexo e difícil, mas extremamente importante por ser responsável pela maior causa de incapacidade motora na infancia.

A funcionalidade é considerada atualmente como um componente de saúde. Os instrumentos utilizados para avaliação na Paralisia Cerebral (PC) devem ser capazes de descrever detalhadamente o desenvolvimento destas crianças, quantificar a função e permitir a análise objetiva da evolução do paciente. Diversos fatores estão relacionados ao grau de incapacidade na PC e a avaliação detalhada destas crianças é essencial para um manejo adequado, voltado à melhora da função. No artigo apresentado, aborda-se a prática contemporânea de avaliação clínica e funcional na PC e diversos instrumentos que podem auxiliar nesta tarefa. Entre eles a escala Medida da Função Motora Grossa, Curvas de Desenvolvimento Motor específicas para a PC, Curvas de Referência para Funcionalidade em Pediatria e diferentes instrumentos para avaliação da Qualidade e Vida.

Fonte e artigo na integra: http://www.spp.pt/Userfiles/File/App/Artigos/26/20110624104514_Actualizacao_Zonta_MB_42(1).pdf

 

 

Percepcao visual e desenvolvimento inicial do cerebro

Percepção visual e desenvolvimento inicial do cérebro

TERESA FARRONI, PhD

ENRICA MENON, PhD

Dipartimento di Psicologia dello Sviluppo e della Socializzazione, University of Padua, ITÁLIA

Centre for Brain and Cognitive Development, School of Psychology, Birkbeck College, University of London, REINO UNIDO

(Publicado on-line, em inglês, em dezembro de 2008)

(Publicado on-line, em português, em agosto de 2013)

Tema

Desenvolvimento do cérebro

Introdução

Uma parte significativa de nosso córtex cerebral é dedicada principalmente ao processamento visual. A visão fornece informações sobre nosso ambiente sem necessidade de proximidade, como no caso de sabor, toque ou odor. A visão tem importância primordial em todos os aspectos de nossa vida cotidiana.

Do que se trata

Diferentes áreas do cérebro, assim como diferentes processos de percepção, são responsáveis por funções visuais específicas, tais como a percepção de movimento, cor e profundidade. Existem até mesmo regiões cerebrais específicas que lidam apenas com o reconhecimento facial ou de movimentos biológicos – ou seja, não objetos –, e outras que processam apenas o reconhecimento de objetos. Danos cerebrais localizados que afetam essas regiões podem levar a distúrbios específicos, como a prosopagnosia, que leva o indivíduo a perder a capacidade de reconhecer rostos, ao passo que o reconhecimento de objetos não é afetado. Portanto, a visão parece ser um ponto de partida adequado para estudar manifestações funcionais do desenvolvimento do cérebro.

Problemas

É difícil determinar se alterações na capacidade visual durante o desenvolvimento são causadas por limitações nas estruturas periféricas – como olho, cristalino e músculos – ou por mudanças ocorridas no interior do cérebro. A capacidade de percepção de bebês é claramente limitada por imaturidades nos sistemas sensórios periféricos – por exemplo, acuidade espacial limitada pela imaturidade da retina. Os circuitos visuais em desenvolvimento podem ser beneficiados pela proteção contra "sobrecarga de informações" causada por muitos detalhes refinados irrelevantes.1 No entanto, a questão permanece: qual é a principal limitação para o desenvolvimento da percepção?DESENVOLVIMENTO DO CÉREBRO Enciclopédia sobre o Desenvolvimento na Primeira Infância ©2013 CEECD / SKC-ECD Farroni T, Menon E 2

Contexto de pesquisa

A sensibilidade visual é baixa em primatas recém-nascidos, e desenvolve-se gradualmente até níveis adultos durante os primeiros anos após o nascimento. Inúmeros estudos de desenvolvimento visual descreveram esse processo. Em termos gerais, a sensibilidade ao contraste e a acuidade, medidas em termos psicofísicos, amadurecem por volta dos 5 ou 6 anos de idade em humanos, e por volta de 1 ano de idade em macacos. Medidas comportamentais mostram que sensibilidade e acuidade melhoram ao mesmo tempo, mas medidas eletrofisiológicas sugerem que a sensibilidade dos elementos neurais a contrastes pode amadurecer significativamente mais cedo.2,3,4,5

Resultado de pesquisas recentes

Nas últimas décadas, houve avanços consideráveis relativos à nossa compreensão do desenvolvimento da visão nos primeiros anos de vida. Hoje é óbvio que a função visual inclui diversos aspectos que iniciam e amadurecem em momentos diferentes, e que o sistema visual inclui diversas áreas corticais e subcorticais, cada uma com seu próprio papel no processamento de aspectos específicos de informações visuais.6 O principal avanço foi a capacidade de avaliar diferentes aspectos da função visual – como acuidade, campos visuais ou atenção visual – de forma longitudinal a partir do período neonatal.

Foi possível, então, estabelecer o início e a maturação de cada um desses aspectos em bebês normais, fornecendo dados normativos em função da idade.7 A utilização combinada de técnicas de neuroimagem e de eletrofisiologia contribuíram para elucidar a correlação entre os diferentes aspectos da função visual e as diferentes áreas do cérebro, e para sugerir possíveis mecanismos de maturação da função visual em crianças normais e em crianças com lesões neonatais no cérebro. Diversos estudos realizados recentemente forneceram evidências de que o desenvolvimento normal da visão depende da integridade de uma rede complexa, que inclui não apenas radiações ópticas e o córtex visual primário, mas também outras áreas corticais e subcorticais – tais como os lobos frontal e temporal ou os gânglios basais – reconhecidamente associadas com a atenção visual e outros aspectos da função visual.8

Embora a anatomia de várias vias distintas entre a retina e o cérebro já tenha sido identificada no início do século 20,9 a distinção funcional entre dois sistemas separados, que definem "onde" um objeto está localizado e "o que" é esse objeto, resulta de estudos pioneiros realizados nas décadas de 1950 e 1960, por meio da observação do efeito de estímulo do cérebro e de lesões cerebrais. Na década de 1970, Bronson sugeriu um modelo de desenvolvimento visual humano no qual a visão do recém-nascido é controlada principalmente no nível subcortical, sendo que a maturação do córtex tem início cerca de dois meses após o nascimento.10

A relevância do controle subcortical foi confirmada também por estudos de imagem, que mostraram a capacidade normal de fixar o olhar e acompanhar em bebês que apresentavam lesões occipitais corticais extensas.11

Subsequentemente, outros estudos confirmaram que o córtex assume o controle executivo dos módulos subcorticais, e sugeriram também que a função cortical envolve diferentes fluxos ao processar os aspectos específicos da informação visual.12 Cada um desses aspectos torna-se operacional em diferentes idades, e interage com circuitos subcorticais para formar módulos distintos.13 Na década de 1980, foi proposto um modelo de função visual que inclui circuitos dorsal e ventral, duas vias corticais diferentes concebidas para processar informações visuais diferentes. Enquanto o circuito dorsal está empenhado em localizar "onde" está um objeto no espaço, tendo o lobo parietal no final dessa trajetória, a via ventral e o lobo temporal estão envolvidos com "o que" é tal objeto, em termos de formato, cor e reconhecimento facial.14 Outros estudos em apoio a essa teoria foram realizados com primatas, postulando que as respostas a "onde" e "o que" são amplamente controladas pelo córtex, ao passo que as estruturas subcorticais estão envolvidas principalmente com ações "reflexas".15 Alguns autores sugeriram outro modelo, baseado em dois circuitos anatomicamente distintos, denominados parvocelular e magnocelular. Os dois circuitos, morfologicamente distintos no nível de célula ganglionar e núcleo geniculado lateral, projetam-se para partes diferentes do córtex visual primário (V1), e continuam nos circuitos corticais independentes em direção à área específica para cor (V4) e para a área de seleção de movimento (V5). Enquanto o sistema parvocelular é utilizado para formar e colorir a visão, o sistema magnocelular apoia a percepção do movimento e determinados aspectos da visão estereoscópica16,17 Mais recentemente, Milner e Goodale18 propuseram outra versão desses modelos, sugerindo que um circuito– o ventral – é utilizado para o processamento perceptual, e o outro – o dorsal – é utilizado para controlar ações.

Enquanto o circuito ventral, contendo áreas especializadas para a percepção facial, foi o sistema sugerido para o processamento de "quem", o corrente dorsal, responsável por áreas de gerenciamento dos movimentos oculares e de ações para alcançar e apreender, foi sugerido como sistema para o processamento de "como". Em outras palavras, um sistema é dedicado à decisão sobre o quê e para quem estamos olhando, e o outro decide as respostas adequadas e as ações a serem empreendidas.

Nos primeiros meses de vida, o sistema visual ainda está em desenvolvimento. Do nascimento até a maturidade, o tamanho do olho aumenta em até três vezes, e grande parte desse crescimento é concluído aos 3 anos de idade; um terço do crescimento do diâmetro ocular ocorre no primeiro ano de vida. As informações a seguir apresentam indicadores do desenvolvimento normal da visão em crianças pequenas, do nascimento até os 3 anos de idade, e as implicações relativas para o funcionamento do cérebro.

Em um bebê prematuro (conforme o grau de prematuridade): é possível que as pálpebras não estejam totalmente separadas; que a íris não se contraia, nem se dilate; que o sistema de drenagem do humor aquoso não funcione adequadamente; que a coroide não esteja pigmentada; que os vasos sanguíneos da retina sejam imaturos; que as fibras do nervo óptico não estejam mielinizadas; que ainda exista uma membrana pupilar e/ou um sistema hialoide. Implicações funcionais: falta de capacidade para controlar a luminosidade que entra no olho; o sistema visual não está pronto para funcionar.

Ao nascer: as pupilas ainda não são capazes de dilatar totalmente; a curvatura do cristalino é quase esférica; a retina (principalmente a mácula) não está totalmente desenvolvida; o bebê é moderadamente hipermetrope e apresenta algum grau de astigmatismo. Implicações funcionais: o recém-nascido tem baixa capacidade de fixação, capacidade muito limitada para distinguir as cores, campo visual limitado e acuidade visual estimada entre 20/200 e 20/400; devido aos mecanismos de orientação principalmente subcorticais, do nascimento aos 3 meses de idade há uma orientação limitada para alvos isolados; há uma preferência por desenhos em branco e preto, principalmente por padrões xadrez e desenhos com ângulos.

Aos 3 meses de idade: tem início o controle cortical dos movimentos oculares e da cabeça, tornando possível a integração para deslocamento de atenção; os sistemas neurais dos circuitos ventral e dorsal começam a contribuir juntos para o comportamento visual do bebê; os movimentos oculares são coordenados na maior parte do tempo; o olhar é atraído não só para objetos em preto e branco, mas também coloridos (amarelos e vermelhos); o bebê é capaz de olhar para pequenos objetos (de aproximadamente 2,5cm ou 1 pol.); têm início a atenção visual e a busca visual; o bebê começa a associar estímulos visuais com um evento – por exemplo, mamadeira e alimentação.

Entre 5 e 6 meses de idade: o bebê é capaz de olhar (examinar visualmente) para um objeto em suas mãos; embora algumas vezes descoordenado, o movimento ocular é mais suave; o bebê tem consciência visual do ambiente ("explora" visualmente), e consegue deslocar o olhar de perto para longe com facilidade; o bebê consegue "estudar" visualmente os objetos que se encontram perto dele e, para fazê-lo, consegue convergir os olhos; consegue fixar o olhar a um metro, ou cerca de três pés de distância; a essa altura, o bebê normalmente consegue coordenar o olhar e a mão (alcance); o bebê consegue interessar-se por objetos que caem e, em geral, fixa o ponto em que o objeto desaparece.

Entre 6 e 9 meses de idade: a acuidade melhora rapidamente (próximo do nível de maturidade); o bebê "explora" visualmente (examina visualmente objetos em suas mãos e observa atividades ao seu redor); consegue trocar o objeto de mão, e pode interessar-se por padrões geométricos.

Entre 9 meses e 1 ano de idade: a criança consegue focar visualmente em um pequeno objeto (de 2mm a 3mm) situado nas proximidades; observa rostos e tenta imitar expressões; busca objetos escondidos após observar a ação de "esconder"; está visualmente alerta para pessoas, objetos e ambientes desconhecidos; consegue diferenciar entre pessoas conhecidas e desconhecidas; a visão estimula e monitora os movimentos em direção ao objeto desejado.

Aos 2 anos de idade: a mielinização do nervo óptico está completa; possui orientação vertical (para cima); todas as habilidades ópticas são suaves e bem-coordenadas; a acuidade é de 20/20 a 20/30 (normal); a criança consegue imitar movimentos, combinar objetos de acordo com propriedades simples (cor, formato) e apontar figuras específicas em um livro.

Entre 2 e 5 anos de idade, as funções cerebrais da criança são caracterizadas por capacidades de processamento sensorial básico próximas às de um adulto. No entanto, o desenvolvimento mais completo dos mecanismos cerebrais que permitem a análise de cenas visuais complexas, objetos e rostos específicos, ocorrerá mais tarde. Embora haja uma boa compreensão básica do mundo social, continuará em desenvolvimento a capacidade de prever intenções e objetivos alheios.

Aos 3 anos de idade: o tecido da retina está maduro; a criança consegue completar um quadro de formas corretamente (com base em sua memória visual), montar quebra-cabeças simples; fazer um desenho grosseiro de um círculo e colocar pinos de 2,5cm (1 pol.) em furos.

Entre 5 e 7 anos de idade: sabe-se que o desenvolvimento das funções básicas das áreas sensoriais precoces do córtex estão concluídas; no entanto, o desenvolvimento funcional de substratos cerebrais para a percepção de cenas visuais complexas leva mais tempo. Essas mudanças envolvem mielinização contínua das conexões e mudanças na densidade das sinapses no córtex pré-frontal. Especificamente, há uma aceleração do crescimento das sinapses, seguida por um período de supressão (poda) de elementos supérfluos na puberdade.

Conclusões

A contribuição do desenvolvimento do sistema periférico (da retina) no surgimento de funções visuais básicas pode explicar apenas parcialmente as melhorias do comportamento visual, indicando que as mudanças ocorridas no cérebro também são importantes.

Podemos concluir que a experiência sensorial em relação ao mundo exterior pode influenciar a forma como o cérebro estabelece conexões após o nascimento; experiências visuais são essenciais para que a visão do bebê possa desenvolver-se normalmente – uma situação do tipo "usar ou perder"; e que o tratamento de doenças oculares infantis comuns deve ter início muito mais cedo do que preconizam as práticas padronizadas.

REFERÊNCIAS

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3. Pelli DG..The quantum efficiency of vision. In: Blakemore C, ed. Vision: Coding and efficiency. Cambridge, UK: Cambridge University Press, 1990.

4. Brown AM. Intrinsic noise and infant visual performance. In: Simons K, ed. Early visual development: normal and abnormal. New York, NY: Oxford University Press, 1993

5. Pelli DG, Farell B.Why use noise? Journal of the Optical Society of America 1999;16(3):647-653.

DESENVOLVIMENTO DO CÉREBRO Enciclopédia sobre o Desenvolvimento na Primeira Infância ©2013 CEECD / SKC-ECD Farroni T, Menon E 6

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8. Cioni G, Fazzi B, Ipata AE, Canapicchi R, van Hof-van Duin J.Correlation between cerebral visual impairment and magnetic resonance imaging in children with neonatal encephalopathy. Developmental Medicine and Child Neurology 1996;38(2):120-132.

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10. Bronson G. The postnatal growth of visual capacity. Child Development 1974; 45(4):873-890.

11. Dubowitz LM, Mushin J, De Vries L, Arden GB. Visual function in the newborn infant: is it cortically mediated? Lancet 1986;1(8490):1139-1141.

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14. Ungerleider LG, Mishkin M. Two cortical visual systems. In: Ingle DJ, Goodale MA, Mansfield RJW, eds. Analysis of visual behaviour. Cambridge, MA: MIT Press; 1982:549-586.

15. Zeki S. A vision of the brain. Oxford, UK: Blackwell Scientific Publications; 1993.

16. Van Essen DC, Maunsell JHR. Hierarchical organization and functional streams in visual cortex. Trends of Neuroscience 1986;6(9):370-375.

17. Livingstone M, Hubel DH. Segregation of form, colour, movement and depth: anatomy, physiology and perception. Science 1988;240(4853):740-749.

18. Milner AD, Goodale MA. The visual brain in action. Oxford, UK : Oxford University Press, 1995.

Para citar este documento:

Farroni T, Menon E. Percepção visual e desenvolvimento inicial do cérebro. In: Tremblay RE, Boivin M, Peters RDeV, eds. Enciclopédia sobre o Desenvolvimento na Primeira Infância [on-line]. Montreal, Quebec: Centre of Excellence for Early Childhood Development e Strategic Knowledge Cluster on Early Child Development; 2013:1-7. Disponível em: http://www.enciclopedia-crianca.com/documents/Farroni-MenonPRTxp1.pdf. Consultado [inserir data].

Percepçao auditiva e desenvolvimento inicial do cerebro

Percepção auditiva e desenvolvimento inicial do cérebro

MINNA HUOTILAINEN, PhD

RISTO NÄÄTÄNEN, PhD

University of Helsinki, FINLÂNDIA

(Publicado on-line, em inglês, em janeiro de 2011)

(Publicado on-line, em português, em agosto de 2013)

Tema

Desenvolvimento do cérebro

Introdução

A percepção auditiva tem início antes do nascimento.1 Durante o desenvolvimento, o cérebro humano transforma-se em um sistema altamente especializado para as funções de percepção, de memória e de semântica necessárias para compreender e produzir a fala e para apreciar a música. Os marcos para esse desenvolvimento passo a passo estão fundamentados no desenvolvimento neural, e estão fortemente relacionados à exposição auditiva e a ações comunicativas na infância.

Do que se trata

Diversas habilidades de fala e percepção musical estão presentes no cérebro do bebê já no momento do nascimento.2 O cérebro do recém-nascido já é capaz de reconhecer vozes e tons familiares que percebeu no período fetal. Da mesma forma, neonatos aprendem novos sons rapidamente, e observam atentamente combinação de informações visuais e auditivas. Estão interessados em associar aquilo que ouvem com aquilo que visualizam. Logo aprendem a correspondência entre determinados fonemas e seus sons, e a forma como lábios, língua e laringe se movem para produzi-los. Algumas habilidades de fala e de percepção musical foram desenvolvidas durante o período fetal, ao passo que outras estão mais "programadas". Nos primeiros anos de vida, a percepção auditiva torna-se tão acurada e eficiente que permite a compreensão de falas rápidas, mesmo em ambientes barulhentos, o prazer da música e a recuperação refinada de informações a partir de sons produzidos no ambiente.3

Problemas

Sem o recurso dos métodos de pesquisas sobre o cérebro, seria difícil determinar as habilidades de percepção e de memória em bebês. Grande parte dos métodos atuais de pesquisa permite utilizar apenas paradigmas comportamentais muito simples, por meio da comparação de dois padrões de som curto. No entanto, as pesquisas vêm caminhando para paradigmas mais ecológicos. Um problema importante da utilização de métodos comportamentais é que os resultados dependem não apenas das habilidades da criança em relação à percepção e à memória, mas também de seu estado de motivação e estimulação. 

Contexto de pesquisa

A tradição na pesquisa cognitiva do cérebro avança em direção a paradigmas de investigação com maior validade ecológica, que utilizam palavras e discurso naturais. O Potencial Relacionado a Eventos (PRE),4 extraído por meio de eletroencefalograma (EEG), fornece informações com precisão de milésimos de segundo sobre os processos cerebrais subjacentes às funções de percepção e de memória auditivas – ou seja, reconhecer vozes e fonemas, recordar padrões de sons, constatar semelhanças entre sons –, ao passo que a Ressonância Magnética funcional (RMf)5 fornece boa resolução espacial das áreas envolvidas nas tarefas de percepção em bebês e crianças. O Mismatch Negativity (MMN),6,7,8 principalmente quando registrado nos novos e eficientes paradigmas, como o paradigma multicaracterístico9,10,11 é uma ferramenta básica na área de pesquisas de PRE, uma vez que fornece uma medida da precisão perceptual para quase todos os parâmetros acústicos mais importantes, tais como frequência, intensidade, duração, estrutura temporal e localização da fonte sonora.10,11 Além disso, para sons falados, também podem ser analisados parâmetros como identidade de vogais ou consoantes, tom de voz, etc.11 E esse tipo de paradigma vem sendo desenvolvido atualmente para determinar a capacidade de perceber aspectos diferentes da fala natural e de sons musicais, que também podem ser utilizados com bebês. Alguns métodos experimentais de treinamento estão disponíveis para fortalecer as habilidades perceptivas sempre que problemas de percepção da fala são observados em bebês. No futuro, métodos precoces de treinamento de percepção da fala farão parte do cuidado padrão para esses bebês.

Questões-chave de pesquisa

Quais são os marcos de desenvolvimento relacionados à percepção e à memória auditivas? Quais são os correspondentes neurais desses marcos? Qual é o papel da exposição auditiva no desenvolvimento da audição? As medições cerebrais conseguem mostrar problemas iniciais de percepção auditiva que podem levar a criança a apresentar problemas como dislexia ou atraso na aquisição da fala? Quais são as atitudes disponíveis quando tais problemas são observados? Atualmente, as pesquisas concentram-se na compreensão de mecanismos relacionados à percepção auditiva no cérebro do bebê, e na aplicação das informações obtidas para compreender problemas de percepção de fala em bebês e crianças, individualmente, e para mostrar resultados de métodos diferentes de treinamento.

Resultados de pesquisas recentes

Resultados recentes de estudos realizados com indivíduos saudáveis revelaram que o cérebro do recém-nascido é surpreendentemente habilidoso para detectar sons, diferenças em características sonoras e até mesmo regularidades no ambiente auditivo.12 Resultados recentes de estudos aplicados mostram que deficiências claras, principalmente na resposta de MMN, são constatadas já em recém-nascidos e em bebês lactentes quando são prematuros,13 têm alto risco de dislexia14 ou sofreram problemas metabólicos durante a gestação.15 Para alguns bebês, as respostas do cérebro relacionadas à detecção de mudanças na duração do som de fala ou de mudança de fonemas são muito fracas ou inexistentes. Isto significa que mecanismos automáticos de detecção de mudanças nos sons de fala no cérebro de um bebê saudável não estão funcionando normalmente, comprometendo a detecção desses sons.

Lacunas de pesquisa

Atualmente, existem diversas ideias para solucionar logo no início os problemas de percepção da fala e de aquisição da linguagem. Frequentemente, esses métodos utilizam aprendizagem passiva – ou seja, aprendizagem por meio de fitas gravadas ou de brinquedos que emitem sons, etc. São necessárias evidências científicas para verificar se esses métodos funcionam, como funcionam, e quais deles seriam os mais eficientes.

Conclusões e implicações

O sistema auditivo desenvolve-se rapidamente no cérebro do feto e do neonato. É importante orientar esse desenvolvimento em sua direção natural, o que se consegue garantindo ao bebê e à criança um ambiente auditivo seguro contra ruídos fortes e contínuos, e que inclua uma profusão de falas e músicas dirigidas a eles, principalmente canções. Não há comprovação de que sons de fala ou música em segundo plano – por exemplo, o som da televisão – favoreçam o desenvolvimento linguístico da criança: a fala e a música devem ser direcionadas à criança em uma situação de vínculo real e de forma comunicativa. Até mesmo bebês podem envolver-se em uma comunicação. Bebês aprendem muito rapidamente. A comunicação entre bebês e crianças mais velhas é muito eficaz para a aquisição da fala.

O sistema auditivo torna-se especialmente vulnerável após um parto prematuro. Para esses bebês, é preciso oferecer, sempre que possível, um ambiente calmo, com sons de fala e canções direcionadas a eles, em um ritmo de acordo com seu tratamento individual, se possível, mesmo durante o período de cuidados intensivos.

Bebês aprendem a produzir fonemas por tentativa e erro, ao ouvir e observar a pessoa que fala com eles. Para aprender a falar, é importante que o bebê e o seu interlocutor façam contato com o olhar. A duração do contato com o olhar é determinada pela criança ou pelo bebê e depende de sua idade. No início, deve durar alguns segundos.

É essencial que crianças com problemas de aquisição de fala estejam em um ambiente calmo ao ouvir esse tipo de som.

A atenção compartilhada é vital para a aquisição da fala. Os adultos devem buscar ativamente momentos de atenção compartilhada com os bebês. Quando um bebê aponta para um objeto e o adulto pronuncia o nome do objeto algumas vezes, o bebê aprende muito rapidamente.

REFERÊNCIAS

1. Lecanuet JP, Schaal B. Fetal sensory competencies. European Journal of Obstetrics and Gynecology and Reproductive Biology 1996;68:1-23.

2. Kuhl PK. Early language acquisition: cracking the speech code. Nature Reviews Neuroscience 2004;5:831-843.

3. Zwicker E, Fastl H. Psychoacoustics: Facts and models. 2nd updated ed. New York, NY: Springer; 1999. Springer Series in Information Sciences.

4. Luck SJ. An introduction to the event-related potential technique. Cambridge, Mass.: MIT Press; 2005.

5. Dehaene-Lambertz G, Dehaene S, Hertz-Pannier L. Functional neuroimaging of speech perception in infants. Science 2002;298:2013-2015.

6. Näätänen R, Gaillard AWK, Mäntysalo S. Early selective attention effect on evoked potential reinterpreted. Acta Psychologica 1978;42:313–329.

7. Näätänen R. The mismatch negativity: A powerful tool for cognitive neuroscience. Ear & Hearing 1995;16:6-18.

8. Näätänen R, Paavilainen P, Rinne T, Alho K. The mismatch negativity (MMN) in basic research of central auditory processing: A review. Clinical Neurophysiology 2007;118:2544-2590.

9. Näätänen R, Pakarinen S, Rinne T, Takegata R. The mismatch negativity (MMN): towards the optimal paradigm. Clinical Neurophysiology 2004;115:140-144.

10. Pakarinen S, Takegata R, Rinne T, Huotilainen M, Näätänen R. Measurement of extensive auditory discrimination profiles using the mismatch negativity (MMN) of the auditory event-related potential (ERP). Clinical Neurophysiology 2007;118:177-185.

11. Kujala T, Lovio R, Lepistö T, Laasonen M, Näätänen R. Evaluation of multi-attribute auditory discrimination in dyslexia with the mismatch negativity. Clinical Neurophysiology 2006;117:885-893.

12. Teinonen T, Fellman V, Näätänen R, Alku P, Huotilainen M. Statistical language learning in neonates revealed by event-related brain potentials. BMC Neuroscience 2009;10:21.

13. Jansson-Verkasalo E, Valkama M, Vainionpää L, Pääkkö E, Ilkko E, Lehtihalmes M. Language development in very low birth weight preterm children: A follow-up study. Folia Phoniatrica et Logopaedica 2004;56:108-119.

14. Lyytinen H, Ahonen T. Developmental pathways of children with and without familial risk for dyslexia during the first years of life. Developmental Neuropsychology 2001;20:535-554.

15. deRegnier RA, Nelson C, Thomas Kathleen M, Wewerka S, Georgieff MK. Neurophysiologic evaluation of auditory recognition memory in healthy newborn infants and infants of diabetic mothers. The Journal of Pediatrics 2000;137:777-784

Cartilha do Tratamento da Espasticidade

A Sociedade Brasileira de Medicina Fisica e Reabilitacao desenvolveu uma cartilha de Consenso do Tratamento da Espasticidade, com diretrizes de avaliação, diagnostico e tratamento, a partir de evidencias cientificas. O material pode ser acessado no endereco: http://jararaca.ufsm.br/websites/lan/download/Consensos/Espasticidade.pdf

Reabilitacao e espasticidade

Intervenções Físicas

Os objetivos de um programa de treinamento físico dentro do tratamento da espasticidade são: maximizar a função e minimizar as complicações secundárias como contraturas musculares, deformidades ósseas e espasmos musculares dolorosos durante os movimentos ativos ou passivos.

O fundamento do tratamento da espasticidade é a reabilitação. Sem a colaboração da família e um programa de terapia adequado, seja em casa, seja em centros de reabilitação, as melhores técnicas terapêuticas freqüentemente fracassam.

Geralmente a fisioterapia e a terapia ocupacional começam cedo em conjunto com um bom programa domiciliar realizado por pais e cuidadores. Somando-se ao programa de estiramentos, os pais devem orientados a colocar as crianças em posturas que previnam as deformidades e favoreçam a recuperação, sem traumatizar ou dar estímulos nociceptivos que estimulariam a espasticidade. Um programa apropriado para posicionamento previne os traumas e preserva a estrutura das articulações.

Tão importante quanto essa orientação acima descrita é o treino dos familiares em relação às técnicas para inibir padrões sinérgicos que acompanham a hipertonicidade e facilitar padrões normais de movimento. Isto pode ajudar a criança a acompanhar as atividades de vida diária e incorporar as extremidades afetadas no trabalho, nas brincadeiras e nas atividades de auto-cuidado.

A espasticidade limita a mobilidade. O manejo do tônus é um dos aspectos abordados na compreensão do tratamento global de pacientes com paralisia cerebral. O esquema da Figura 3 mostra as relações entre espasticidade e outros fatores que afetam a mobilidade e independência em pacientes com paralisia cerebral.




Figura 3 - Relações entre espasticidade e outros fatores que afetam a independência e mobilidade.



Devemos lembrar que o tratamento com toxina botulínica abre uma janela terapêutica dentro do programa reabilitacional onde a criança com paralisia cerebral terá um período de 3-4 meses de relaxamento induzido pelo medicamento. Esta janela terapêutica deve ser aproveitada ao máximo, no sentido de maximizar os efeitos da toxina botulínica, e para isto devemos intensificar os programas de fisioterapia e terapia ocupacional neste período. Assegurar ao paciente esta possibilidade é uma condição fundamental, que deve ser discutida com os familiares antes da realização do procedimento de bloqueio químico.

A redução da espasticidade após a injeção de toxina botulínica associada a terapia física cria a possibilidade da aquisição de novos padrões funcionais; além disto, as mudanças biomecânicas induzidas nas funções musculares pela toxina botulínica, melhora as condições de fortalecimento e alongamento e isto gera a oportunidade de fortalecimento dos músculos antagonistas aos injetados e assim restaurar o equilíbrio entre eles.O texto na integra posse ser acessado no endereco: http://www.actafisiatrica.org.br/detalhe_artigo.asp?id=56
 

Cuidados voltados para o desenvolvimento de bebes pre-termos

Apresentamos um Guia Pratico de cuidados voltados para o desenvolvimento de bebes pre-termos, baseados na Teoria Sincrono Ativa do Desenvolvimento descrito pelo Dr Ricardo Nunes, em 2006. Leia mais em: http://www.portalneonatal.com.br/cuidado-neonatal-individualizado/arquivos/CUIDADOSVOLTADOSPARAODESENVOLVIMENTO.pdf

Atividade fisica precoce previne a diminuicao da forca ossea em recem-nascidos de muito baixo peso

Um estudo randomizado e prospectivo, publicado na revista Pediatrics 2003 112,185:19, aponta que a atividade fisica precoce previne a diminuicao de forca ossea em recem-nascidos de muito baixo peso. Sabe-se que quanto menor o peso de nascimento e a idade gestacional, maiores os riscos de desenvolverem osteopenia. Leia mais em: http://www.portalneonatal.com.br/prematuridade/arquivos/exerciciofisiconoprematuro.pdf

O poder do afeto no desenvolvimento infantil

Você já abraçou, beijou e brincou com o seu bebê hoje? Acredite: além de prazerosas, essas atitudes contam muito no desenvolvimento da criança na primeira infância - de 0 a 3 anos. Os estímulos de carinho devem começar antes mesmo de o bebê nascer, mas muitas mães não sabem disso. A maioria acha que cuidar da saúde, nessa fase, é só o que importa - esquecendo o lado emocional.

Ao menos foi o que constatou uma ampla pesquisa sobre a percepção do desenvolvimento na primeira infância, divulgada recentemente. O estudo, realizado pelo Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) em parceria com a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (SP) ouviu mais de 2 mil pessoas em 18 capitais brasileiras. O resultado: para 51% dos pais, a prioridade é levar o pequeno ao pediatra regularmente e dar as vacinas recomendadas. Na sequência, 45% dos entrevistados relataram a importância de amamentar o bebê, e 31% apontaram a necessidade de oferecer alimentação adequada. No entanto, é por meio das brincadeiras, dos passeios e do diálogo que o bebê descobre o mundo e aprende. "É o carinho dos pais que dá à criança o suporte necessário para encarar essa imensidão de novidades com curiosidade, coragem e segurança", diz o neuropediatra Saul Cypel, consultor da fundação envolvida na pesquisa, ou seja: cuidar da saúde física e psicológica em conjunto é o que garante que o pequeno se desenvolva integralmente e exercite todo o seu potencial.

Ele precisa de beijinhos

Ao serem questionados pelos pesquisadores, apenas 19% dos pais disseram que brincar, passear e conversar com o filho está entre as suas prioridades - e só 12% apontaram que, para crescer saudável, a criança precisa receber afeto. Muitos deles, segundo o neuropediatra, chegaram a dizer que não dedicavam esse tipo de atenção aos filhos pequenos porque acreditam que eles só começam a entender e aprender depois dos 6 meses. "Isso é um erro!", protesta Saul. "Ainda no útero, por volta da 15ª semana de gestação, o aparelho auditivo do bebê já está bem formado e ele pode ouvir sons e reconhecer a voz da mãe. Conversar e cantar para ele nessa fase repercute positivamente na sua evolução", garante o médico. Depois do parto, com todos os sentidos funcionando e em pleno desenvolvimento, a capacidade de absorver o que há de novo fica ainda mais aguçada. E a presença da mãe, claro, age como um bálsamo.

Toque mágico

Um estudo realizado pela psicóloga americana Tiffany Field, fundadora do Touch Research Institute (Instituto de Pesquisa do Toque), mostrou que os bebês que recebem toques, massagens e gestos de carinho das mães nos primeiros quatros meses de vida são mais sorridentes e choram menos. Pesquisa da Duke University (EUA) reforça essa teoria. O estudo concluiu que a construção de um vínculo afetivo intenso com a mãe diminui os níveis de stress, ansiedade e hostilidade da criança, tornando-a mais preparada para lidar com as pressões do mundo adulto. "Quanto mais o filho conta com a presença e o carinho da mãe, mais ele ganha estabilidade emocional", diz a psicóloga Dina Azrak (SP), autora do livro A Linguagem da Empatia - Métodos Simples e Eficazes para Lidar Com Seu Filho (Ed. Summus). Perceber que recebe a atenção dos pais durante os cuidados básicos, como banho, alimentação e trocas, já transmite ao bebê a sensação de que ele é amado. "Um bom exemplo disso é a amamentação. A mãe que aproveita bem esse elo não apenas nutre a criança como passa segurança para ela", diz Saul. O primeiro passo para estabelecer um vínculo emocional forte é aproveitar esses momentos. Ainda que seu filho seja pequeno, conte historinhas, cante, sempre olhando nos olhos dele! Essa comunicação vai ajudá-lo no futuro a estabelecer o significado das coisas e desenvolver o vocabulário. Participe também das brincadeiras, estimulando a criatividade dele. "Ao brincar, a criança desenvolve as habilidades físicas, o raciocínio, as emoções, a socialização. É uma oportunidade de despertá-la para muitos aspectos", explica a educadora Adriana Friedmann (SP), autora do livro A Arte de Brincar (Ed. Vozes). Para quem diz que não tem tempo para tanto, a expert dá um recado: "Melhor pouco tempo juntos, mas vivido intensamente, do que muito tempo sem qualidade. Quando estiver com o seu filho, esteja por inteiro", recomenda Adriana.

A importância do afeto no desenvolvimento cerebral das crianças

Neurocientista Suzana Herculano-Houzel explica como o afeto familiar determina as reações dos filhos diante do estresse, conflito e frustração.

O afeto é muito importante para a formação de um cérebro sadio no presente e no futuro. Receber ou não carinho modifica para sempre como o cérebro vai reagir diante de situações de estresse e frustração. As experiências vivenciadas nos primeiros três anos de vida são determinantes – até mais do que a carga genética – para moldar o funcionamento cerebral diante de situações estressantes e desafiadoras. 
 
Segundo a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, uma das principais estudiosas da “mente das crianças” do País, o cérebro não nasce pronto, e por isso o afeto familiar recebido na primeira infância (período entre 0 e 5 anos) é o grande responsável por reações cerebrais que às vezes só vão se manifestar na vida adulta. 
 
Quando a criança recebe afeto em gestos como abraços, beijos, massagem, há liberação de ocitocina, um hormônio altamente influente na formação cerebral, que é produzido também durante a amamentação. A ocitocina acalma todas as partes cerebrais acionadas em situações estressantes e faz com que o cérebro produza a capacidade de vínculo. Funciona como uma ótima prevenção da ansiedade e outros transtornos de comportamento que, às vezes, só vão se manifestar na vida adulta. 
 
“Receber ou não carinho modifica para sempre como o cérebro vai reagir diante do estresse e da frustração. Mas apesar de ser muito mais marcante na infância, o carinho sempre influencia. Nunca é tarde para começar”, afirma a neurocientista.             
 
“As crianças não são adultas por dois motivos principais: o primeiro é que elas não têm a experiência trazida com o passar dos anos. O cérebro infantil não nasce pronto. O órgão é menor e mais leve do que o cérebro de um adulto”, explica a pesquisadora. O período em que o cérebro mais cresce e ganha peso acontece do nascimento até o terceiro ano de vida. Neste período, sabe-se que há maturação das conexões entre os neurônios, o que faz o peso da massa encefálica aumentar, ficando mais densa. Este processo é determinante para o bom funcionamento do cérebro. 
 
Durante este amadurecimento cerebral, a criança tem uma capacidade de aprendizado rápida e impressionante. Todas as habilidades estão se desenvolvendo. Um exemplo disso é que as crianças pequenas têm muito mais facilidade de aprender novos idiomas, mas essa capacidade vai diminuindo ao longo da vida. 
 
Nos primeiros anos de vida, o cérebro compreende mais rápido como reagir, sem precisar de tantas tentativas. Para criar um comportamento e uma reação padrão diante de algum estímulo – que pode ser um barulho, um estresse, uma sensação de medo, de solidão ou de felicidade – não é preciso repetir tantas vezes. 
 
A genética logicamente influencia muito em nossas habilidades e características, mas a vivência da criança e os exemplos que ela tem dentro de casa também são fundamentais para seu comportamento. 
 
“A capacidade de linguagem de uma criança, por exemplo, é intimamente ligada ao vocabulário da mãe, às palavras que ela fala com o bebê, só para citar um exemplo da influência do ambiente no desenvolvimento do cérebro infantil”, afirma Suzana. 
 
O poder do carinho e do exemplo 
 
 
Assim, o estímulo que as crianças recebem dos pais durante a primeira infância é uma importante ferramenta para o desenvolvimento de suas habilidades. Se a criança vê a mãe fazer de qualquer probleminha um problemão, o cérebro da criança aprende a reagir de forma estressada a qualquer situação. Assim, o perfil de reação ao estresse na fase adulta é aprendido e traçado na infância. 
 
Há diversos fatores que moldam esta reação cerebral, de maneira negativa ou positiva. Violências físicas ou verbais vivenciadas logo nos primeiros anos de vida são influências negativas. Uma mãe que grita demais ou age em descontrole passa a mensagem para o filho de que ele deve agir desta maneira quando não conseguir fazer alguma coisa. 
 
Por outro lado, de acordo com a neurocientista, o carinho também tem um grande poder de moldar o cérebro. Várias pesquisas científicas compravam que o carinho físico, o toque e o contato são um moldador cerebral, tornando a criança mais hábil e com um sistema de proteção orgânico mais forte. 
 
Muitos motivos para que pais lembrem-se de dedicar tempo e carinho aos filhos, cultivando o afeto, o contato físico, beijando, abraçando, com muito amor e paciência. Esse carinho é tão ou mais importante do que outros estímulos externos que possam ser oferecidos aos filhos.




Referência:

artigo publicado no site Ig, sobre palestra realizada na Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (entidade que elabora programas voltados à população infantil), em São Paulo.
 
Tipos de cadeirinhas para criancas

Atencao aos tipos de dispositivos de seguranca para criancas. Leia em: http://www.usecadeirinha.com.br/dicas

Como proteger a crianca de acidentes com brinquedos

Brincar é uma importante parte do desenvolvimento da criança. Brinquedos oferecem diversão, entretenimento e contribuem para o aprendizado. Para uma brincadeira segura, alguns itens devem ser observados como a marca de conformidade do Inmetro – popularmente conhecida como selo do Inmetro - e a faixa etária indicada na embalagem do brinquedo. A ONG Crianca Segura traz dicas de prevencao e responde a perguntas frequentes sobre o tema. Leia em: http://criancasegura.org.br/page/dicas-de-prevencao-brincando

Efeitos do uso de órteses na mobilidade funcional de criancas com paralisia cerebral

Trata-se de um estudo publicado na Revista Brasileira de Fisioterapia, em 2006. Publicado por um grupo de pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais.   O objetivo deste estudo foi comparar o desempenho motor de crianças com paralisia cerebral (PC) em duas condições: com órtese e sem órtese. Métodos: Vinte crianças PC foram avaliadas utilizando-se o teste Gross Motor Function Measure (GMFM), a versão modificada da avaliação da marcha Physicians Rating Scale (PRS) e entrevista com os pais para avaliar o uso de órteses na rotina diária. Resultados: O teste ANOVA que foi utilizado para avaliar o efeito do uso órtese na mobilidade das crianças revelou médias significantemente superiores na condição com órtese durante o desempenho motor grosso e na marcha. Entrevistas informaram que o uso de órteses estava inserido na rotina diária e os pais demonstraram percepção positiva com relação ao uso desse dispositivo. Conclusão: As órteses promoveram o desempenho de tarefas motoras da rotina diária de crianças com PC, podendo orientar os processos de avaliação e de intervenção dos profissionais que trabalham com essa clientela. O texto na integra pode ser acessado no endereco eletronico: http://www.scielo.br/pdf/%0D/rbfis/v10n1/v10n1a09.pdf.

Classificacao da funcao motora e do desempenho funcional de criancas com paralisia cerebral

Trata-se de um artigo original, publicado na Revista Brasileira de Fisioterapia, em 2008. Os objetivos do presente estudo foram: classificar crianças com paralisia cerebral (PC) utilizando sistemas de classifi cação de mobilidade e de função manual; comparar os grupos de crianças com PC nos desfechos de função motora grossa e de desempenho funcional; avaliar a associação entre as classifi cações funcionais e os escores obtidos nos desfechos investigados. Materiais e métodos: Trinta crianças com PC foram
classificadas pelos sistemas Gross Motor Function Classification System (GMFCS) e Manual Abilities Classification System (MACS) e divididas em três grupos, de acordo com a sua classificação em cada um destes sistemas em leve, moderado e grave. A função motora grossa foi documentada pelo teste Gross Motor Function Measure (GMFM-66), e as habilidades funcionais e assistência do cuidador em autocuidado e em mobilidade, pelo teste Pediatric Evaluation of Disability Inventory (PEDI). Resultados: O teste one-way
ANOVA demonstrou diferenças significativas entre os grupos nos resultados do GMFM-66 e do teste PEDI. Testes de comparação posthoc (Scheffé) revelaram que crianças com comprometimento moderado (GMFCS) apresentaram habilidades funcionais e receberam assistência do cuidador semelhantes às crianças leves. Entretanto, crianças moderadas (MACS) assemelharam-se às graves. Índices de correlação de Spearman rank demonstraram associação inversa, significativa e de magnitude forte entre as classificações
funcionais e os resultados dos testes PEDI e GMFM-66. Conclusões: Os resultados sugerem que as classificações funcionais MACS e GMFCS são bons indicadores da função manual e da mobilidade de crianças com PC, podendo ser úteis nos processos de avaliação e planejamento de intervenção.
O texto na integra pode ser acessado no endereco eletronico: http://www.scielo.br/pdf/rbfis/v12n5/a11v12n5.pdf

Tecnologia Assistiva II

Existem os produtos denominados de Baixa Tecnologia (low-tech) e os produtos de Alta Tecnologia (high-tech). Essa diferença não significa atribuir uma maior ou menor funcionalidade ou eficiência a um ou a outro, mas, sim, caracterizar apenas a maior ou menor sofisticação dos componentes com os quais esses produtos são construídos e disponibilizados.
Quanto à variedade de possibilidades desses recursos, ha 11 diferentes áreas ou classes, de utilização propostas pela classificação da Norma Internacional ISO 9999, que dão uma idéia da amplitude desse leque de opções. São recursos tanto para as atividades de vida diária, quanto para atividades educacionais, profissionais, esportivas, de lazer, entre tantas outras. Para saber mais, acesse o endereco eletronico: http://www.galvaofilho.net/TA_educacao.pdf

O que é Tecnologia Assistiva

O uso de recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e conseqüentemente promover vida independente e inclusão estao cada dia mais em pauta no dia-a-dia de profissionais, familiares e pacientes. Apresentamos uma cartilha oferecendo os principais conceitos, legislacoes e exemplos praticos. Acesso no endereco: http://proeja.com/portal/images/semana-quimica/2011-10-19/tec-assistiva.pdf.

Como os estimulos do lar podem ajudar o desenvolvimento do bebe

Pequenas atitudes no dia a dia são suficientes para promover estímulos ao seu bebê. Basta você prestar atenção e se dedicar.

Todos nós nascemos com inteligência, porém a nossa inteligência podemos dizer que é muito influenciada pelo meio social em que vivemos.

Os lares tendem a variar conforme a cultura, porém alguns fatores devem ser universais e independentes de cultura, um exemplo é a dedicação dos pais frente aos filhos, a afetividade, a não agressão e etc.

O cientista Badley, em 1989 criou um inventário o qual ele denominou de Inventário HOME de Observação Doméstica e nisso ficou visível que as condições e dedicação dos pais contribuem efetivamente no desenvolvimento pleno da criança, a exemplo de, quanto mais os pais derem importância para a educação e a leitura mais a criança se sentirá atraída para o estudo aumentando sua dedicação.

Posteriormente, outras pesquisas descreveram seis aspectos fundamentais no lar que irão contribuir no desenvolvimento do bebê: incentivo para explorar e conhecer o ambiente qual o bebê habita, estimulação nas habilidades cognitivas e principalmente as sociais (seja por meios de brincadeiras que ajudem o raciocínio do bebê ou até mesmo por atividades que promovam a socialização desse bebê). Elogios frequentes aos bebês, independente se o bebê teve sucesso ou não na atividade desempenhada. Não agressão – seja ela verbal ou física, ou seja, ter muita paciência e evitar os maus-tratos pois a violência seja ela física ou psicológica irá prejudicar o desenvolvimento do bebê. Orientação nas atividades do bebê para que ele expanda e evolua nas muitas habilidades que ele possui; e estimulação da linguagem – ou seja, dialogar sempre com o bebê, estimular as diversas formas de linguagem seja ela falada ou até mesmo os gestos.

Diante disso percebemos que a frase popular “Educação vem de berço” tem um verdadeiro ensinamento, já que o lar do bebê além de ser um ambiente de afetividade e confiança, irá contribuir para o desenvolvimento do bebê.

Abaixo seguem algumas dicas para auxiliar no desenvolvimento de seu bebê e principalmente para gerar a felicidade em seu bebê, afinal, ser feliz é uma ótima contribuição para o desenvolvimento não só do bebê, mas de toda a família.

Forneça estimulação sensorial

É fundamental que os pais estimulem os órgãos sensoriais do bebê, porém com cuidado nesses estímulos, pois o excesso também é prejudicial e pode estressar o bebê. Por exemplo, para a estimulação visual você pode oferecer ao seu bebê uma variedade de brinquedos de tonalidades variadas para que dessa forma ele comece a conhecer as cores. Ressalto, que devemos ter cuidado no quarto do bebê, as paredes do ambiente qual o bebê dorme não pode ser em cores “vivas”, a exemplo do vermelho, laranja e cores quentes pois isso perturba a concentração e principalmente o relaxamento do bebê. Opte por cores claras e que promovam o relaxamento, porém na hora que seu bebê estiver brincando e fora do horário do sono é permitido brinquedos de múltiplas cores pois dessa forma é uma estimulação visual. Quanto à estimulação sensorial, promova ao seu bebê músicas para que ele comece a perceber a sonoridade dessas músicas, porém cuidado com o volume dessa sonorização, pois como bem citado tudo em excesso é prejudicial. Existem inúmeras de maneiras de estimular os sentidos: tato, visão, audição, paladar e o olfato.

O cantinho do conhecimento

Em sua casa crie um cantinho da aprendizagem, com livros, papéis, alguns brinquedos que contribuem para o desenvolvimento de seu bebê, afinal o lar também é lugar para se aprender. E lembre-se, o brincar, a leitura de uma estorinha também são formas de seu bebê aprender e consequentemente desenvolver-se.

Não ignore o seu bebê

Apoie o seu bebê se ele sentir medo ou chorar por estar estranhando um ambiente ou até mesmo um estímulo, com por exemplo ele chorar ao ver um palhaço ou o Papai Noel. Nesse momento mostre ao seu bebê que você está ao seu lado para amar e que ele deve confiar em você. Afinal o seu bebê ainda se sente um “estranho no ninho”, para ele tudo ainda é muito novo. O mundo para ele é uma grandiosa novidade e descoberta.

Brinquedos interativos

Dê brinquedos interativos ao seu bebê, como por exemplo os  chocalhos. O velho chocalho ainda é um ótimo recurso. O bebê precisará interagir com o chocalho para que ele produza o som, esse é um estímulo desejado. Procure ter alguns brinquedos desse tipo, que "reagem" às interações do bebês.

Deixe seu bebê investigar

Deixe seu bebê brincar de investigador, mas sempre com supervisão de um adulto. A criança precisa ter a liberdade para conhecer o ambiente que ela habita. Para o bebê é como se existisse dois mundos, o primeiro é o que está ao redor dele e o segundo é o mundo dele mesmo. Então, o bebê é capaz de se divertir com partes de seu corpo, como levar seu pé até a boca e o mesmo ocorre com o lar dele. Permita que seu bebê conheça a partes seguras da “amorlândia” – que é o seu lar.

Converse com seu bebê

Algumas pessoas acham estranho conversar com bebê mas lembre-se que é fundamental, afinal é pelo diálogo que ele aprende e desenvolve a linguagem. Além do que, convenhamos, quer coisa melhor do que conversar com criança? 

Se dedique ao brincar

A criança quando está brincando é como se o mundo parasse e só a brincadeira importasse. Se uma menina diz que está brincando de princesa, naquele momento ela se esquece do mundo e se dedica a ser princesa. Então esqueça do mundo também e apenas brinque. O defeito do adulto é que ele faz diversas atividades pensando em preocupações ou o que ele irá fazer depois. O adulto tem a mania e o hábito de almoçar pensando nas contas que irá pagar após o almoço. Calma! Quando você for brincar com seu bebê, esqueça do mundo lá fora e brinque de princesa, Peter Pan, ou o que seu filho desejar. Isso além de gerar uma cumplicidade entre pais e filhos, ajudará aos pais a esquecerem por alguns momentos os problemas que permeiam no mundo.

Arranje oportunidades

Busque fazer de atividades comuns como se fossem uma diversão para o seu filho. Pegue atividades comuns da rotina da casa e peça para ele lhe ajudar, ele vai sentir-se útil e se desenvolverá. Outro exemplo, quando for fazer compras em supermercado, leve seu filho e ensine a ele coisas como, formas do produto (quadrado, oval), cores, números, pesado, leve, grande, pequeno, etc.. O mundo nos possibilita inúmeras oportunidades de aprender, basta apresentar essas oportunidades ao seu bebê.

Aplauda o seu bebê.

Quando o seu bebê obter algum sucesso seja na escola ou até mesmo em casa, parabenize-o e quando aparecer as dificuldades seja companheiro de seu filho, fale palavras de carinho, afinal tudo ainda é uma descoberta para o seu bebê e ele precisa de seu apoio e de seu amor.

A leitura é um mundo a ser descoberto

Leia para o seu bebê, mostre as figuras contidas nos livros, se empolgue durante a leitura e imite os personagens. Acredite, quando os pais leem para os filhos marcam a vida deles. O amor é a melhor lembrança.

Utilize livros infantis de acordo com a idade de seu bebê.

Cuidado ao punir

É preciso saber dizer NÃO. Para dizer não, gritar e bater são atitudes desnecessárias e ruins. Explique ao seu filho o porquê da resposta negativa, converse com ele caso for aplicar algum castigo. Não apele para agressões físicas nem verbais. Basta dizer que não vai levar para passear no final de semana, ou que ele ficará um dia sem ver o desenho que ele mais gosta. Enfim, saiba dizer não sem provocar agressão. E também não menos importante, cumpra o que foi dito. Por isso, não diga que ele ficará um mês sem ver televisão se você tem certeza que não conseguirá manter esse castigo. É preferível dizer que hoje ele não irá assistir televisão, já que você terá maiores chances de fazer cumprir essa determinação.

Curta seu bebê

Podemos dizer que bebês possuem um talento especial de conquistar o nosso coração, permita-se encantar-se por seu bebê até porque um dia ele crescerá e essa fase passa rápido, portanto valorize-a.

 

A importancia do limite no desenvolvimento infantil

Saber dizer “não” é, segundo os especialistas, um dos aspectos importantes e saudáveis da educação de crianças e adolescentes.

 

Uma das maiores dificuldades na educação de uma criança consiste na tarefa de saber dosar amor e permissividade com limite e autoridade. Todos têm consciência da importância de impor limites, mas o fato de saber disso não é suficiente para fazer desta uma tarefa fácil. Os pais frequentemente se deparam com muitas dúvidas: Estou agindo certo? Onde eu errei? Por que ele não me obedece?

É importante analisar como a noção do proibido vai se constituindo ao longo do desenvolvimento infantil para compreender melhor o comportamento da criança. Ela, até o fim do primeiro ano de vida, obedece ao princípio primordial da vida humana: o princípio do prazer. Por isso procura apenas fazer o que lhe causa satisfação e tenta fugir do que é vivido como algo desprazeroso. Nesse estágio, ela age por impulso instintivo. Esse é o primeiro sistema de funcionamento mental, o mais primitivo e existente desde o nascimento do indivíduo, que é denominado pela psicologia de id.

O id é essencialmente impulsivo – age primeiro e pensa depois. É imperioso, intolerante, egoísta e amoral; é agressivo, sexual, destrutivo, ciumento, enfim, é tudo que existe de selvagem em nossa natureza. Assim, a criança quer fazer tudo o que lhe vem à mente: deseja o que vê, imita o que fazem ao seu redor e tem permanentemente insaciável e ativa a sua curiosidade que, freqüentemente, aborrece, preocupa e constrange as pessoas. Ao mesmo tempo, essa impulsividade é uma das necessidades mais prementes em seu desenvolvimento, que, quando reprimida, gera crianças sem brilho, apáticas, desinteressadas e rigidamente bem comportadas. A necessidade de tocar, apalpar, mexer, demonstrar, destruir, desfazer e tentar reconstruir objetos são atividades importantíssimas e fazem parte de sua forma de entrar em contato com o mundo externo.

A partir dos 18 meses, a criança começa a se opor para afirmar-se e existir por si mesma. É o início da fase do não, tão temida pelos pais, e que termina, na melhor das hipóteses, por volta dos três ou quatro anos. Nessa fase, trata-se de uma oposição sistemática, porém necessária à estruturação e organização de sua personalidade. Basta substituir o "não" por "eu" para se ter a chave do problema. Para uma criança, dizer "não" significa apenas: "Eu acho que não! E você?" Ela quer simplesmente uma resposta dos pais que, favorável ou não, terá, pelo menos, o mérito de indicar os limites. A partir dos três ou quatro anos, a criança passa, pouco a pouco, do "não" sistemático – modo de comunicação arcaico, mas necessário ao seu desenvolvimento – para o "não" refletido, que afirma seus gostos e escolhas.

Culpa e castigo

Desde cedo, a criança percebe que seu comportamento impulsivo, em vez de satisfação, freqüentemente acarreta uma censura por parte do mundo externo. Ela passa, assim, a dominar suas atividades instintivas. Como, acima de tudo, a criança deseja o apoio e a aprovação dos adultos e necessita imensamente deles, especialmente do pai e da mãe, começa a compreender que precisa controlar melhor seus desejos e impulsos. Ao conformar-se gradualmente com as imposições do meio ambiente (educação), controlando ou repelindo os desejos que não podem ou não devem ser satisfeitos, vai se estruturando o sistema moderador ou filtrador, o ego.

O ego faz com que a criança troque o princípio do prazer, que orientava suas atividades instintivas, pelo princípio da realidade, mediante o qual consegue adiar ou anular os impulsos que não são adequados ao meio em que vivem. O ego coloca-se como intermediário entre o id e o mundo externo, entre as exigências impulsivas e as restrições do meio.

A parte moral ou ética da personalidade se manifesta quando julgamos nossos atos na categoria de bom ou mau. Essas considerações dependem de um sistema de autocensura, denominado superego. O superego desenvolve-se a partir do ego, mediante a internalização ou incorporação dos modelos externos, das advertências e censuras.

O superego passa a atuar sobre a criança da mesma maneira que os pais: punindo-a quando se comporta mal e dando-lhe a sensação de bem-estar quando age corretamente. A punição assume um aspecto de sentimento de culpa ou de inferioridade, de angústia ou inquietação. A recompensa proporciona, por sua vez, orgulho, realização ou sensação de cumprimento do dever, ou seja, uma virtude.

Até dois ou três anos, a noção do proibido não lhe faz ainda muito sentido. Será preciso repetir-lhe muitas vezes o que ela pode ou não pode fazer, explicando-lhe em poucas palavras a razão dessa proibição. Somente depois dos três ou quatro anos a criança passa a compreender, cada vez melhor, as ordens dadas, começando a entender as noções de bem e de mal. E, a princípio, ela procurará obedecer aos pais somente para satisfazê-los.

As crianças, ao contrário do que se pensa, são muito preocupadas com regras. Parece que agir dentro de limites, cuidadosamente estabelecidos, oferece-lhes uma estrutura segura para lidar com uma situação nova e desconhecida.

É fundamental que os adultos tenham clareza de suas convicções e sejam fiéis a elas, pois, para os pequenos, eles são modelos vivos a serem seguidos. É por meio do convívio com essas fontes de referências que eles vão estruturando a sua própria personalidade.

A criança que não aprende a ter limite cresce com uma deformação na percepção do outro. As conseqüências são muitas e, freqüentemente, bem graves como, por exemplo, desinteresse pelos estudos, falta de concentração, dificuldade de suportar frustrações, falta de persistência, desrespeito pelo outro – por colegas, irmãos, familiares e pelas autoridades. Com freqüência, essas crianças são confundidas com as que têm a síndrome da hiperatividade verdadeira, porque, de fato, iniciam um processo que pode assemelhar-se a esse distúrbio neurológico. Na verdade, muito provavelmente trata-se da hiperatividade situacional, pois, de tanto poder fazer tudo, de tanto ampliar seu espaço sem aprender a reconhecer o outro como ser humano, essa criança tende a desenvolver características de irritabilidade, instabilidade emocional, redução da capacidade de concentração e atenção, derivadas, como vimos, da falta de limite e da incapacidade crescente de tolerar frustrações e contrariedades.

O pediatra e psicanalista britânico Donald Winnicott dizia: “É saudável que um bebê conheça toda a extensão da sua raiva. Na vida, existe o princípio do desejo e o princípio da realidade. Uma criança a quem se cede em tudo imediatamente, ‘a quem nunca se recusou nada’, como dizem os pais, suporta mal a frustração. Muitos desses pais que cedem sempre vêem o filho no presente, ao passo que aqueles que sabem dar sem mimar vêem o filho no tempo e no futuro. Eles lhe oferecem perspectivas, lhe mostram o valor do desejo e da espera, para melhor saborear o que é obtido.”

Maria Guimarães Drumond Grupi

Deformidades congenitas dos membros superiores Parte II

Anomalias congenitas afetam entre 1 a 2 % dos nacidos vivos. Destes, aproximadamente, 10% possuem deformidades dos membros superiores. O artigo, parte II, que sugerimos como leitura, tem por objetivo abordar as diretrizes de tratamento das falhas de diferenciacao e duplicacao conforme a classificacao da IFSSH (International Federation os Societies for Surgery os the Hand).  O artigo na integra pode ser acessado no endereco:http://www.scielo.br/pdf/rbort/v48n1/pt_0102-3616-rbort-48-01-0003.pdf

Deformidades congenitas dos membros superiores

Anomalias congenitas afetam entre 1 a 2 % dos nacidos vivos. Destes, aproximadamente, 10% possuem deformidades dos membros superiores. O artigo que sugerimos como leitura tem por objetivo rever as deformidades mais comuns que afetam os membros superiores e descrever seus tratamentos. Na parte 1, discute-se as falhas de formacoes. O artigo na integra pode ser acessado no endereco: http://www.scielo.br/pdf/rbort/v47n5/02.pdf

Deformidades congenitas dos membros superiores Parte III

Anomalias congenitas afetam entre 1 a 2 % dos nacidos vivos. Destes, aproximadamente, 10% possuem deformidades dos membros superiores. O artigo, parte III, que sugerimos como leitura, tem por objetivo discutir os principios de tratamento das alteracoes congenitas dos membros superiores, abordar as sindromes de hipercrescimento, hipocrescimento, streeter e outras sindromes nao classificadas. O artigo na integra pode ser acessado no endereco: http://www.scielo.br/pdf/rbort/v48n2/pt_0102-3616-rbort-48-02-0121.pdf

Avaliacao do desenvolvimento motor de criancas com dificuldades de aprendizagem

Apresentamos um estudo cujo objetivo foi investigar se criancas com dificuldades de aprendizagem apresentam algum comprometimento motor no desenvolvimento dos componentes da motricidade. Participaram da pesquisa, trinta criancas, 21 meninos e 9 meninas, de 8 a 10 anos de idade, com dificuldades de aprendizagem escolar. As criancas foram avaliadas por meio da Escala de Desenvolvimento Motor para avaliacao do desenvolvimento nos componentes de motricidade fina, motricidade global, equilibrio, esquema corporal, organizacao espacial e organizacao temporal. Verificou-se maior atraso no desenvolvimento do esquema corporal para os tres grupos etarios, e maior idade motora no equilibrio e motricidade global. Nao foram identificadas diferencas significativas na idade motora geral entre os grupos etarios. Concluiu-se que essas criancas apresentam atraso motor no desenvolvimento da maioria dos componentes avaliados, em especial, as criancas mais velhas. Sugere-se a inclusao de tarefas que auxilie no desenvolvimento dos componentes motores, alem das tarefas escolares.

O artigo na integra pode ser acessado no endereco eletronico: http://www.scielo.br/pdf/rbcdh/v12n1/a06v12n1.pdf

 

 

 

Do que brincar ?

A Kidsterapia acredita na individualidade de cada crianca e estimulamos cada uma delas de acordo com seu potencial e maturacao. Contudo, atendendo a pedidos, montamos uma tabela norte de brinquedos e brincadeiras por faixa etaria, para a primeira infancia.

A principal mensagem e que "Brincar é umas das melhores formas de estimular o desenvolvimento e o potencial de uma criança".

0 a 5 meses  Chocalhos, brinquedos musicais, mordedores, brinquedos de berço, móbiles, livrinhos de pano ou plástico, bolas com texturas diferentes para serem agarradas com as duas mãos.
6 meses a 1 ano Brinquedos flutuantes (patinhos de borracha que bóiam na água), cubos que tenham guizos embutidos ou ilustrações,  caixas ou brinquedos que se encaixam uns dentro dos outros, argolas empilháveis, brinquedos para martelar, empilhar e desmontar, brinquedos eletrônicos de aprendizado, mesa pequena com cadeirinhas na altura em que a criança possa alcançar os pés corretamente no chão, telefone de brinquedo, espelhos, brinquedos que emitem sons por meio de botões de apertar, girar ou empurrar.
1 a 2 anos Brinquedos de variadas texturas (estimulam os sentidos da visão, da audição e do tato), bonecas de tecido e bichos de pelúcia feitos de materiais atóxicos, livros e álbuns de fotografia com ilustrações dos familiares e objetos conhecidos, brinquedos de empurrar ou puxar, brinquedos de montar e desmontar. Os brinquedos devem ter cores vivas e não podem ser tóxicos.
2 a 3 anos Bolas, muitos blocos de brinquedos para empilhá-los e colocá-los dentro de caixas, brinquedos de encaixar e desmontar, brinquedos musicais, carrinhos, bonecas, cavalinho de balanço, brinquedos para praia ou piscina, brinquedos de equilibrar um em cima do outro. Nesta idade deve-se ensinar a criança a organizar e recolher os brinquedos.
3 a 4 anos Triciclo, carrinho grande de puxar, aviões, trenzinhos, brinquedos infláveis, bolhas de sabão, caixas de areia com pás e cubos, cabaninhas, casas de bonecas, ferramentas de brinquedos, massinha de modelar, objetos domésticos, fantasias, máscaras, fantoches, instrumentos musicais de brinquedo como pandeiros, pianinhos, trombetas e tambores, brinquedos de montar e desmontar mais complicados, blocos de formas e tamanhos variados, jogos e quebra-cabeças simples, lápis de cor e papel para desenhar (círculos, bonecos, enumerar os elementos de uma ilustração, colorir), livros com diferentes ilustrações e histórias alegres.
4 a 6 anos Esta é a fase do mundo imaginário, sua criatividade está se desenvolvendo. Os brinquedo nesta fase devem auxiliar a criança a entrar no mundo da fantasia, por exemplo: dinheirinho de brinquedo, caixa registradora, casas de boneca com móveis, telefone, cidadezinhas, circos, fazendas com animais, materiais de papelaria, postos de gasolina, meios de transporte (caminhões, automóveis e pistas, motos, aviões, trens elétricos, barcos e tratores), instrumentos musicais e eletrônicos, jogos.  Nesta idade, a criança começa a sentir o que chamamos de medos infantis, como o medo do escuro, as bruxas, o bicho papão e outras coisas feias que impedem que a criança durma, desta forma recomendamos uma boneca ou um ursinho de pelúcia, que tem a função de ajudar as crianças a superarem esta fase.
acima de 6 anos Jogos de tabuleiro, bolinhas de gude, pipas, carros de corrida, trens elétricos, argila para modelar, pincel, brinquedos de mágica, artigos esportivos, bicicletas, patins, skate, jogos eletrônicos, de memória, videogames, patinetes, futebol de botão, laptops, brinquedos colecionáveis, chaveiros, brinquedos eletrônicos, jogos de cartas, kits, pistas de carrinhos, quebra- cabeças.
Musicas de ninar ajudam a cuidar da saude de bebes prematuros

Músicas de ninar são ótimas para tranquilizar as crianças. Agora, elas ganharam outra utilidade: cuidar da saúde dos bebês prematuros. Mais do que embalar o sono dos bebês, as canções de ninar conferem benefício extra para os prematuros. Foi o que descobriu uma pesquisa do hospital Beth Israel Medical Center, em Nova York (EUA). Após acompanharem 272 crianças que nasceram antes do tempo e foram expostas a diferentes tipos de melodia, os pesquisadores descobriram que músicas suaves melhoram os padrões de sono, alimentação, frequência cardíaca e respiração dos pequenos. As cantigas de ninar estão entre as mais efetivas, especialmente se cantaroladas pelos pais. “Esses recém-nascidos enfrentam procedimentos médicos estressantes e sons leves promovem relaxamento, desacelerando os batimentos do coração”, explica a pediatra neonatologista Filomena de Mello, do Hospital e Maternidade Santa Joana (SP).

Toque pode ajudar a diminuir o estresse em bebes prematuros

O parto é um momento extremamente estressante para o bebê, principalmente para os prematuros que ainda têm o sistema nervoso imaturo e não são capazes de controlar a resposta ao estresse.

Se o parto é estressante, imagine, então, estar em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. A ventilação mecânica, os procedimentos médicos e a separação da mãe fazem com que a UTI seja um ambiente difícil para o bebê.

 

Para diminuir essa sensação, pesquisadores da Universidade de Louisville, no estado americano Kentucky, descobriram que receber uma massagem terapêutica, com pressão moderada, envolvendo e acariciando o bebê seguida de flexão e extensão das articulações dos braços e pernas, aumentou a frequência cardíaca dos bebês do sexo masculino - um dos fatores que mede o desenvolvimento do sistema nervoso dos bebês prematuros -  e, consequentemente, melhorou a capacidade do cérebro de responder ao estresse.

No entanto, o estudo, publicado no jornal científico Early Human Development, revelou que o mesmo não  aconteceu com as meninas prematuras. Segundo os cientistas, essa diferença da resposta às massagens pode ser explicada pelos hormônios. 

Ainda que outros estudos sejam necessários para comprovar o efeito benéfico da massagem em prematuros, vale lembrar que acariciar o bebê, independente da idade, nunca é demais. Afinal,  o toque, o vínculo e o carinho só fazem bem, não é mesmo?

Não deixe a rotina de seu filho ficar tao corrida quanto a sua: a escolha das atividades complementares

Muita gente tem saudade da infância pela tranqüilidade que a época proporciona, por lembrar como era bom brincar sem ter preocupações. Hoje, as coisas não estão mais assim. Além das quatro horas diárias na escola, há enorme oferta de cursos extras, como inglês, música, natação, balé, artes marciais, futebol ou tênis. Se os pais não tomarem cuidado, o ritmo dos filhos pode ficar acelerado como o deles. Crianças em idade pré-escolar devem basicamente se divertir. O excesso de atividades não faz bem. Acredite: os pais que insistem em sufocar os filhos com seguidas atividades estão prestando um desserviço. Educadores e psicólogos alertam que o exagero pode prejudicar a garotada. Leia o texto na integra no endereco eletronico: http://veja.abril.com.br/especiais/crianca/p_058.html

8 principios envolvidos na escolha da escola dos pequenos

Escolher a escola em que matricular o filho é decisão das mais complexas que os pais tomam. Já seria difícil se os colégios ficassem encarregados de, em conjunto com os pais, orientar as crianças apenas nos chamados aspectos pedagógicos, ou seja, ensinar. Mas é cada vez mais importante o papel da escola na construção partilhada dos valores morais dos pequenos. Quanto mais complexa se torna a função dos colégios, mais tensos ficam pai e mãe quando chega a hora H de reservar a vaga. Para ajudá-los na dura tarefa, a revista VEJA procurou especialistas do setor e levantou uma lista de princípios recomendados por quem entende do assunto. Leia o texto na integra no endereco eletronico: http://veja.abril.com.br/especiais/crianca/p_064.html

Deficiencia Auditiva Infantil: Implicacoes e Solucoes

Pouco se fala sobre as alteracoes auditivas na infancia como um fator determinante para o prognostico da reabilitacao. Apresentamos o resumo de um trabalho que aborda tal tema.

Resumo:

Objetivo: promover uma abordagem teórica dos aspectos relevantes a respeito da audição na infância e da detecção precoce da deficiência auditiva infantil. Métodos: foi realizada pesquisa bibliográfica sobre a importância da audição no desenvolvimento infantil, o histórico da detecção precoce da deficiência auditiva infantil e a metodologia usual nos programas de triagem auditiva neonatal. O período de análise foi a partir de 1980 e os descritores utilizados foram deafness, hearing loss, hearing impairment
and children. Resultados: a audição é o elemento fundamental para a aquisição e desenvolvimento da linguagem. Muitos são os indicadores de risco que podem afetar a audição nos períodos pré e peri natal. Sendo a detecção precoce um fator determinante para o prognóstico de reabilitação, é de extrema importância a sua efetivação. Existem diferentes metodologias para a detecção da deficiência auditiva, porém os programas de triagem auditiva neonatal que utilizam emissões otoacústicas vêm demonstrando grande aceitação pela sua eficácia e praticidade. Conclusão: existem graves implicações da deficiência auditiva para o desenvolvimento infantil. A implementação dos programas de triagem auditiva neonatal pode garantir a detecção precoce, o diagnóstico e a reabilitação a tempo de minimizar os efeitos da deficiência auditiva sobre o indivíduo.

Autoras: Cladi Inês Gatto, Tania Maria Tochetto

Para saber mais, acessar: http://www.scielo.br/pdf/rcefac/v9n1/v9n1a12.pdf

Descricao do desenvolvimento neuropsicomotor e visual de criancas com deficiencia visual

O aspecto visual e tambem um fator determinando para o prognostico de reabilitacao. Neste sentido, apresentamos o resumo do trabalho realizado em uma universidade na cidade de Sao Paulo.  

RESUMO
Objetivo: Avaliar o desenvolvimento neuropsicomotor e visual de crianças com deficiência visual. Métodos: Foram avaliadas 45 crianças, de ambos os gêneros, em um período
de 6 meses. As crianças foram distribuidas em dois grupos de estudo: experimental e de controle. Dessa forma aplicou-se a avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor e da funcionalidade visual. Resultado: No grupo controle 86,66% da amostra estava inadequado quanto ao comportamento da coordenação, entretanto, todos os aspectos analisados estavam inadequados. As diferenças entre os grupos mostraram-se significativas, já que valores como p<0,05 foram evidenciados, tanto no comportamento da funcionalidade visual, quanto no desenvolvimento neuropsicomotor. Conclusão: Na amostra estudada, observou-se que os deficientes visuais caracterizavam-se por apresentar atraso global, do desenvolvimento, principalmente no comportamento da coordenação.

Autores: TELMA DE ARAUJO SOUZA, VIVIAN ESTEVAM DE SOUZA, MARCIA CAIRES BESTILLEIRO LOPES, SILVIA PRADO SMIT KITADAI

Para ler o trabalho na integra acessar: http://www.scielo.br/pdf/abo/v73n6/v73n6a12.pdf

A delicadeza entre querer e poder brincar parte II
De modo geral o que precisamos priorizar em um programa de intervenção :
 
1. dar preferência por brinquedos com padrão de alto contraste e de cores vibrantes. Evidenciar o contorno dos objetos e imagens e enfatizar os detalhes para a construção da imagem mental. Tudo isso para potencializar a integração da informação visual durante as atividades cotidianas como brincar, hora do banho, hora de comer, pois além dos brinquedos, os utensílios de alimentação, higiene e vestuário devem ser cuidadosamente adaptados do ponto de vista visual.
 
2. integrar a função visual em todas as atividades cotidianas incentivando a aprendizagem funcional e significativa,
 

3. adequar iluminação do ambiente e objetos. Muitas vezes para manter a atenção a criança precisa brincar com iluminação reduzida ou um foco luminoso dirigido ao brinquedo, como por exemplo, iluminar o rosto da mãe para fazer brincadeiras face a face.

4. manuseios – esse é um termo comum para quem trata de criancas com alterações da postura e do movimento. O terapeuta especializado tem o domínio do manuseio e posturas, e fará vivências com a família dando dicas práticas para as atividades cotidianas. Além disso, quando tocamos alguém estamos interferindo de algum modo na sua ação e percepção. São trocas contínuas de temperatura, pressão, memória, humor, afetos. Por isso o nosso cuidado deve ser redobrado em crianças com baixa visão e disfunção neuromotora. É um diálogo, no mínimo, corporal. É importante para criança saber que vai ser tocada, o terapeuta perceber a permissão da criança, além de avaliar se existe algum distúrbio de modulação sensorial para a terapia não se transformar em momentos de tensão.

5. no brincar da criança com baixa visão de origem central o que mais chama atenção é o cuidado que devemos ter do momento mágico entre o querer e o poder. Precisamos refinar a nossa percepção para encontrar o momento e o jeito mais propício de favorecer um caminho de aprendizagem em constante descoberta e prazer. 
 
6. dar oportunidades para descobertas diárias priorizando vivências com o tempo necessário. A exploração para aprender vem com a repetição natural e espontânea no brincar com significado. “Treinos para estimulação visual” sem significado não são importantes. Por isso que o terapeuta e a família precisam descobrir junto com a criança situações contextuais para ela aprender a usar a visão residual brincando.
 
 
A delicadeza entre querer e poder brincar parte I
Existem diversos textos que abordam sobre as alterações da função visual em crianças com baixa visão relacionando às importantes fases do desenvolvimento infantil. Porém ainda há poucos no sentido prático a respeito de disfunção visual cortical, ou também chamado prejuízo visual cerebral, e a relação dos cuidados para favorecer situações lúdicas.
 
Em linhas gerais, uma diminuição visual decorrente de algum dano neurológico envolve comportamentos característicos que são investigados na avaliação e que irão nortear um programa específico para uma melhor adequação do desenvolvimento cognitivo das crianças que apresentam baixa visão por terem passado por algum acidente neurológico ou algum dano na formação embriogenética das vias cerebrais responsáveis pela visão.
 
Os principais pontos para compor a avaliação e programa para intervenção na aplicação em brincadeiras de crianças com esse tipo de disfunção sao:

a) em primeiro lugar precisamos perceber seus interesses e entender porque está difícil a criança com baixa visão brincar ou interagir. Para compor um programa de intervenção é necessário fazer previamente uma avaliação funcional da visão por um terapeuta especializado nesta área. O avaliador precisa conhecer os componentes específicos da função visual no desenvolvimento infantil para planejar as atividades de acordo com o perfil da criança e nível cognitivo.

b) o que é necessário observar?
  
   1. observar as habilidades e inabilidades visuais específicas da criança. As funções visuais serão avaliadas integradas ao desenvolvimento global da criança com o objetivo de 
       adequar COMO a criança pode brincar de acordo com a sua faixa etária e interesse, no sentido de colocar em prática formas dela aproveitar os momentos das brincadeiras,
   2. apropriação do brinquedo- a cor ou o tamanho inadequado dos brinquedos pode interferir no desejo de pegar um brinquedo e de fazer as descobertas próprias da infância,
   3. tempo de atenção e concentração - é comum vermos crianças que precisam da ajuda do adulto para iniciar, dar continuidade e/ou finalizar a brincadeira. As brincadeiras simples
        que se repetem e viram aprendizagem podem ficar comprometidas devido à dificuldade de se manter a atenção e sustentar o desejo pelo brincar espontaneamente, bem como
        organizar os passos para isto, sinais que podem ocorrer em pessoas que tem alguma lesão cerebral,
   4. observar se há aumento ou diminuição de tônus muscular, pois isto pode ser um elemento que dificulta a exploração e expressão da criança e, inclusive, a manifestação de
       interesse e suas primeiras descobertas do que quer e do que pode, nas coisas mais simples, como tocar o rosto da mãe, tocar o próprio corpo. Por isso também é importante o
       trabalho de manuseio para organização postural como um todo,
   5. tempo de brincar – observar o tempo de perceber e o tempo de dar respostas. Uma vivência muito rápida das experimentações do mundo pode não virar conhecimento. Se não
       houver tempo para criança experimentar e repetir espontaneamente uma brincadeira será mais difícil de ser incorporada, no sentido literal da palavra. O tempo de receber,
       processar a informação e responder à demanda do próprio corpo e do meio é diferente para algumas crianças com baixa visão de origem central,
   6. ambiente e comportamento- quando um ambiente não é favorável para o desenvolvimento infantil, será mais ainda para uma criança que, no mínimo, tem uma alteração motora
       e/ou sensorial. Para isso é necessário na avaliação, a terapeuta ocupacional reconhecer quais os dispositivos do ambiente que dificultam ou facilitam o engajamento da criança
       em todas as brincadeiras.
 
FONTE: http://terapiaocupacional-bethprado.blogspot.com.br/2011/02/delicadeza-entre-querer-e-poder-brincar.html
A importância do Aleitamento Materno

O leite materno é o alimento ideal para o seu bebê. Ele supre todas as necessidades nutricionais até os 6 meses de idade e protege a criança da desnutrição. Não existe leite materno “fraco” ou “aguado”.

O bebê deve mamar logo após o nascimento. O leite dos primeiros dias após o parto é chamado de colostro e oferece grande proteção contra infecções. Dizemos que o colostro é a “primeira vacina” do bebê.

A composição do leite materno fornece a água necessária para manter o seu filho hidratado, mesmo em temperaturas ambientais elevadas, está sempre fresco, encontra-se na temperatura certa e pronto para beber. Sua composição nutricional balanceada contribui para o crescimento e desenvolvimento adequado do seu filho.

 

Veja algumas vantagens de amamentar:

• A criança amamentada ao seio estará protegida contra alergia e infecções, fortalecendo-se com os anticorpos da mãe e evitando problemas como diarreias, pneumonias, otites e meningites.

• A amamentação é mais prática, mais econômica, e evita o risco de contaminação no preparo de outros leites.

• A amamentação favorece o desenvolvimento dos ossos e fortalece os músculos da face, facilitando o desenvolvimento da fala, regulando a respiração e prevenindo problemas na dentição.

• O aleitamento materno cria um vínculo entre a mãe e o bebê, proporcionando maior união entre eles. As crianças amamentadas são mais tranquilas, inteligentes e mais felizes.

• A mãe que amamenta volta mais rapidamente ao seu peso normal. Reduzem-se os riscos de ter diabetes e infarto cardíaco.

• A amamentação ajuda a reduzir a hemorragia após o parto e previne o câncer de mama e de ovário.

• A mãe, ao oferecer o seio ao seu filho, transmite segurança, prazer e conforto. Ocorre liberação de hormônios – as endorfinas que aumentam a sensação de prazer e felicidade para a mãe que amamenta. Além disso, melhora sua auto-estima, ela sabe que o seu bebê está saudável porque está recebendo o alimento ideal: o seu leite!

O ato de amamentar é muito mais que oferecer nutrientes, é oferecer amor.

Fonte: Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria

Estimulação precoce para a criança nascida prematura

O bebê que nasce antes de 37 semanas de gestação é considerado prematuro. No entanto, aqueles que nascem muito mais apressadinhos, bem antes do tempo, apresentam maior risco de atraso no desenvolvimento neurológico. A estimulação precoce é uma estratégia para vencer as dificuldades apresentadas pelo bebê e constatadas nas avaliações clínicas periódicas realizadas pelo pediatra.

Uma destas dificuldades é a fala. Outras dificuldades que podem aparecer também em bebês muito prematuros são os problemas motores e psicológicos. A partir da estimulacao precoce, contamos com a plasticidade neural, ou seja, a capacidade que o cérebro da criança tem de fazer com que a partesaudável assuma funções adicionais para compensar uma parte que não está bem. O trabalho intenso e direcionado de estímulos à criança pode reverter situações difíceis.

O pediatra reconhecerá essas dificuldades durante as consultas e fará os encaminhamentos necessários para a área específica, atento acada etapa evolutiva da criança, para que a intervenção se dê no momento certo. A estimulação muito precoce gera estresse na família e na criança, e não é produtiva; já a estimulação tardia é só parcialmente eficaz.

A participação da família neste processo é imprescindível. Muitos dos exercícios complementares devem ser realizados aos poucos e em casa,como parte de jogos e brincadeiras. A família deve estar atenta, trazendo questões e dúvidas nas consultas, para que seja possível o diagnóstico precoce do problema.

40 maneiras de estimular o desenvolvimento do seu filho

Bater palmas, perguntar como foi o dia, ensinar a guardar os brinquedos. Você sabia que ações como essas ajudam as crianças a crescerem saudáveis e felizes? Reunimos ideias simples para você fazer isso na sua casa

Você começou a acompanhar o progresso do seu filho muito antes de ele deixar o aconchego da barriga: na décima semana, o coração ficou pronto; na 24ª, ele já tinha a audição desenvolvida e escutava a sua voz; na 30ª, começou a se preparar para o parto e talvez tenha virado de cabeça para baixo! Agora que já está em seus braços, você continua ansioso para acompanhar de camarote todos os sinais do desenvolvimento do seu pequeno e treme só de pensar que ele pode ficar para trás. Bobagem! Preocupação excessiva não vai ajudar em nada, então, tire o pé do acelerador e curta cada fase. Seu filho realizará todas as conquistas fundamentais ao amadurecimento: vai aprender a andar, a falar, deixará as fraldas e, quando você menos esperar, estará andando de bicicleta sozinho (e sem rodinhas!). Só que fará tudo isso no tempo dele.

Por maiores que sejam as suas expectativas, o desenvolvimento da criança depende, sobretudo, de um fator biológico decisivo e alheio ao controle dos pais. Trata-se da amielinização, o processo de maturação das estruturas nervosas, que levam um tempo até tornarem-se aptas a transmitir impulsos nervosos. Sem que essa estrutura neural esteja preparada, não adianta forçar a barra. É sempre possível oferecer estímulo, mas sem querer apressar nada, pois isso pode, inclusive, gerar frustração. “O ritmo infantil deve ser respeitado. Sem isso, seu filho pode sofrer por ser pressionado a fazer alguma coisa que talvez ele não tenha aptidão ou ainda não esteja pronto”, explica Maria Carolina Villas Bôas, professora do Centro de Estudos Educacionais Vera Cruz, com foco na formação de professores do ensino fundamental.

Por isso, deixe de levar tão a sério os marcos do desenvolvimento, que estabelecem, por exemplo, que seu filho com 7 meses conseguirá se sentar sozinho e com 3 anos será capaz de pedalar um triciclo. Considere o que é esperado para cada idade apenas como referência. O progresso infantil não pode ser previsto com a exatidão de uma equação matemática, pois não evolui de maneira homogênea. Pode ser que a criança demore um pouco mais para dizer as primeiras palavras, mas tenha a coordenação melhor em relação aos colegas da mesma idade. Isso não quer dizer que ela terá um problema na fala. Significa apenas que, por algum motivo, ela precisará de um pouco mais de tempo.

O melhor a fazer é deixar de lado a checklist das capacidades que seu filho precisa desenvolver e brincar muito com ele, pois não há forma de estímulo mais poderosa do que o contato. Um estudo da Universidade da Pensilvânia, EUA, confirmou esse fato. Acompanhando 64 crianças desde o nascimento até os 20 anos de idade, pesquisadores constataram que aqueles que, além de terem brinquedos e livros disponíveis, recebiam atenção dos pais possuíam um QI mais alto quando adultos. As crianças só vão se desenvolver a partir do momento em que perceber a necessidade de interagir. Em outras palavras, podemos dizer que é a vontade de se relacionar com outros seres humanos que vai despertar o desejo de se comunicar, se movimentar e expressar o que sente.

Para aproveitar ao máximo – e sem exageros – os momentos de interação entre você e o filho, CRESCER listou 40 dicas que estimulam o desenvolvimento dele, divididos em quatro grandes pilares: intelectual, motor, social e emocional. Tudo sem sair da rotina ou precisar gastar uma fortuna com brinquedos. Enquanto isso, vocês fazem o que há de melhor: aprendem e se divertem juntos!
 

A mente em expansão


O intelecto se abre para novos aprendizados: criatividade, lógica, capacidade de improvisação, processos sequenciais. A linguagem se desenvolve enquanto a fantasia e a realidade se dissociam

1 - Todo dia, tudo igual
Desde que nasce é bom acostumar seu filho a seguir uma rotina: estabelecer a hora do banho, de dormir, de comer. Criança gosta disso porque ajuda a formar uma sequência entre os acontecimentos diários, permitindo que ela possa se organizar. Além disso, a rotina está associada a hábitos saudáveis, que são importantes para o crescimento – como ter oito horas de sono e comer direito.

2 - Arco-Íris
O bebê começa a perceber as cores por volta dos 3 meses, quando a visão já não está mais tão embaçada. Por isso, nessa idade o ideal é estimulá-lo com cores fortes, que podem estar em brinquedos ou em um móbile no berço. Eles também adoram contraste: pode reparar que não faltam listras em brinquedos infantis. Com cerca de 1 ano e meio, seu filho já começa a perceber a diferença entre uma cor e outra, ainda que não saiba nomeá-las. A partir dos 2, diga: “Vamos brincar com aquela bola azul” ou “Pegue o tomate vermelho para a salada”. Assim, as cores começam a fazer parte do dia a dia.

3 - Livro amigo
O papel dos pais é fundamental para que as crinaças amem ler – e aprendam a fazer dos livros um prazer, não uma obrigação. Segundo a última edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, para 43% dos leitores a mãe foi a principal influência no gosto por ler e, para 17%, o pai foi quem exerceu esse papel. Já a partir do terceiro mês de vida, você pode usar livros de plástico no banho. A partir do sexto, quando o bebê já consegue levar objetos à boca com as mãos, deixe livros de pano no berço – além de poder mordê-los, ele não conseguirá arrancar as páginas! Em todas as idades, fale da capa, das figuras, deixe que a criança vire as páginas, ou seja, estimule ao máximo que ela interaja com esse companheiro. Com 4 anos, peça para seu filho mostrar as letras do alfabeto que conhece ou ler as palavras que conseguir. Depois de alfabetizado, aposte em histórias com muitas rimas, já que nessa fase ele já tem uma consciência fonética considerável.

4 - Para lembrar
A memória é uma forma de armazenamento do conhecimento e deve ser permeada por um contexto. Senão, vira decoreba. Comece ajudando seu filho a memorizar palavras, mostrando o objeto representado. Se vocês estão passeando na rua e cruzam com uma bicicleta, aponte e diga: “Olha, filho, uma bicicleta”. É desse modo que ele vai construindo associações. Desde o primeiro ano, ele já dirá algumas palavras e pode tentar repetir os nomes do que você mostra. Mas é a partir dos 2 anos que a capacidade de conservar informações aumenta.

5 - De improviso
Criar personagens e sonhar com mundos fantásticos. Tudo isso é importante para desenvolver a criatividade dos pequenos. Contribui, inclusive, para a resolução de problemas. Para tornar a narrativa ainda mais empolgante, que tal testar a capacidade de improviso de vocês dois? Separe figuras de objetos, paisagens, cores, alimentos e animais – podem ser desenhadas ou recortadas de revistas. Enquanto um narra, o outro seleciona algumas imagens, cujos elementos retratados devem ser incluídos na narrativa. O desafio é ser capaz de encaixá-los de modo que a narrativa continue fazendo sentido. Aos 7 anos, como a criança já está alfabetizada, você pode ajudá-la a registrar as aventuras de vocês em pequenos livrinhos.

6 - Pergunte sempre
Ao buscar seu filho na escola, você diz: “Como foi seu dia?” E ele responde: “Legal”. Não era exatamente o que você queria ouvir, certo? Para fugir das respostas genéricas, elabore as questões de maneira que a criança precise expressar o que pensa e justificar sua resposta. Pergunte: “O que você fez de mais legal na escola hoje?”. E ela será obrigada a desenvolver um raciocínio mais elaborado, exigindo que trabalhe habilidades linguísticas e lógicas. Aos 3 anos, já consegue relatar experiências pelas quais passou e dizer se foram boas ou ruins. Aos 4, você pode perguntar por detalhes, descrições e nomes dos colegas que estavam com ela.

7 - Bendita dúvida
“Por que cachorro não come pizza?”, “É verdade que a vovó já foi criança?” Ainda que os questionamentos infantis possam desconcertar – e até constranger – os adultos, eles são essenciais para a compreensão de mundo da criança. Principalmente no que diz respeito ao processo de distinção entre real e imaginário (que ocorre por volta dos 4 anos) e da construção de relações entre os elementos conhecidos. Por isso, os “porquês” são muito bem-vindos no seu processo de desenvolvimento. Ainda que você não saiba responder a tudo o que o seu filho pergunta, mostre que a dúvida dele é pertinente e reconheça quando não souber a resposta.

8 - Feio ou bonito?
O senso estético precisa ser desenvolvido aos poucos. Para incentivá-lo, comece separando duas ou três combinações de roupa e peça para a criança escolher entre elas na hora de se vestir. Com 2 anos, ela já pode dizer o que prefere. A partir dos 5, deixe que pegue sozinha o que quer vestir e, mesmo que alguns ajustes sejam necessários, tente manter o conceito que ela criou, preservando, por exemplo, a cor.

9 - “Falta muito?”
A partir dos 5 anos, a criança começa a adquirir uma noção mais elaborada da passagem do tempo. Para ajudá-la nesse processo de construção de linearidade, utilize um calendário para marcar datas importantes. Acompanhe com o seu filho quanto falta para cada evento, deixando-o riscar com um giz cada dia que passa. A partir dos 7 anos, a noção temporal pode evoluir para o conceito de hora. Comece a associar o fato de o relógio marcar meio-dia com a hora do almoço, por exemplo, mostrando a posição dos ponteiros.

10 - Brincar, guardar, brincar
Enquanto seu filho brinca, insista para que ele se envolva em um jogo por vez, o que contribui para a concentração. Não quer mais jogar boliche? Hora de colocar os pinos na caixa para só depois começar uma brincadeira nova. A partir dos 2 anos, seu filho pode ajudar a guardar o brinquedo que estava usando antes de pegar um novo, assim, ele desenvolve também o senso de organização.
 

O motor do crescimento


Conforme seu filho se desenvolve, a consciência do próprio corpo, o equilíbrio e a agilidade aumentam. Para ajudar nesse processo, A ordem é fortalecer a musculatura

11 - Ginástica labial
É fundamental para o desenvolvimento da fala fortalecer os músculos faciais envolvidos na emissão dos sons. A força que o recém-nascido faz na amamentação, sugando o leite da mãe, já contribui para trabalhar essa área. Se ele precisar de mamadeira, prefira as de bicos ortodônticos. Além de ser mais anatômico e confortável, o furo para a saída de leite é menor. Assim, o bebê é obrigado a aplicar mais força para a sucção, como fazia no peito, o que fortalece os músculos da região facial.

12 - De barriga para baixo
Seu filho começa a fortalecer o corpo entre o primeiro e o sexto mês. Como o desenvolvimento motor grosso (que envolve as atividades dos grandes músculos, como sentar e andar) se dá no sentido céfalo-caudal (da cabeça para os pés), o primeiro passo é fortalecer a musculatura do pescoço. Já a partir do primeiro mês, deixe seu filho ao menos dois períodos por dia apoiado de barriga para baixo em uma superfície plana e firme. Desse modo, o bebê pode se apoiar com segurança e levantar a cabeça. Aos 6 meses, ele vai começar a se sentar sozinho. Arrume várias almofadas ao redor dele para ajudá-lo a se firmar.

13 - Menos colo, mais chão!
É claro que o aconchego é uma delícia e você tem vontade de ficar com seu bebê o mais perto possível a maior parte do tempo. No entanto, permitir que os pequenos se movam livremente é fundamental a partir dos 6 meses. Isso porque, normalmente, as crianças que têm um desenvolvimento motor superior são as que não ficam tanto tempo no colo.

14 - Clap, clap, tum, tum
Um dos melhores jeitos de desenvolver a coordenação motora é ensinar ritmo ao seu filho. Para isso, basta utilizar as mãos. A partir do sétimo mês, bata palmas com ele ao som das músicas favoritas de vocês, intercalando canções lentas com outras aceleradas, para que ele possa perceber a diferença.Você vai ver que seu bebê conseguirá bater as mãozinhas – ainda que de um jeito meio desengonçado!

15 - Lápis e papel à mão
A arte é sempre uma importante aliada do desenvolvimento. Perto dos 14 meses, seu filho é capaz de segurar o lápis e fazer traços. A folha representa uma área que a criança não pode ultrapassar enquanto rabisca. Por isso, esse exercício ajuda a desenvolver a noção de espaço. Fique ao lado dele e explique por que não se deve extrapolar a fronteira do papel, mostrando os limites da folha que devem ser respeitados.

16 - Tudo cabe
A partir dos 7 meses, o bebê começa a segurar objetos e, por volta de 1 ano e meio, já pode começar a fazer encaixes. Além de ser um bom exercício para a coordenação, trabalha também a parte visomotora – ou seja, por meio da visão, a criança tem a noção de qual peça caberá dentro da outra. Para que seu filho se divirta e aprenda com o tira e põe, ele pode brincar com panelas e canecas plásticas enquanto você prepara o almoço. A partir dos 2 anos e meio, também ofereça quebra-cabeças pequenos (cerca de seis peças).

17 - Degrau por degrau
Subir escadas é um ótimo exercício para desenvolver a agilidade e a coordenação motora grosseira, além de auxiliar no fortalecimento da musculatura. Com 1 ano de idade, a criança já consegue executar a atividade, mas ainda colocando os dois pés no mesmo degrau, um de cada vez. Com o crescimento, vai ganhando força e equilíbrio até que, perto dos 3 anos, provavelmente subirá colocando um pé em cada degrau alternadamente. Ainda nessa fase é indispensável que ele esteja acompanhado de um adulto nesses momentos, para evitar acidentes.

18 - Poder da massa
As massinhas auxiliam na coordenação motora fina, pois possibilitam que a criança realize uma série de movimentos elaborados relacionados à pinça (formada na junção do polegar com os outros dedos da mão). A partir dos 2 anos, você já pode ajudá-lo a fazer bolinhas, bonecos, a esticar a massa e apertá-la... Só fique atento para que os menores não confundam a massa com o lanche, pois ela não pode ser engolida.

19 - Pular amarelinha
A partir dos 2 anos e meio, seu filho já é capaz de dar saltos com os dois pés juntos dentro dos dez quadrados que separam o céu do inferno. Assim, ele trabalha a noção de espaço, ao seguir as linhas traçadas no chão, e o equilíbrio. Por volta dos 4 anos, aprenderá a pular em um pé só. Mesmo antes disso, você pode incentivá-lo a tentar, segurando a sua mão. A partir dos 6, aumente o grau de dificuldade da brincadeira: ele terá de desviar de mais quadrados ou chegar até o outro lado em menos tempo.

20 - “Eu coloco sozinho!”
Aos 2 anos, seu filho começa a tentar se vestir sem ajuda, o que é ótimo para desenvolver a coordenação motora fina. Dê uma mãozinha selecionando calças com elástico, camisetas com a gola mais aberta e tênis com fechos de velcro. Com o ato de se vestir, ele também percebe a importância da sequência lógica – precisa, por exemplo, calçar a meia antes do sapato. Com 6 anos, já estará abotoando e desabotoando casacos como um adulto e até conseguirá amarrar os cadarços sem ajuda.
 

Parte do conjunto
 

Ter um lugar na família, ser aluno em uma sala de aula, pertencer a um grupo de amigos. tudo isso ajuda no desenvolvimento social, conservando a individualidade da criança

21 - Barulhão do bem
Ninguém gosta do som estridente da sirene de uma ambulância – muito menos um bebê, que ainda não entende o que esse ruído representa. No entanto, os sons estranhos fazem parte da diversidade do mundo e crescer é aprender a conviver com isso. Não tenha medo de expor a criança a barulhos fortes de vez em quando, desde que você mostre para ela o que está produzindo esse som. Assim, ela aumenta cada vez mais o seu repertório e percebe que não há motivo para se assustar.

22 - Vamos dividir?
É natural da criança a partir de 1 ano e meio achar que tudo é dela. Por isso, a melhor maneira de domar esse egoísmo inato é apresentar situações em que ela precise aprender a dividir – e nada melhor do que a hora de comer para exercitar a partilha. Quando receber os amigos do seu filho em casa, ou mesmo entre irmãos, sirva alimentos que podem ser consumidos a partir de uma vasilha comunitária, como pipoca, cenouras tipo baby e gomos de mexerica. Deixe as crianças decidirem o lugar em que a vasilha vai ficar ou quem vai segurá-la.

23 - Regras da vida
Seu filho vai conviver com muitas normas durante a vida: no trânsito, no trabalho, nas relações sociais. Por isso, é bom que ele se acostume aos pequenos imperativos do cotidiano desde cedo. A partir dos 2 anos, a criança já pode colocar a própria roupa suja no cesto, por exemplo. Aos 5, levar o próprio prato para a pia, e aos 8, ela já sabe que deve arrumar o quarto.

24 - Cooperativa S.A.
Mesmo que os pais desenvolvam tarefas em conjunto com os filhos, crianças se saem melhor quando interagem com outras crianças. Por isso, nada melhor do que atividades em grupo para que elas possam brincar (e aprender!) juntas. Pular corda, coisa que as crianças conseguem fazer por volta dos 4 anos, pode ser uma ótima chance de trabalhar em equipe: enquanto duas batem a corda, as demais se revezam para pular. Para definir os papéis a cada rodada, é essencial respeitar a vontade e o direito do outro. Se todas só quiserem pular, a brincadeira não vai para frente.

25 - Entre amigos
Algumas crianças são mais falantes e extrovertidas, outras ficam com as bochechas coradas só de ouvirem o próprio nome. Tudo bem, cada uma tem um temperamento diferente e não há nada de errado com isso – desde que não esteja atrapalhando a vida social do seu filho. Um estudo da Universidade de Miami (EUA) revelou que a timidez excessiva pode até prejudicar o desempenho escolar das crianças, pois impede que estejam plenamente engajadas nas atividades. O ponto-chave é que, para interagir, qualquer pessoa precisa de segurança. Por isso, um bom começo é estimular que a criança conviva desde pequena e com frequência com gente conhecida, como primos e filhos de amigos. É a partir dos 4 anos que seu filho vai buscar brincar com outras crianças em pequenos grupos.

26 - “Ninguém me chamou”
Seu filho de 4 anos chega chateado da escola porque todo mundo foi convidado para o aniversário de um amigo, menos ele. Assim como seu filho não é tão querido por um colega, ele também não gosta de todo mundo da sala da mesma maneira. E não há problema com isso, desde que não falte respeito. Para que a rejeição não tenha um peso tão grande, incentive o seu filho a cultivar núcleos de amigos diferentes: na praia, no parquinho, no futebol. Assim, quando ele não se encaixar em uma turma, não vai ser o fim do mundo.

27 - Tente outra vez
Põe o dedo aqui quem gosta de ganhar! Todo mundo, lógico. Mas perder acontece. A derrota não deve ser encarada como um fracasso e sim como uma oportunidade de identificar os erros e se preparar melhor para superar o desafio. Por isso, incentive seu filho a tentar outra vez quando ele não for o campeão da partida e desvie o foco do resultado final para os momentos divertidos da brincadeira. A partir dos 6 anos, jogos de tabuleiro podem ajudar seu filho a desenvolver um espírito de competição saudável.

28 - Histórias do mundo
Você sabia que existe uma variação africana da história da Cinderela? Chama-se As Belas Filhas de Mufaro e conta a história das irmãs Manyara e Nyasha, escrita pelo americano John Steptoe, premiado autor de livros infantis. Compartilhar com o seu filho contos de diversos lugares pode mostrar a ele que, por maiores que sejam as diferenças culturais, os valores são os mesmos e os seres humanos continuam escrevendo sobre amor, alegria e tristeza em todas as partes do mundo. Depois de ouvir a história, que tal encená-la utilizando bonecos de cores de pele distintas, com vestimentas de materiais diferentes? Comente sobre a variedade de cores, formatos, texturas e tamanhos e ressalte o que cada um dos bonecos tem de mais interessante. Esse exercício é bom principalmente depois dos 7 anos, quando a criança já faz referência a estereótipos e preconceitos.

29 - Brincadeira reciclável
Embalagens de alimentos costumam ser chamativas e atraentes, o que, logo de cara, pode despertar a curiosidade do seu filho. A partir dos 2 anos, ele tentará imitar atividades domésticas, então, peça ajuda para encher o saco de lixo reciclável – depois que as embalagens já estiverem lavadas, claro! – e explique que tudo o que vocês estão ensacando será transformado em novos objetos, em vez de parar na natureza.
 

30 - Cuidar é animal
Uma pesquisa do Instituto Max Planck revelou que crianças a partir de 3 anos já são capazes de se solidarizar com reclamações de pessoas próximas, procurando oferecer algum conforto a elas. Uma maneira de possibilitar que seu filho desenvolva esse “tomar conta” é trazer para a família um novo integrante – e não estamos falando de outro bebê! Com um animal de estimação, a criança aprende a zelar pelo outro, seja levando-o para passear ou ajudando a encher a tigela de ração. A partir dos 7 anos, ela pode ser responsável por algumas tarefas que envolvem seu novo amigo (que pode ser um peixe, um cachorro, uma calopsita...), mas ainda não tem condições de cuidar dele sozinho!
 

Sentimentos pulsantes


Medo, alegria, ciúme, raiva, ternura. Aos poucos, a criança aprende a reconhecer as próprias emoções, expressá-las e lidar com o que sente de maneira construtiva

31 - Frio na barriga
Aos 7 meses, seu filho começa a sentir medo na presença de estranhos, aos 8, teme quando os pais não estão por perto e, aos 9, sofre de ansiedade pela separação. Mostre que, mesmo que você saia para trabalhar, vai voltar. Uma boa ideia é oferecer um objeto que substitua a presença da mãe (pode ser um bichinho de pelúcia ou um paninho). Dos 2 aos 6 anos, crianças podem ter pesadelos, medo de bruxas e fantasmas. Como o medo é irracional, nem sempre pode ser combatido com uma explicação lógica, você pode recorrer a soluções “mágicas”. Acenda um abajur espanta bruxas ou coloque meias que manterão os fantasmas bem longe! Permita que seu filho manifeste seus temores, por exemplo, desenhando ou encenando situações que fazem as pernas tremerem.

32 - De olhos fechados
Estabelecer relações de confiança é importante para o desenvolvimento da criança. E as primeiras pessoas com quem ela faz isso são os pais. Para isso, um fator é essencial: jamais mentir. Se a criança vai ao médico para tomar uma vacina, nem pense em dizer que vocês vão apenas a um passeio. Se ele perguntar se a injeção vai doer, seja sincero e diga que vai, sim, mas vai passar. Os especialistas estão todos de acordo: desde bebê, explique tudo. Fale que vai molhar, que vai doer, que vai estar frio, assim seu filho sabe o que o espera e acredita no que você diz.

33 - “Mas eu queeeeero!”
Se jogar no chão, chorar até perder o fôlego, gritar: não é difícil reconhecer quando seu filho tem um ataque de birra. Normalmente, ele faz isso para tentar conseguir o que quer – e faz parte do crescimento entender que nem tudo vai obedecer à vontade dele. Nessas horas, a palavra de ordem é: calma! Coloque a criança no colo e diga que você está triste, que não gostou do comportamento dela e que, por isso, o passeio acabou. De acordo com um estudo brasileiro, 54% dos pais usam a conversa para estabelecer limites. É importante se manter firme depois de dizer “não”, porque, se você ceder, ele vai achar que esse é um bom método para fazer você mudar de ideia, mesmo que ainda tenha menos de 1 ano de idade.

34 - Por conta própria
A partir dos 2 anos, já dá para deixar seu filho responsável por carregar sua própria mochila ou levar seu casaco. Não se trata de obrigar a criança, mas sim de possibilitar que ela vá experimentando e conquistando autonomia. Assim, a criança aprende a ter responsabilidade sobre o que é seu.

35 - Em construção
Brinquedos de empilhar podem ajudar seu filho a desenvolver o autocontrole. Desde os 2 anos, ele já consegue amontoar três blocos, um sobre o outro. As crianças ficam superorgulhosas em ver os blocos coloridos chegando cada vez mais alto, mas a gente sabe que essa obra-prima da engenharia não vai durar muito tempo. É compreensível que o seu filho se irrite por ver tanto esforço perdido quando a torre incrível que construiu se estatelar no chão. Nessa hora, tente acalmá-lo, dê um abraço apertado e o encoraje a começar outra vez.

36 - Falar de sentimentos
Seu filho vai enfrentar diversas situações frustrantes, como ter de esperar a comida ficar pronta ou não poder sair para brincar por causa da chuva. Seu papel é ajudá-lo a expressar o que está sentindo, para aprender a lidar com as próprias reações. Uma dica é inventar uma história em que haja uma situação similar à vivida. Aos 3 anos, a criança usa palavras para expressar emoções, então, crie “falas” que transmitam o que ela (ops!) o personagem está sentindo. Para os maiores, entre 7 e 8 anos, uma boa ideia é dar de presente um diário, para que eles registrem tudo o que pensam de si mesmos e do mundo. Com essa idade, as crianças começam a reconhecer seus próprios sentimentos e, por vezes, preferem não compartilhá-los com os pais. Mas ainda assim, não desista de perguntar, observe e mostre que você se importa.

37 - Fora do ninho
Dormir fora de casa contribui para o desenvolvimento da independência da criança e é importante para ela perceber que possui tal autonomia. Autorizar ou não o programa depende do quanto você conhece a família anfitriã e, claro, do principal: o seu filho quer ir? Se ele estiver hesitante, não insista. Ele pode não estar pronto. Por volta dos 5 anos, os convites começarão a surgir e ele já terá condições de passar uma noite longe da própria cama.

38 - Foi sem querer
Sua filha de 5 anos está arrumando meticulosamente sua coleção de bonecas no sofá, quando o irmão mais novo chega e derruba tudo. Ela vai ficar furiosa! Isso acontece porque entre os 2 e os 7 anos, a criança julga os atos dos outros pelas consequências e não pela intenção com que eles foram praticados – esse é o motivo de tantos desentendimentos entre os pequenos! Mostre que a outra criança não teve a intenção de agir assim, reforce que não foi de propósito e ajude-a a remendar o estrago.

39 - Aprendendo a esperar
A fila da montanha-russa ou para encontrar o Papai Noel é uma ótima chance do seu filho (e de você também) exercitar a paciência. Nesses “intervalos”, cantar, imitar movimentos e inventar brincadeiras com palavras podem ser boas ideias para o seu filho aprender a esperar a vez sem se aborrecer. A partir dos 6 anos, quando as crianças já dominam os sons e têm maior consciência gramatical, trava-línguas podem ser uma boa ideia para o tempo passar mais depressa.

40 - Reforce o lado bom
Manere na hora de censurar as crianças, principalmente os menores. Segundo um estudo da Universidade de Leiden, na Holanda, crianças de até 8 anos aprendem com os elogios, mas não absorvem críticas. Parabenize seu filho quando ele for bom em alguma coisa, incentivando-o a continuar. Se dar bronca for realmente necessário, preste muita atenção à maneira de fazê-lo. Dizer “como você é malcriado” é bem diferente de falar “como você está malcriado”! Não deixe a criança pensar que o traço criticado faz parte da personalidade dela, assim, não vai incorporar essa característica à sua autoimagem.

Fontes: Abram Topczewski, neuropediatra do Hospital Israelita Albert Einstein (SP); Adriana Friedman, mestre em educação e fundadora da Aliança pela Infância (SP); Elvira Cristina Martins Tassoni, professora da pós-graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (SP); Luiz Bellizia Neto, pediatra do Hospital Albert Einstein (SP); Maria Carolina Villas Bôas, professora do Centro de Estudos Educacionais Vera Cruz (SP); Maria Irene Maluf, psicopedagoga da Associação Brasileira de Psicopedagogia; Maria Isabel d´Ávila Freitas, professora do curso de Fonoaudiologia da UFSC (SC); Orly Zucatto Mantovani de Assis, coordenadora do laboratório de Psicologia Genética da Faculdade de Educação da Unicamp (SP); Saul Cypel, secretário do departamento científico de pediatria do comportamento e desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SP); Teresa Handion, mestre em Desenvolvimento Humano, Ensino e Aprendizagem e diretora da Associação Brasileira de Psicopedagogia; Vera Lucia Vilar de Araújo Bezerra, professora de Pediatria titular da Universidade de Brasília (DF)

40 maneiras de estimular o desenvolvimento do seu filho

Bater palmas, perguntar como foi o dia, ensinar a guardar os brinquedos. Você sabia que ações como essas ajudam as crianças a crescerem saudáveis e felizes? Reunimos ideias simples para você fazer isso na sua casa

Você começou a acompanhar o progresso do seu filho muito antes de ele deixar o aconchego da barriga: na décima semana, o coração ficou pronto; na 24ª, ele já tinha a audição desenvolvida e escutava a sua voz; na 30ª, começou a se preparar para o parto e talvez tenha virado de cabeça para baixo! Agora que já está em seus braços, você continua ansioso para acompanhar de camarote todos os sinais do desenvolvimento do seu pequeno e treme só de pensar que ele pode ficar para trás. Bobagem! Preocupação excessiva não vai ajudar em nada, então, tire o pé do acelerador e curta cada fase. Seu filho realizará todas as conquistas fundamentais ao amadurecimento: vai aprender a andar, a falar, deixará as fraldas e, quando você menos esperar, estará andando de bicicleta sozinho (e sem rodinhas!). Só que fará tudo isso no tempo dele.

Por maiores que sejam as suas expectativas, o desenvolvimento da criança depende, sobretudo, de um fator biológico decisivo e alheio ao controle dos pais. Trata-se da amielinização, o processo de maturação das estruturas nervosas, que levam um tempo até tornarem-se aptas a transmitir impulsos nervosos. Sem que essa estrutura neural esteja preparada, não adianta forçar a barra. É sempre possível oferecer estímulo, mas sem querer apressar nada, pois isso pode, inclusive, gerar frustração. “O ritmo infantil deve ser respeitado. Sem isso, seu filho pode sofrer por ser pressionado a fazer alguma coisa que talvez ele não tenha aptidão ou ainda não esteja pronto”, explica Maria Carolina Villas Bôas, professora do Centro de Estudos Educacionais Vera Cruz, com foco na formação de professores do ensino fundamental.

Por isso, deixe de levar tão a sério os marcos do desenvolvimento, que estabelecem, por exemplo, que seu filho com 7 meses conseguirá se sentar sozinho e com 3 anos será capaz de pedalar um triciclo. Considere o que é esperado para cada idade apenas como referência. O progresso infantil não pode ser previsto com a exatidão de uma equação matemática, pois não evolui de maneira homogênea. Pode ser que a criança demore um pouco mais para dizer as primeiras palavras, mas tenha a coordenação melhor em relação aos colegas da mesma idade. Isso não quer dizer que ela terá um problema na fala. Significa apenas que, por algum motivo, ela precisará de um pouco mais de tempo.

O melhor a fazer é deixar de lado a checklist das capacidades que seu filho precisa desenvolver e brincar muito com ele, pois não há forma de estímulo mais poderosa do que o contato. Um estudo da Universidade da Pensilvânia, EUA, confirmou esse fato. Acompanhando 64 crianças desde o nascimento até os 20 anos de idade, pesquisadores constataram que aqueles que, além de terem brinquedos e livros disponíveis, recebiam atenção dos pais possuíam um QI mais alto quando adultos. As crianças só vão se desenvolver a partir do momento em que perceber a necessidade de interagir. Em outras palavras, podemos dizer que é a vontade de se relacionar com outros seres humanos que vai despertar o desejo de se comunicar, se movimentar e expressar o que sente.

Para aproveitar ao máximo – e sem exageros – os momentos de interação entre você e o filho, CRESCER listou 40 dicas que estimulam o desenvolvimento dele, divididos em quatro grandes pilares: intelectual, motor, social e emocional. Tudo sem sair da rotina ou precisar gastar uma fortuna com brinquedos. Enquanto isso, vocês fazem o que há de melhor: aprendem e se divertem juntos!
 

A mente em expansão


O intelecto se abre para novos aprendizados: criatividade, lógica, capacidade de improvisação, processos sequenciais. A linguagem se desenvolve enquanto a fantasia e a realidade se dissociam

1 - Todo dia, tudo igual
Desde que nasce é bom acostumar seu filho a seguir uma rotina: estabelecer a hora do banho, de dormir, de comer. Criança gosta disso porque ajuda a formar uma sequência entre os acontecimentos diários, permitindo que ela possa se organizar. Além disso, a rotina está associada a hábitos saudáveis, que são importantes para o crescimento – como ter oito horas de sono e comer direito.

2 - Arco-Íris
O bebê começa a perceber as cores por volta dos 3 meses, quando a visão já não está mais tão embaçada. Por isso, nessa idade o ideal é estimulá-lo com cores fortes, que podem estar em brinquedos ou em um móbile no berço. Eles também adoram contraste: pode reparar que não faltam listras em brinquedos infantis. Com cerca de 1 ano e meio, seu filho já começa a perceber a diferença entre uma cor e outra, ainda que não saiba nomeá-las. A partir dos 2, diga: “Vamos brincar com aquela bola azul” ou “Pegue o tomate vermelho para a salada”. Assim, as cores começam a fazer parte do dia a dia.

3 - Livro amigo
O papel dos pais é fundamental para que as crinaças amem ler – e aprendam a fazer dos livros um prazer, não uma obrigação. Segundo a última edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, para 43% dos leitores a mãe foi a principal influência no gosto por ler e, para 17%, o pai foi quem exerceu esse papel. Já a partir do terceiro mês de vida, você pode usar livros de plástico no banho. A partir do sexto, quando o bebê já consegue levar objetos à boca com as mãos, deixe livros de pano no berço – além de poder mordê-los, ele não conseguirá arrancar as páginas! Em todas as idades, fale da capa, das figuras, deixe que a criança vire as páginas, ou seja, estimule ao máximo que ela interaja com esse companheiro. Com 4 anos, peça para seu filho mostrar as letras do alfabeto que conhece ou ler as palavras que conseguir. Depois de alfabetizado, aposte em histórias com muitas rimas, já que nessa fase ele já tem uma consciência fonética considerável.

4 - Para lembrar
A memória é uma forma de armazenamento do conhecimento e deve ser permeada por um contexto. Senão, vira decoreba. Comece ajudando seu filho a memorizar palavras, mostrando o objeto representado. Se vocês estão passeando na rua e cruzam com uma bicicleta, aponte e diga: “Olha, filho, uma bicicleta”. É desse modo que ele vai construindo associações. Desde o primeiro ano, ele já dirá algumas palavras e pode tentar repetir os nomes do que você mostra. Mas é a partir dos 2 anos que a capacidade de conservar informações aumenta.

5 - De improviso
Criar personagens e sonhar com mundos fantásticos. Tudo isso é importante para desenvolver a criatividade dos pequenos. Contribui, inclusive, para a resolução de problemas. Para tornar a narrativa ainda mais empolgante, que tal testar a capacidade de improviso de vocês dois? Separe figuras de objetos, paisagens, cores, alimentos e animais – podem ser desenhadas ou recortadas de revistas. Enquanto um narra, o outro seleciona algumas imagens, cujos elementos retratados devem ser incluídos na narrativa. O desafio é ser capaz de encaixá-los de modo que a narrativa continue fazendo sentido. Aos 7 anos, como a criança já está alfabetizada, você pode ajudá-la a registrar as aventuras de vocês em pequenos livrinhos.

6 - Pergunte sempre
Ao buscar seu filho na escola, você diz: “Como foi seu dia?” E ele responde: “Legal”. Não era exatamente o que você queria ouvir, certo? Para fugir das respostas genéricas, elabore as questões de maneira que a criança precise expressar o que pensa e justificar sua resposta. Pergunte: “O que você fez de mais legal na escola hoje?”. E ela será obrigada a desenvolver um raciocínio mais elaborado, exigindo que trabalhe habilidades linguísticas e lógicas. Aos 3 anos, já consegue relatar experiências pelas quais passou e dizer se foram boas ou ruins. Aos 4, você pode perguntar por detalhes, descrições e nomes dos colegas que estavam com ela.

7 - Bendita dúvida
“Por que cachorro não come pizza?”, “É verdade que a vovó já foi criança?” Ainda que os questionamentos infantis possam desconcertar – e até constranger – os adultos, eles são essenciais para a compreensão de mundo da criança. Principalmente no que diz respeito ao processo de distinção entre real e imaginário (que ocorre por volta dos 4 anos) e da construção de relações entre os elementos conhecidos. Por isso, os “porquês” são muito bem-vindos no seu processo de desenvolvimento. Ainda que você não saiba responder a tudo o que o seu filho pergunta, mostre que a dúvida dele é pertinente e reconheça quando não souber a resposta.

8 - Feio ou bonito?
O senso estético precisa ser desenvolvido aos poucos. Para incentivá-lo, comece separando duas ou três combinações de roupa e peça para a criança escolher entre elas na hora de se vestir. Com 2 anos, ela já pode dizer o que prefere. A partir dos 5, deixe que pegue sozinha o que quer vestir e, mesmo que alguns ajustes sejam necessários, tente manter o conceito que ela criou, preservando, por exemplo, a cor.

9 - “Falta muito?”
A partir dos 5 anos, a criança começa a adquirir uma noção mais elaborada da passagem do tempo. Para ajudá-la nesse processo de construção de linearidade, utilize um calendário para marcar datas importantes. Acompanhe com o seu filho quanto falta para cada evento, deixando-o riscar com um giz cada dia que passa. A partir dos 7 anos, a noção temporal pode evoluir para o conceito de hora. Comece a associar o fato de o relógio marcar meio-dia com a hora do almoço, por exemplo, mostrando a posição dos ponteiros.

10 - Brincar, guardar, brincar
Enquanto seu filho brinca, insista para que ele se envolva em um jogo por vez, o que contribui para a concentração. Não quer mais jogar boliche? Hora de colocar os pinos na caixa para só depois começar uma brincadeira nova. A partir dos 2 anos, seu filho pode ajudar a guardar o brinquedo que estava usando antes de pegar um novo, assim, ele desenvolve também o senso de organização.
 

O motor do crescimento


Conforme seu filho se desenvolve, a consciência do próprio corpo, o equilíbrio e a agilidade aumentam. Para ajudar nesse processo, A ordem é fortalecer a musculatura

11 - Ginástica labial
É fundamental para o desenvolvimento da fala fortalecer os músculos faciais envolvidos na emissão dos sons. A força que o recém-nascido faz na amamentação, sugando o leite da mãe, já contribui para trabalhar essa área. Se ele precisar de mamadeira, prefira as de bicos ortodônticos. Além de ser mais anatômico e confortável, o furo para a saída de leite é menor. Assim, o bebê é obrigado a aplicar mais força para a sucção, como fazia no peito, o que fortalece os músculos da região facial.

12 - De barriga para baixo
Seu filho começa a fortalecer o corpo entre o primeiro e o sexto mês. Como o desenvolvimento motor grosso (que envolve as atividades dos grandes músculos, como sentar e andar) se dá no sentido céfalo-caudal (da cabeça para os pés), o primeiro passo é fortalecer a musculatura do pescoço. Já a partir do primeiro mês, deixe seu filho ao menos dois períodos por dia apoiado de barriga para baixo em uma superfície plana e firme. Desse modo, o bebê pode se apoiar com segurança e levantar a cabeça. Aos 6 meses, ele vai começar a se sentar sozinho. Arrume várias almofadas ao redor dele para ajudá-lo a se firmar.

13 - Menos colo, mais chão!
É claro que o aconchego é uma delícia e você tem vontade de ficar com seu bebê o mais perto possível a maior parte do tempo. No entanto, permitir que os pequenos se movam livremente é fundamental a partir dos 6 meses. Isso porque, normalmente, as crianças que têm um desenvolvimento motor superior são as que não ficam tanto tempo no colo.

14 - Clap, clap, tum, tum
Um dos melhores jeitos de desenvolver a coordenação motora é ensinar ritmo ao seu filho. Para isso, basta utilizar as mãos. A partir do sétimo mês, bata palmas com ele ao som das músicas favoritas de vocês, intercalando canções lentas com outras aceleradas, para que ele possa perceber a diferença.Você vai ver que seu bebê conseguirá bater as mãozinhas – ainda que de um jeito meio desengonçado!

15 - Lápis e papel à mão
A arte é sempre uma importante aliada do desenvolvimento. Perto dos 14 meses, seu filho é capaz de segurar o lápis e fazer traços. A folha representa uma área que a criança não pode ultrapassar enquanto rabisca. Por isso, esse exercício ajuda a desenvolver a noção de espaço. Fique ao lado dele e explique por que não se deve extrapolar a fronteira do papel, mostrando os limites da folha que devem ser respeitados.

16 - Tudo cabe
A partir dos 7 meses, o bebê começa a segurar objetos e, por volta de 1 ano e meio, já pode começar a fazer encaixes. Além de ser um bom exercício para a coordenação, trabalha também a parte visomotora – ou seja, por meio da visão, a criança tem a noção de qual peça caberá dentro da outra. Para que seu filho se divirta e aprenda com o tira e põe, ele pode brincar com panelas e canecas plásticas enquanto você prepara o almoço. A partir dos 2 anos e meio, também ofereça quebra-cabeças pequenos (cerca de seis peças).

17 - Degrau por degrau
Subir escadas é um ótimo exercício para desenvolver a agilidade e a coordenação motora grosseira, além de auxiliar no fortalecimento da musculatura. Com 1 ano de idade, a criança já consegue executar a atividade, mas ainda colocando os dois pés no mesmo degrau, um de cada vez. Com o crescimento, vai ganhando força e equilíbrio até que, perto dos 3 anos, provavelmente subirá colocando um pé em cada degrau alternadamente. Ainda nessa fase é indispensável que ele esteja acompanhado de um adulto nesses momentos, para evitar acidentes.

18 - Poder da massa
As massinhas auxiliam na coordenação motora fina, pois possibilitam que a criança realize uma série de movimentos elaborados relacionados à pinça (formada na junção do polegar com os outros dedos da mão). A partir dos 2 anos, você já pode ajudá-lo a fazer bolinhas, bonecos, a esticar a massa e apertá-la... Só fique atento para que os menores não confundam a massa com o lanche, pois ela não pode ser engolida.

19 - Pular amarelinha
A partir dos 2 anos e meio, seu filho já é capaz de dar saltos com os dois pés juntos dentro dos dez quadrados que separam o céu do inferno. Assim, ele trabalha a noção de espaço, ao seguir as linhas traçadas no chão, e o equilíbrio. Por volta dos 4 anos, aprenderá a pular em um pé só. Mesmo antes disso, você pode incentivá-lo a tentar, segurando a sua mão. A partir dos 6, aumente o grau de dificuldade da brincadeira: ele terá de desviar de mais quadrados ou chegar até o outro lado em menos tempo.

20 - “Eu coloco sozinho!”
Aos 2 anos, seu filho começa a tentar se vestir sem ajuda, o que é ótimo para desenvolver a coordenação motora fina. Dê uma mãozinha selecionando calças com elástico, camisetas com a gola mais aberta e tênis com fechos de velcro. Com o ato de se vestir, ele também percebe a importância da sequência lógica – precisa, por exemplo, calçar a meia antes do sapato. Com 6 anos, já estará abotoando e desabotoando casacos como um adulto e até conseguirá amarrar os cadarços sem ajuda.
 

Parte do conjunto
 

Ter um lugar na família, ser aluno em uma sala de aula, pertencer a um grupo de amigos. tudo isso ajuda no desenvolvimento social, conservando a individualidade da criança

21 - Barulhão do bem
Ninguém gosta do som estridente da sirene de uma ambulância – muito menos um bebê, que ainda não entende o que esse ruído representa. No entanto, os sons estranhos fazem parte da diversidade do mundo e crescer é aprender a conviver com isso. Não tenha medo de expor a criança a barulhos fortes de vez em quando, desde que você mostre para ela o que está produzindo esse som. Assim, ela aumenta cada vez mais o seu repertório e percebe que não há motivo para se assustar.

22 - Vamos dividir?
É natural da criança a partir de 1 ano e meio achar que tudo é dela. Por isso, a melhor maneira de domar esse egoísmo inato é apresentar situações em que ela precise aprender a dividir – e nada melhor do que a hora de comer para exercitar a partilha. Quando receber os amigos do seu filho em casa, ou mesmo entre irmãos, sirva alimentos que podem ser consumidos a partir de uma vasilha comunitária, como pipoca, cenouras tipo baby e gomos de mexerica. Deixe as crianças decidirem o lugar em que a vasilha vai ficar ou quem vai segurá-la.

23 - Regras da vida
Seu filho vai conviver com muitas normas durante a vida: no trânsito, no trabalho, nas relações sociais. Por isso, é bom que ele se acostume aos pequenos imperativos do cotidiano desde cedo. A partir dos 2 anos, a criança já pode colocar a própria roupa suja no cesto, por exemplo. Aos 5, levar o próprio prato para a pia, e aos 8, ela já sabe que deve arrumar o quarto.

24 - Cooperativa S.A.
Mesmo que os pais desenvolvam tarefas em conjunto com os filhos, crianças se saem melhor quando interagem com outras crianças. Por isso, nada melhor do que atividades em grupo para que elas possam brincar (e aprender!) juntas. Pular corda, coisa que as crianças conseguem fazer por volta dos 4 anos, pode ser uma ótima chance de trabalhar em equipe: enquanto duas batem a corda, as demais se revezam para pular. Para definir os papéis a cada rodada, é essencial respeitar a vontade e o direito do outro. Se todas só quiserem pular, a brincadeira não vai para frente.

25 - Entre amigos
Algumas crianças são mais falantes e extrovertidas, outras ficam com as bochechas coradas só de ouvirem o próprio nome. Tudo bem, cada uma tem um temperamento diferente e não há nada de errado com isso – desde que não esteja atrapalhando a vida social do seu filho. Um estudo da Universidade de Miami (EUA) revelou que a timidez excessiva pode até prejudicar o desempenho escolar das crianças, pois impede que estejam plenamente engajadas nas atividades. O ponto-chave é que, para interagir, qualquer pessoa precisa de segurança. Por isso, um bom começo é estimular que a criança conviva desde pequena e com frequência com gente conhecida, como primos e filhos de amigos. É a partir dos 4 anos que seu filho vai buscar brincar com outras crianças em pequenos grupos.

26 - “Ninguém me chamou”
Seu filho de 4 anos chega chateado da escola porque todo mundo foi convidado para o aniversário de um amigo, menos ele. Assim como seu filho não é tão querido por um colega, ele também não gosta de todo mundo da sala da mesma maneira. E não há problema com isso, desde que não falte respeito. Para que a rejeição não tenha um peso tão grande, incentive o seu filho a cultivar núcleos de amigos diferentes: na praia, no parquinho, no futebol. Assim, quando ele não se encaixar em uma turma, não vai ser o fim do mundo.

27 - Tente outra vez
Põe o dedo aqui quem gosta de ganhar! Todo mundo, lógico. Mas perder acontece. A derrota não deve ser encarada como um fracasso e sim como uma oportunidade de identificar os erros e se preparar melhor para superar o desafio. Por isso, incentive seu filho a tentar outra vez quando ele não for o campeão da partida e desvie o foco do resultado final para os momentos divertidos da brincadeira. A partir dos 6 anos, jogos de tabuleiro podem ajudar seu filho a desenvolver um espírito de competição saudável.

28 - Histórias do mundo
Você sabia que existe uma variação africana da história da Cinderela? Chama-se As Belas Filhas de Mufaro e conta a história das irmãs Manyara e Nyasha, escrita pelo americano John Steptoe, premiado autor de livros infantis. Compartilhar com o seu filho contos de diversos lugares pode mostrar a ele que, por maiores que sejam as diferenças culturais, os valores são os mesmos e os seres humanos continuam escrevendo sobre amor, alegria e tristeza em todas as partes do mundo. Depois de ouvir a história, que tal encená-la utilizando bonecos de cores de pele distintas, com vestimentas de materiais diferentes? Comente sobre a variedade de cores, formatos, texturas e tamanhos e ressalte o que cada um dos bonecos tem de mais interessante. Esse exercício é bom principalmente depois dos 7 anos, quando a criança já faz referência a estereótipos e preconceitos.

29 - Brincadeira reciclável
Embalagens de alimentos costumam ser chamativas e atraentes, o que, logo de cara, pode despertar a curiosidade do seu filho. A partir dos 2 anos, ele tentará imitar atividades domésticas, então, peça ajuda para encher o saco de lixo reciclável – depois que as embalagens já estiverem lavadas, claro! – e explique que tudo o que vocês estão ensacando será transformado em novos objetos, em vez de parar na natureza.
 

30 - Cuidar é animal
Uma pesquisa do Instituto Max Planck revelou que crianças a partir de 3 anos já são capazes de se solidarizar com reclamações de pessoas próximas, procurando oferecer algum conforto a elas. Uma maneira de possibilitar que seu filho desenvolva esse “tomar conta” é trazer para a família um novo integrante – e não estamos falando de outro bebê! Com um animal de estimação, a criança aprende a zelar pelo outro, seja levando-o para passear ou ajudando a encher a tigela de ração. A partir dos 7 anos, ela pode ser responsável por algumas tarefas que envolvem seu novo amigo (que pode ser um peixe, um cachorro, uma calopsita...), mas ainda não tem condições de cuidar dele sozinho!
 

Sentimentos pulsantes


Medo, alegria, ciúme, raiva, ternura. Aos poucos, a criança aprende a reconhecer as próprias emoções, expressá-las e lidar com o que sente de maneira construtiva

31 - Frio na barriga
Aos 7 meses, seu filho começa a sentir medo na presença de estranhos, aos 8, teme quando os pais não estão por perto e, aos 9, sofre de ansiedade pela separação. Mostre que, mesmo que você saia para trabalhar, vai voltar. Uma boa ideia é oferecer um objeto que substitua a presença da mãe (pode ser um bichinho de pelúcia ou um paninho). Dos 2 aos 6 anos, crianças podem ter pesadelos, medo de bruxas e fantasmas. Como o medo é irracional, nem sempre pode ser combatido com uma explicação lógica, você pode recorrer a soluções “mágicas”. Acenda um abajur espanta bruxas ou coloque meias que manterão os fantasmas bem longe! Permita que seu filho manifeste seus temores, por exemplo, desenhando ou encenando situações que fazem as pernas tremerem.

32 - De olhos fechados
Estabelecer relações de confiança é importante para o desenvolvimento da criança. E as primeiras pessoas com quem ela faz isso são os pais. Para isso, um fator é essencial: jamais mentir. Se a criança vai ao médico para tomar uma vacina, nem pense em dizer que vocês vão apenas a um passeio. Se ele perguntar se a injeção vai doer, seja sincero e diga que vai, sim, mas vai passar. Os especialistas estão todos de acordo: desde bebê, explique tudo. Fale que vai molhar, que vai doer, que vai estar frio, assim seu filho sabe o que o espera e acredita no que você diz.

33 - “Mas eu queeeeero!”
Se jogar no chão, chorar até perder o fôlego, gritar: não é difícil reconhecer quando seu filho tem um ataque de birra. Normalmente, ele faz isso para tentar conseguir o que quer – e faz parte do crescimento entender que nem tudo vai obedecer à vontade dele. Nessas horas, a palavra de ordem é: calma! Coloque a criança no colo e diga que você está triste, que não gostou do comportamento dela e que, por isso, o passeio acabou. De acordo com um estudo brasileiro, 54% dos pais usam a conversa para estabelecer limites. É importante se manter firme depois de dizer “não”, porque, se você ceder, ele vai achar que esse é um bom método para fazer você mudar de ideia, mesmo que ainda tenha menos de 1 ano de idade.

34 - Por conta própria
A partir dos 2 anos, já dá para deixar seu filho responsável por carregar sua própria mochila ou levar seu casaco. Não se trata de obrigar a criança, mas sim de possibilitar que ela vá experimentando e conquistando autonomia. Assim, a criança aprende a ter responsabilidade sobre o que é seu.

35 - Em construção
Brinquedos de empilhar podem ajudar seu filho a desenvolver o autocontrole. Desde os 2 anos, ele já consegue amontoar três blocos, um sobre o outro. As crianças ficam superorgulhosas em ver os blocos coloridos chegando cada vez mais alto, mas a gente sabe que essa obra-prima da engenharia não vai durar muito tempo. É compreensível que o seu filho se irrite por ver tanto esforço perdido quando a torre incrível que construiu se estatelar no chão. Nessa hora, tente acalmá-lo, dê um abraço apertado e o encoraje a começar outra vez.

36 - Falar de sentimentos
Seu filho vai enfrentar diversas situações frustrantes, como ter de esperar a comida ficar pronta ou não poder sair para brincar por causa da chuva. Seu papel é ajudá-lo a expressar o que está sentindo, para aprender a lidar com as próprias reações. Uma dica é inventar uma história em que haja uma situação similar à vivida. Aos 3 anos, a criança usa palavras para expressar emoções, então, crie “falas” que transmitam o que ela (ops!) o personagem está sentindo. Para os maiores, entre 7 e 8 anos, uma boa ideia é dar de presente um diário, para que eles registrem tudo o que pensam de si mesmos e do mundo. Com essa idade, as crianças começam a reconhecer seus próprios sentimentos e, por vezes, preferem não compartilhá-los com os pais. Mas ainda assim, não desista de perguntar, observe e mostre que você se importa.

37 - Fora do ninho
Dormir fora de casa contribui para o desenvolvimento da independência da criança e é importante para ela perceber que possui tal autonomia. Autorizar ou não o programa depende do quanto você conhece a família anfitriã e, claro, do principal: o seu filho quer ir? Se ele estiver hesitante, não insista. Ele pode não estar pronto. Por volta dos 5 anos, os convites começarão a surgir e ele já terá condições de passar uma noite longe da própria cama.

38 - Foi sem querer
Sua filha de 5 anos está arrumando meticulosamente sua coleção de bonecas no sofá, quando o irmão mais novo chega e derruba tudo. Ela vai ficar furiosa! Isso acontece porque entre os 2 e os 7 anos, a criança julga os atos dos outros pelas consequências e não pela intenção com que eles foram praticados – esse é o motivo de tantos desentendimentos entre os pequenos! Mostre que a outra criança não teve a intenção de agir assim, reforce que não foi de propósito e ajude-a a remendar o estrago.

39 - Aprendendo a esperar
A fila da montanha-russa ou para encontrar o Papai Noel é uma ótima chance do seu filho (e de você também) exercitar a paciência. Nesses “intervalos”, cantar, imitar movimentos e inventar brincadeiras com palavras podem ser boas ideias para o seu filho aprender a esperar a vez sem se aborrecer. A partir dos 6 anos, quando as crianças já dominam os sons e têm maior consciência gramatical, trava-línguas podem ser uma boa ideia para o tempo passar mais depressa.

40 - Reforce o lado bom
Manere na hora de censurar as crianças, principalmente os menores. Segundo um estudo da Universidade de Leiden, na Holanda, crianças de até 8 anos aprendem com os elogios, mas não absorvem críticas. Parabenize seu filho quando ele for bom em alguma coisa, incentivando-o a continuar. Se dar bronca for realmente necessário, preste muita atenção à maneira de fazê-lo. Dizer “como você é malcriado” é bem diferente de falar “como você está malcriado”! Não deixe a criança pensar que o traço criticado faz parte da personalidade dela, assim, não vai incorporar essa característica à sua autoimagem.

Fontes: Abram Topczewski, neuropediatra do Hospital Israelita Albert Einstein (SP); Adriana Friedman, mestre em educação e fundadora da Aliança pela Infância (SP); Elvira Cristina Martins Tassoni, professora da pós-graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (SP); Luiz Bellizia Neto, pediatra do Hospital Albert Einstein (SP); Maria Carolina Villas Bôas, professora do Centro de Estudos Educacionais Vera Cruz (SP); Maria Irene Maluf, psicopedagoga da Associação Brasileira de Psicopedagogia; Maria Isabel d´Ávila Freitas, professora do curso de Fonoaudiologia da UFSC (SC); Orly Zucatto Mantovani de Assis, coordenadora do laboratório de Psicologia Genética da Faculdade de Educação da Unicamp (SP); Saul Cypel, secretário do departamento científico de pediatria do comportamento e desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SP); Teresa Handion, mestre em Desenvolvimento Humano, Ensino e Aprendizagem e diretora da Associação Brasileira de Psicopedagogia; Vera Lucia Vilar de Araújo Bezerra, professora de Pediatria titular da Universidade de Brasília (DF)

Crianças que praticam exercícios são menos estressadas, diz pesquisa

Toda criança precisa se mexer. Seja brincando, fazendo aula de educação física ou praticando algum esporte. Você já deve ter ouvido isso um montão de vezes, mas aí vai mais um motivo para colocar as crianças em atividade: fazer exercício na infância também ajuda a lidar com o estresse.

Uma relação que já estava comprovada em adultos agora também foi testada em crianças. Um estudo da Universidade de Helsinki, na Finlândia, analisou 258 meninos e meninas de 8 anos para descobrir se havia alguma relação entre atividade física e cortisol, conhecido como o hormônio do estresse. Os pesquisadores colocaram um medidor de atividade no pulso das crianças e pediram aos pais que coletassem uma amostra de saliva dos filhos durante o dia, a partir da qual mediriam o nível de cortisol. Essa amostra foi comparada a uma segunda, colhida após um teste de indução ao estresse, composto por um desafio aritmético e um de falar em público.

Para analisar os dados, os pesquisadores separaram as crianças em três grupos, de acordo com a quantidade de atividade física realizada. As crianças dos grupos que haviam praticado menos atividade física tiveram um aumento significativo nos níveis de cortisol após o teste. Já aquelas que pertenciam ao grupo que havia feito mais exercício apresentaram pequeno ou nenhum aumento nos níveis do hormônio. Os responsáveis pelo estudo afirmaram que essa descoberta pode ajudar a entender a importância da atividade física para o bem estar físico e mental da criança.

Segundo a endocrinologista Rosângela Réa, do Hospital Pequeno Príncipe (PR), a pesquisa comprova que quem faz exercício responde melhor ao estresse, o que influencia diretamente no jeito com que a criança levará sua vida. Isso é, crianças que se movimentam podem ser mais tranquilas e reagir melhor quando estão diante de um desafio. Em adultos, o cortisol também já foi relacionado à depressão e a um maior acúmulo de gordura corporal.

“Esse tipo de relação [entre exercício e cortisol] já foi mostrada em adultos, mas nesse caso o foco são as crianças. E a pesquisa mostra que tanto os exercícios rigorosos como não rigorosos têm esse efeito. É mais um motivo para os pais estimularem a prática de exercícios”, explica Rosângela.

Segundo Nara Rejane de Oliveira, professora do Departamento de Ciências do Movimento Humano da Unifesp, o estilo de vida das crianças, especialmente nas grandes metrópoles, contribui para o sedentarismo. Isso porque elas costumam passar muito tempo dentro de casa e as brincadeiras na rua, que antes eram sinônimo de movimentação intensa, já não fazem mais parte de seu cotidiano. Nara concorda que é preciso estimular o exercício físico na infância, mas dá um alerta: “É preciso ter bom senso quanto à quantidade e qualidade de exercício. É imprescindível que não haja sobrecarga de tarefas e que a criança possa participar de uma atividade que ela realmente goste e não aquela que os adultos desejam”.

A sobrecarga de tarefas, segundo Nara, não é apenas em relação a atividades físicas. “O estresse pode ser desencadeado pelo excesso de atividades que muitas crianças realizam. É comum que famílias, ávidas por oferecerem aos filhos oportunidades de aprendizagens diversas, acabem estressando as crianças com o excesso de atividades extracurriculares.”

Outra dica importante é ter jogo de cintura. Às vezes, a criança rejeita a atividade física porque passa a associá-la a mais uma aula, a mais uma obrigação que precisa cumprir. Se seu filho fizer muito drama para se mexer, tente transformar o exercício em passeio – ou a boa e velha brincadeira! Por exemplo, tire a bicicleta da garagem e vá pedalar em família. Assim, ele vai deixar de enxergar a bicicleta como exercício e vai associá-la ao lazer e a um momento prazeroso.

Fonte: Revista Crescer

Brincar é Estimular? Preensão e Função Manual

Apresentamos o resumo de uma publicacao de um colega nosso de longa data que discute nesse artigo, sobre a aquisicoes das preensoes manuais em criancas com paralisia cerebral do tipo hemeparesia espastica e sobre a prercepcao das maes do brincar como uma importante forma de estimulacao.

Resumo

A preensão e a função manual de crianças com paralisia cerebral podem ser prejudicadas em diversos graus de acordo com o tipo de comprometimento e também pela forma como elas são estimuladas para desenvolverem suas habilidades manuais. O objetivo desta pesquisa foi o de caracterizar a preensão e a função manual de crianças pré-escolares com hemiparesia espástica e descrever como a estimulação é realizada a partir do auto-relato das mães dessas crianças. Dez participantes compuseram a amostra, distribuídos em dois estudos. No Estudo 1 participaram cinco crianças com hemiparesia espástica à direita, com idades variando de 56 a 86 meses (média 70.8 meses). Dois testes, denominados “teste 1“ e “teste 2“ , foram aplicados. O teste 1 foi o “Domínio da Preensão”, do instrumento “Quality of Upper Extremity Skills Test” (QUEST) a fim de caracterizar a preensão das crianças. O teste 2 foi o “Jebsen-Taylor Hand Function Test”, com o propósito de analisar o impacto da deficiência motora na função manual da criança com hemiparesia espástica para seis tarefas representativas de atividades funcionais. Como resultados, os dados do teste 1 indicaram que as crianças com hemiparesia espástica apresentaram padrões de preensão compatíveis com o de crianças de desenvolvimento típico, porém em estágios anteriores de desenvolvimento. O objeto que apresentou maior variedade quanto ao tipo de preensão empregada pela criança foi o lápis e tais diferenças foram evidentes no lado hemiparético. No teste 2, por meio da análise estatística de média e desvio padrão do desempenho de tempo, teve-se como indicativo que todas as crianças foram mais lentas para a realização das seis tarefas funcionais no lado comprometido pela deficiência motora. No Estudo 2, participaram as cinco mães das crianças do estudo anterior. Por meio de uma entrevista semi-estruturada, o auto-relato das mães sobre como elas concebem e realizam a estimulação foi abordado, principalmente sobre a área de desempenho do brincar das crianças. Os dados foram analisados a partir da análise temática do conteúdo. Como resultados, os principais achados sinalizaram que o uso das mãos foi um indicador apontado pelas mães, na identificação de que suas crianças apresentavam problemas no desenvolvimento. As mães relataram como finalidade da estimulação a funcionalidade do lado hemiparético em suas crianças para diversas atividades. Quanto aos tipos de brinquedos que as crianças brincam, identificaram-se características de tipificação sexual e para todas as crianças, a análise dos brinquedos por componentes de desempenho indicou que há um repertório de brinquedos que favorecem as habilidades manuais, porém poucos apresentaram diversidade de propriedades sensoriais, fundamentais para essas crianças. Na descrição de brincadeiras, foram observadas as representações simbólicas, expressadas nos papéis ocupacionais familiares e escolares. As mães pareceram diretivas na estimulação da função manual de suas crianças, realizando-a durante tarefas funcionais, em especial, nas atividades da pré-escola e atividades da vida diária. A atividade de brincar como estimulação foi pouco reportada. Como modelos de estimulação, as mães descreveram basear-se nas práticas de estimulação dos terapeutas de suas crianças, o que ilustrou a influência dos profissionais de reabilitação nas práticas parentais de estimulação da criança com deficiência física. Por fim, o brincar é destacado como um meio essencial para estimulação da função manual na criança com hemiparesia espástica, o que reafirma que brincar é também estimular. Recomendações para outros estudos e implicações para intervenções são discutidas.

O trabalho na integra pode ser acessado em PDF no endereco eletronico: http://www.cadernosdeterapiaocupacional.ufscar.br/index.php/cadernos/article/view/179

 

 

Desenvolvimento motor tipico, atipico e suas correlacoes com a paralisia cerebral

Apresentamos um capitulo de livro com explicacoes bastante didaticas sobre a importancia dos profissionais estarem fundamentados em sua pratica clinica sobre o tema desenvolvimento infantil tipico a fim de estarem capacitados para observar precocemente e intervir nas alteracoes desse desenvolvimento que possam ocorrem principalmente ao longo do primeiro ano de vida da crianca e possiveis implicacoes com lesoes no sistema nervoso central.

O texto pode ser acessado no endereco eletronico: http://omnipax.com.br/livros/2011/FNP/FNP-cap1.pdf

 

 

 

Reabilitacao pediatrica

A Fisioterapia e a Terapia Ocupacional na área da Neuropediatria tem expandido muito na atualidade.

Avanços técnico-científicos permitem paulatinamente uma atuação profissional diferenciada, embasada em evidências científicas relacionadas aos aspectos plásticos do SNC e com resultados mais promissores. Considerando-se o desenvolvimento de recursos e técnicas na área, percebe-se uma necessidade iminente de atualização profissional e disseminação do conhecimento científico sobre a área.

Um profissional preparado para realizar intervencoes com eficiencia e eficacia em reabilitacao pediatrica destaca-se ao aprofundar seus estudos:

a)  nas correlações da neurofisiologia e da neuroplasticidade com os processos de aprendizagem motora na reabilitação,

b)  sobre o desenvolvimento motor típico e nas alteracoes do desenvolvimento,

c) nas alteracoes e sindromes de maior incidencia e prevalencia encontradas na literatura, entre elas as encefalopatias crônicas da infância, as alteracoes transitorias decorrentes da prematuridade entre outras, 

d) em ampliacao da acessibilidade e participacao nos espacos publicos e privados da crianca (casa, escola, parques etc) e para tal, recursos de tecnologias assistiva,

e) na aplicacao de escalas de avaliação em neuropediatria a fim de mensurar tais alteracoes e os ganhos futuros no decorrer do processo de reabilitacao e,

f) nas principais técnicas e formas de intervenção na área: Bobath, integracao sensorial, psicomotricidade, adequação postural e atuação em terapia intensiva.

Os proifissionais da Kidsterapia pensam o processo de reabilitacao infantil de maneira integral e como parte da vida da crianca e seus familiares, engajando todos os envolvidos como participantes ativos para os ganhos da crianca.

 

Tecnicas de Reabilitacao do Membro Superior

As técnicas de reabilitação do membro superior vêm evoluindo em vista dos novos conceitos de plasticidade cerebral.

Apresentamos um artigo de revisao, baseado em artigos com estudos randomizados-controlados (RC), revisão da literatura e resultados de meta-análises.

Os conceitos de remodelamento cortical são baseados na teoria do “aprendizado do não uso”, isto é, o lado acometido, dentro de horas, é submetido a uma disfunção neuromuscular que propicia a sua não-utilização, priorizando o lado não afetado. Esta alteração está diretamente relacionada à reorganização somatotópica cortical pós-lesão dentro da região primária do córtex sensório-motor do hemisfério lesionado e ocorre dentro de horas após o evento vascular.

As técnicas de reabilitação de compensação funcional que priorizam o uso do hemisfério cerebral não afetado contribuem para o aprendizado do não uso. Colabora com a recuperação do lado afetado o envolvimento da ativação do córtex motor contralateral através da remoção da sua inibição natural ao córtex afetado e do recrutamento de fibras córtico-espinhais que não decussaram. Técnicas que visam primariamente o controle postural antes de iniciar com treinamentos repetitivos de tarefas, entre elas o método de Bobath(abordagem neurodevelopment).  As evidências atuais mostram que técnicas onde é realizado o treinamento repetitivo intensivo de tarefas(mass pratice), aliado a um nível progressivo de dificuldade, têm propiciado resultados satisfatórios.

Os estímulos sensitivos podem ser modulados por vários experimentos/técnicas.Estímulos verbais com informação sobre a posição das articulações durante a realização de certos movimentos foi mais eficaz do que estímulos verbais sem esta informação.  Estímulos transcutâneos sensitivos dos nervos mediano, ulnar e radial no nível do punho proporcionaram melhor desempenho das tarefas realizadas, provavelmente por induzirem desinibição de vias inibitórias no hemisfério ipsilateral.

Uma forma de estímulos visuais é a terapia em espelho onde o indivíduo realiza movimentos de extensão e flexão dos dedos e punho com o membro não afetado enquanto o membro parético é escondido por um espelho.Em um estudo randomizado, o grupo onde o membro parético ficou escondido por um espelho melhorou mais em comparação com o grupo em que o membro parético foi escondido por um objeto opaco.

Um boa técnica de ativação do hemisfério lesionado éatravés da aplicação da terapia forçada do uso do membro superior parético com a restrição do membro não afetado. Nesta terapia o indivíduo é orientado a usar uma restrição no membro não parético, através de uma tipóia ou uma luva especial, a qual o impossibilite de usar o membro são. Para o membro parético utiliza-se a técnica de realizar repetidas vezes tarefas utilizadas no dia-a-dia, com grau progressivo de dificuldade. A duração desta terapia é de 15 dias, com 6 horas de terapia por dia para o membro afetado e uso da restrição em torno de 90% do tempo em vigília no membro não afetado.

A prática mental pode ser definida como a representação consciente de uma ação e é baseada na ativação sub-liminar do sistema nervoso motor. Esta técnica é utilizada por atletas para desenvolver novas habilidades. Pode ser divida em prática cinestésica, onde o próprio indivíduo imagina a realização do movimento, ou prática visual, onde o indivíduo é o expectador da representação mental de seu próprio corpo em um movimento.

No geral, técnicas de reabilitação como estimulação sensorial e neuromuscular,ativação do córtex motor ipsilateral e inibição do hemisfério não afetado estao sendo utilizadas na pratica clinica com bons resultados. Outras tecnicas estão sob investigacao e sendo empregadas atualmente em determinadas condições clínicas: tempo gasto na terapia de reabilitação convencional,  terapia do uso forçado do membro, realidade virtual e terapia assistida por robô.

Para saber mais: http://familiabrasil.org/revista/ojs-2.2.3/index.php/ENeuroatual/article/viewArticle/35/82

Prematuridade

Principal causa de mortalidade de crianças de até sete dias de vida, a prematuridade atinge hoje 10,5% dos nascimentos no Brasil.

Os dados vêm de um grande estudo do Ministério da Saúde, coordenado pela Fiocruz, cujos resultados preliminares foram divulgados ontem no Rio, em conferência da rede global de academias nacionais de ciência.

Segundo um levantamento divulgado no ano passado pela Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o décimo país do mundo com maior número de nascimentos prematuros --em 2010, foram quase 280 mil.

Para o novo estudo da Fiocruz, foram entrevistadas 24 mil mulheres gestantes e no puerpério de 191 municípios brasileiros e 266 hospitais públicos e privados. As mães foram acompanhadas por até 60 dias após o parto.

Do total de nascimentos, 52% foram por cesárea, e 11% dos bebês necessitaram de suporte para respirar ao nascer. "É um índice absurdo", afirmou Maria do Carmo Leal, pesquisadora da Fiocruz e coordenadora do projeto, durante a apresentação.

A prematuridade está relacionada a 28% das mortes infantis até os sete dias de vida.

No mesmo evento, o secretário da Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha, anunciou uma parceria entre a pasta, a Fundação Bill e Melinda Gates e o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) para estudar as causas da prematuridade e as medidas para preveni-la.

A materia na integra pode ser acessada no endereco http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1237437-bebes-prematuros-sao-105-no-brasil.shtml

 

 

Efeitos da Prematuridade

Apresentamos um artigo sobre os efeitos da prematuridade sobre o desenvolvimento de lactentes.

Foi avaliado o desenvolvimento de lactentes, correlacionando-o com a prematuridade. Participaram do estudo 130 lactentes que foram avaliados mensalmente no decorrer do primeiro ano de vida com o Inventário Portage Operacionalizado. Desses, 56 eram sem condição de risco identificados por ocasião do nascimento (Grupo 1) e 74 eram nascidos prematuros (Grupo 2), até 37 semanas de gestação. Os resultados obtidos apontaram que os lactentes do Grupo 2 apresentaram desempenhos significantemente inferior aos do Grupo 1 em 68% das análises conduzidas, com destaque para as áreas de desenvolvimento motor, cognição e socialização. Tais resultados são condizentes com os obtidos na literatura que apontam a prematuridade como uma das condições proximais mais prejudiciais ao desenvolvimento de lactentes.

O artigo na integra pode ser acessado no endereco http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S0104-12822011000100011&script=sci_arttext

O esporte adaptado e a inclusao de alunos com deficiencias nas aulas de educacao fisica

Diante as novas expectativas que estão sendo direcionada a educação física e aos profissionais que atuam na escola mediante o processo de inclusão de alunos com deficiências no ensino regular, identifica-se que a participação destes alunos nas aulas de educação física tem gerado discussões e divergências entre docentes, sendo o despreparo ou a não qualificação no atendimento de alunos com deficiência, um argumento recorrente para justificar o pouco avanço com que este vem ocorrendo.

Considerando a relevância da educação física escolar no contexto da educação inclusiva desenvolveu-se esta tese de doutoramento, com o objetivo de analisar o desenvolvimento do esporte adaptado como conteúdo curricular da disciplina educação física, em instituições de ensino regular, em séries do ensino fundamental e médio cujo o conteúdo volta-se ao ensino do esporte, a fim de identificar o modo como o professor realiza suas intervenções com vistas à educação inclusiva.

Os resultados encontrados indicam que a condução de práticas esportivas adaptadas, como conteúdo que possibilita a participação de alunos com diferentes níveis de comprometimento em turmas inclusivas, tem sido pouco explorado pelos professores. Como parâmetro para compreensão deste dado, encontramos na formação do professor, baseada numa preparação a partir da racionalidade técnica um fator que impede o professor de utilizar novos conhecimentos, somando-se a este uma prática do esporte que se detém numa intervenção de rendimento e competitividade.

Diante dos resultados obtidos pode-se inferir que enquanto houver uma rigidez na forma como o conteúdo curricular é trabalhado, com módulos que contemplam apenas modalidades do esporte convencional, como voleibol, basquetebol, handebol, futebol entre outras, a inclusão de alunos com deficiência nas aulas de educação física continuará ocorrendo de modo lendo, oportunizando uma prática esportiva escolar para aqueles que possuem baixos níveis de comprometimento, enquanto que aqueles que possuem um grau mais elevado de comprometimento não terão a oportunidade de vivenciar as experiências que somente a prática do esporte poderia proporcionar.

Para saber mais, acessar a tese no endereco eletronico: https://www.unimep.br/phpg/bibdig/pdfs/2006/INAYIPCIURCT.pdf

O esporte para crianças com deficiência

Que o esporte é prática fundamental para o bom desenvolvimento de crianças e adolescentes já sabíamos. Mas que para crianças com deficiência essa prática se torna indispensável, talvez para uns seja novidade. As atividades físicas para crianças dividem-se em capacidade física que consiste nas atividades desenvolvidas até os três anos de idade e a capacidade competitiva melhor indicada para adolescentes a partir dos 16 anos.

Para a mestre em Motricidade Humana e professora de Educação Física da Universidade Estadual do Pará – UEPA Simone De La Rocque, essas divisões são essenciais para interação e inclusão social na infância e adolescência. “Às crianças em especial, por que desde a infância o processo de desenvolvimento vai ser acelerado, estimulado pra quem apresenta determinadas limitações, de ordem sensorial, física, motora ou cognitiva possa ser minimizada” explica Simone

 

ESTIMULAÇÃO CINESTÉSICA E VESTIBULAR

Cinestesia é definida como o sentido pelo qual são percebidos o movimento, o peso e a posição dos músculos.

O aparato vestibular é o órgão sensor, no ouvido, que detecta sensações relacionadas com orientação e equilíbrio. A estimulação cinestésica e vestibular é reconhecida como sendo extremamente importante desde antes do nascimento até a primeira infância e continua importante pelos sucessivos estágios de crescimento até a idade adulta.

Desde os primeiros movimentos de balanço da mãe carregando o feto até experiências posteriores nos primeiros programas de educação, a estimulação vestibular pode ser gerada de várias maneiras e numa grande variedade de posições.

Embalar o bebê gen­til­mente, de um lado para outro, gera a esti­mulação apropriada (Kiss, 1976). Uma luz colocada acima da cabeça fornecerá um ponto de fixação visual para a criança.  A interação entre o sistema vestibular e o cinestésico é extremamente importante para o desenvolvimento da orientação visual e o alinhamento dos olhos (Padula, 1980).

Durante o desenvolvimento das crianças, elas irão progressivamente dos braços da mãe para móveis de balanço, isto é, redes e cadeiras de balanço, para balanços, carrosséis, e para experiências de movimento cada vez mais sofisticadas quando entrarem no programa escolar de educação física.
 

ESTIMULAÇÃO TÁTIL EM BEBÊS - A APLICAÇÃO PRECOCE TRAZ BONS RESULTADOS PARA O BOM DESENVOLVIMENTO MOTOR E EMOCIONAL

A pele é o maior órgão do corpo humano, é o órgão que envolve o corpo determinando seu limite com o meio externo. A pele é um órgão vital e, sem ela, a sobrevivência seria impossível. Esta extensamente envolvida no crescimento e no desenvolvimento do organismo.

Muitas vezes nao nos damos conta que os nossos sentidos modelam o corpo de nossa realidade. A ao deixarmos qualquer dos sentidos de fora significa reduzir as dimensões de nossa realidade. 
 

No mundo ocidental a comunicação  terminou por apoiar-se maciçamente nos “sentidos distantes”: visão e audição, enquanto que os “sentidos de proximidade": paladar, olfato e tato aparecem em um segundo plano. Parece que quanto mais educados, mais distantes e mais frios. Só palavras. Nenhum contato. Estamos cercados o tempo todo daquilo que mais desejamos e ninguém ousa se apropriar – tocar, abraçar, acariciar – olhos nos olhos...


A linguagem dos sentidos envolvida na socializacao, é capaz de ampliar nossa valorização do outro e do mundo em que vivemos, e de aprofundar nossa compreensão em relação a eles.

Tocar é o principal dessas outras linguagens. A comunicação que transmitimos através do toque constitui o mais poderoso meio de criar relacionamentos humanos, como fundamento da experiência. A

A pele, como roupagem contínua e flexível, envolve-nos por completo. É o mais antigo e sensível de nossos órgãos, nosso primeiro meio de comunicação, nosso mais eficiente protetor. O corpo todo é recoberto pela pele. Na evolução dos sentidos, o tato foi, sem dúvida, o primeiro a surgir.


Na qualidade de órgão do sentido mais antigo e extenso do corpo, a pele permite que o organismo aprenda o que é seu ambiente. A pele e todas as suas partes diferenciadas é o meio pelo qual o mundo externo é percebido. O rosto e a mão como “órgão dos sentidos” não só transmitem ao cérebro informações sobre o meio ambiente, como também lhe passam determinadas informações relativas ao “sistema nervoso”.

A estimulação contínua da pele pelo ambiente externo serve para manter o tônus. É evidente que para os mamíferos a estimulação cutânea geral é importante em todos os estágios do desenvolvimento, mas, em particular, é crucial durante os primeiros dias de vida do recém nascido, durante a gestação, durante o trabalho de parto, o parto propriamente dito, e durante todo o aleitamento.

Nos primeiros estudos deste tipo constatou-se que a estimulação cutânea em bebês recém nascidos, exerce uma influência altamente benéfica sobre seu sistema imunológico, o que tem importantes conseqüências para a resistência contra doenças infecciosas e outras.


Quando nasce um bebê, nasce também uma mãe. Existem evidências consideráveis, de que neste momento e durante meses a fio as necessidades maternas de contato excedem às do bebê.

A aplicação de técnicas de estimulação tátil em bebês prematuros mostra o desenvolvimento do sistema imunológico. O método não age nos músculos, como massagem, mas sobre as terminações nervosas da pele. A estimulação tátil é um dos momentos prediletos dos bebês. Diariamente, podem desfrutar de um enorme prazer, ignorando, por breves minutos, o desagradável das suas primeiras experiências.

Um especialista, oferece ao bebê tranqüilidade e relaxamento, através do poder das suas mãos e das estimulações táteis. Nestes breves minutos, o bebê encontra a paz. A sua pele é um dos receptores mais bem desenvolvidos e, é por esse motivo, que a estimulação tátil lhe sabe tão bem.

Os benefícios são, não só para o bebe como também para a família, pois é sempre uma experiência gratificante. As ligações paternais são desenvolvidas e o stress diário, as tensões físicas e emocionais, são na maioria dos casos, amplamente ultrapassadas.

Todo "o mundo das sensações "se origina na pele. Essas sensações (boas e ruins) transformam-se em percepção, emoções e sentimentos.

Que não fique nenhuma dúvida de que o contato das mãos sobre o corpo e a estimulação têm propriedades terapêuticas. A estimulação produz vasodilatação diminui a pressão arterial, aumenta o transporte de oxigênio aos tecidos, melhora a drenagem do sistema linfático e eleva o nivel de endorfinas no sangue. A maior quantidade de endorfinas traz mais sensação de bem - estar. Por isso a estimulação tátil é muito eficaz contra a dor e o stress.

A linguagem dos sentidos é capaz de ampliar nossa valorização do outro,do mundo em que vivemos e de aprofundar nossa compreensão em relação a eles. O sentido do tato é acionado muito cedo, uma vez que os bebês estão cercados e são acariciados por tecidos e líquidos mornos desde o início da vida fetal.

Pensem sobre tudo isso, informem-se sobre as técnicas de estimulação mais adequadas a seus filhos. Façam a sua parte dando continuidade ao processo que a natureza já iniciou, prolongando os benefícios para os seus filhos e para vocês mesmos.

Aprendam a sentir. A amar e serem amados explorando corretamente os sentidos.

Integração Sensorial

O QUE É INTEGRAÇÃO SENSORIAL


O cérebro recebe constantemente grandes quantidades de informação através dos sentidos. É através deles que a criança, conforme aprende a se mover, equilibrar-se e relacionar-se com os objetos e pessoas aos seu redor , aprende sobre o mundo em que vive.

O cérebro organiza toda a informação recebida para possibilitar uma resposta. Essa organização que o cérebro dá à informação sensorial é chamada de integração sensorial. Ela permite dirigir nossa atenção para produzir um comportamento útil e adaptativo.
 

No início da vida o cérebro desenvolve a organização que será a estrutura para comportamento e aprendizagem posteriores. Nesses primeiros anos, os movimentos espontâneos e as brincadeiras que envolvem o corpo todo, são muito eficazes em desenvolver o sistema nervoso.


O cérebro humano frequentemente tem sido comparado a um computador. Ele depende da informação que recebe do ambiente através dos sistemas sensoriais. Depende de informação visual, auditiva , tátil, olfativa e gustativa. Além disso, precisa também de informação sobre gravidade e movimento. O cérebro reune todas essas sensações e as organiza para um plano de ação.


Distúrbio na recepção e organização das informações sensoriais recebidas sobre o mundo vai afetar o desempenho nas demais áreas. Quando a criança não recebe informações sensoriais importantes de forma clara e concisa, pode não estar recebendo o “alimento” que o cérebro precisa para o processo de aprendizagem. Assim, vemos crianças muito inteligentes que não produzem de acordo com o potencial intelectual que possuem.

Podemos então suspeitar que exista uma dificuldade no processamento sensorial

ALGUNS SINAIS DE PROBLEMAS NA INTEGRAÇÃO SENSORIAL

1. Falta de força e tônus muscular, o que pode resultar em ma postura e fadiga

2. Pouca consciência espacial e desenvolvimento pobre da percepção da posição do corpo, resultando em insegurança durante os movimentos.

3. Dificuldade de coordenação entre os dois lados do corpo. A criança pode ficar desajeitada e confusa quando as duas mãos precisam trabalhar em conjunto como para atividades de cortar ou escrever.

4. Falta de coordenação entre os olhos e o corpo. O uso ineficaz da ainformação visual para auxiliar no desempenho de ações

5. Atenção de curta duração. A criança geralmente tem dificuldade em focar nas tarefas que precisa fazer

6. Lentidão ao desempenhar ou aprender tarefas motoras novas, uma vez que precisa pensar sobre cada movimento que faz. Desajeitada, bate-se nas coisas ou cai muito parecendo não ver os obstáculos no caminho

7. Comportamento hiperativo; a dificuldade em concentração faz com que perceba todas as coisas ao mesmo tempo e não consiga se concentrar em uma só.

8. Sentido tátil pouco desenvolvido, fazendo com que não goste de ser tocada, tenha dificuldade em aprender sobre a forma e textura das coisas. Por outro lado, pode não perceber seu espaço pessoal e tocar demais as pessoas, chegar perto demais

9. Criança com dificildade para se alimentar: só come comidas com um certo tipo de textura, ou na mesma temperatura.

10. Apresenta medo excessivo, isola-se

11. Dificuldade em graduar a força que precisa para manipular objetos ou tocar as pessoas.

12. Problemas em usar e entender linguagem, resultando em problemas na fala, leitura e escrita. Problemas na articulação da fala sem razão aparente

Tais sinais precisam geralmente não estão presentes ao mesmo tempo. A intensidade com que aparecem e o número deles que a criança apresenta vão determinar o quanto interferem em sua habilidade de aprender.

O QUE PODE SER FEITO

O brincar é a melhor forma de desenvolver a integração sensorial.

Desde pequena a criança naturalmente procura as atividades que promovem uma boa integração da informação recebida através dos sentidos. Ao se movimentar, aprende sobre os limites do seu corpo dentro do espaço que a rodeia. Ao manipular objetos, aprende sobre seu peso, textura, força que precisa para segurá-los. Toda essa informação é recebida, organizada e armazenada, possibilitando que a criança aprenda cada vez mais sobre o mundo em que vive.


O mundo moderno, a vida nas grandes cidades, eliminou uma grande parte do brincar que propicia esse aprendizado natural através das brincadeiras motoras e sensoriais. Cada vez mais a criança está confinada em um espaço, sem oportunidade para as explorações que seu cérebro precisa para se desenvolver. O papel dos pais e terapeutas e criar oportunidades enriquecidas para que as crianças brinquem de forma a desenvolver melhor a integração sensorial e aprender melhor.


Nos casos em que a informação não é integrada da forma que deveria ser, dizemos que existe uma disfunção de integração sensorial (DIS). Podem então surgir problemas na aprendizagem, auto-estima, relacionamento social ou hiperatividade.

Quando há suspeita de que a criança apresenta disfunção de integração sensorial, é indicada uma avaliação por terapeuta ocupacional com especialização nessa área.

Dependendo dos resultados da avaliação pode ser indicada uma terapia com uma abordagem de integração sensorial. O termo “disfunção de integração sensorial (DIS)”é um termo guarda-chuva. Sob ele se abrigam várias sub-áreas:


1. Distúrbios de modulação, que incluem:
• Defensividade tátil
• Defensividade sensorial
• Insegurança gravitacional
• Intolerância a movimento

 

2. Distúrbios de coordenacão
• Integração bilateral e sequenciamento
• Dispraxias (ou dificuldade de planejamento motor)

 

Um aspecto importante da terapia de integração sensorial é que a motivação da criança e o brincar é que são as ferramentas usadas. Através de um ambiente sensorial enriquecido, recomendações de uma “dieta sensorial” para o lar e brincadeiras que levam a criança a perceber melhor o mundo ao seu redor.

Problema contato@kidsterapia.com.br

Pedimos desculpas a todos que estao tentando contato conosco pelo endereço contato@kidsterapia.com.br e não obtiveram resposta.

Estamos com dificuldade em responder as solicitações! Esperamos solucionar esse problema o mais breve possível.

No momento, aos que desejarem falar conosco, pedimos a gentileza de nos contatar usando os emails: kidsterapia@gmail.com ou  vivian@kidsterapia.com.br.

Nosso obrigada pela compressão!

Equipe Kids

Crescimento, maturação e desenvolvimento na infância e adolescência: Implicações para o esporte

 

O desenvolvimento humano emerge a partir da interação entre fatores biológicos e ambientais.

O presente estudo de revisão teve como objetivo abordar as relações entre o desenvolvimento biológico e a experiência ambiental durante a infância e a adolescência e suas implicações para a aquisição de habilidades e capacidades motoras inerentes ao esporte.

Durante a infância, em consequência do rápido desenvolvimento do sistema nervoso central, é fundamental que ocorra uma ampla e adequada variação dos estímulos ambientais, favorecendo assim o desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo-social. Na adolescência, ocorrem alterações biológicas associadas ao pico de produção dos hormônios testosterona no gênero masculino e estradiol no feminino, com grande variabilidade em relação à idade cronológica, o que acarreta na necessidade de ajustar os estímulos motores em função do estágio de maturação biológica e das experiências anteriores.

A aquisição de habilidades motoras na infância tem importante relação com a continuidade da prática de atividade física e esportiva na adolescência e nos anos posteriores, favorecendo tanto a geração de futuros atletas como a promoção da saúde populacional.

Autor:  Alessandro H. Nicolai Ré. Curso de Ciências da Atividade Física, Escola de Artes, Ciências e Humanidades, Universidade de São Paulo – Brasil. ara ler o texto na integra, acessar o endereco: http://www.revistamotricidade.com/arquivo/2011_vol7_n3/v7n3a08.pdf

Para ler o texto na integra, acessar o endereco: http://www.revistamotricidade.com/arquivo/2011_vol7_n3/v7n3a08.pdf

 

 

 

 

Qualidade do ambiente para estimulação infantil

A partir de evidências disponíveis na literatura, um recente relatório produzido por Iltus (2006) para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) aponta que a qualidade do ambiente domiciliar nos primeiros anos de vida é um indicador crítico do desenvolvimento na infância e pode ser utilizado como medida indireta do desenvolvimento infantil.

Dentre os indicadores da qualidade do ambiente familiar figuram a disponibilidade
de material para leitura, desenho e brinquedos, além do engajamento dos pais em
atividades de leitura e brincadeiras/jogos com a criança.

Destaca-se no relatório que o interior da casa e seu entorno imediato são os primeiros ambientes que as crianças experimentam e tem contatos com os membros da família, de forma que a disponibilidade e qualidade dos recursos para aprender e brincar em grande parte determina a natureza destas interações.

Vínculos iniciais e desenvolvimento infantil em situação de nascimentos de risco

O presente artigo traz considerações sobre o desenvolvimento nos primeiros anos de vida da criança, contrapondo pontos importantes na teoria psicanalítica e na teoria das relações objetais, bem como enfocando autores da contemporaneidade.

São abordados aspectos como a importância das primeiras relações, um breve histórico das práticas de cuidados neonatais e a interação mãe-bebê em situações de nascimento de risco, especialmente em casos de nascimento pré-termo.

Nestas situações, os processos de formação dos vínculos iniciais e do apego podem apresentar dificuldades. Assim, faz-se uma reflexão sobre possíveis intervenções de promoção e prevenção em saúde coletiva dirigida às famílias que estão com seus filhos internados em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, buscando uma melhor qualidade de vida para os envolvidos neste processo.

 

Para ler o artigo na integra, acesse o endereco: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232004000200021

Desempenho motor em recém-nascidos pré-termo de alto risco

O objetivo desse artigo  e avaliar o desempenho motor em recém-nascidos pré-termo (RNPT) com risco para o desenvolvimento motor.

Trata-se de um estudo prospectivo entre junho 2007 e dezembro 2008 com RN estáveis, respiração espontânea em ar ambiente e idade corrigida até 120 dias de vida. O estudo consistiu na avaliação do desempenho motor através do Test of Infant Motor Performance (TIMP), sendo aplicado por fisioterapeuta treinado, na alta hospitalar. A análise dos resultados foi realizada através de medidas descritivas e medidas de sensibilidade, especificidade e valores preditivos positivo e negativo.
 

Resultados: Foram estudados 69 RNs com idade gestacional (IG) média 32,61 ± 2,69 semanas e peso médio 1207,00 ± 380,14 gramas, com predomínio do sexo masculino (62%) e dos adequados para a idade gestacional (66,6%). Da população estudada 56 RN apresentaram pontuação na média, 7 apresentaram pontuação abaixo da média e 6 apresentaram escores muito abaixo da média. Os RN com pontuação dentro da média apresentaram IG média 34,44 ± 0,59 sem, peso médio de nascimento 1355,50 ± 294,26 gramas e permaneceram em média 11,22 ± 7,07 dias em oxigênio inalatório. Os RN que obtiveram desempenho abaixo da média apresentaram IG média 32,00 ± 2,59 sem, peso médio de nascimento 1180,00 ± 334,16 gramas e permaneceram 8,20 ± 4,24 dias sob ventilação mecânica (VM); os RN com pontuação muito abaixo da média apresentaram IG média 28,76 ± 2,54 sem, peso de nascimento 830,00 ± 332,06 g e permaneceram em média 42,50 ± 18,93 dias em VM. Verificou-se 54,5% sensibilidade, 71,4% especificidade e valores preditivos positivo e negativo de 75% e 100%.


Conclusao: Os RNPT que apresentaram pior desempenho motor foram os que permaneceram em suporte ventilatório prolongado.

 

O texto na integra pode ser acessado no endereco eletronico: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S0104-12822011000200015&script=sci_arttext

Manual para o Seguimento Ambulatorial do Bebê Prematuro de Risco

A crescente demanda por tecnologia avançada no cuidado ao pré-termo enquanto internado na Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal tem garantido maior sobrevida a este grupo de pacientes.

No entanto, a despeito da redução da mortalidade no período neonatal, a incidência de morbidades crônicas que envolvem déficit de crescimento e atraso no neurodesenvolvimento entre os sobreviventes não tem reduzido de forma significativa. Ou seja, a presença de morbidades em níveis variados faz do adequado acompanhamento após a alta hospitalar uma extensão dos cuidados empregados na UTI Neonatal.

As anormalidades menores do neurodesenvolvimento têm sido observadas de forma crescente nos países desenvolvidos. E no Brasil? Dados do nosso meio ainda são escassos. Há a necessidade de acompanhar de forma estruturada estes pacientes, a fim de conhecer o perfil dos recém-nascidos que sobrevivem a UTI no Brasil e melhor assisti-los, estabelecendo um planejamento de intervenção precoce.

Assim, a Sociedade Brasileira de Pediatria, em 2012, organizou um Manual de Seguimento com o objetivo de fornecer uma abordagem prática para orientação sobre o seguimento do prematuro de muito baixo peso, de como organizar o seguimento do prematuro nos diferentes aspectos que envolvem as peculiaridades de tal seguimento.

Atencao especial ao capitulo 5 que aborda a tematica de avaliações do desenvolvimento.

O manual pode ser baixado gratuitamente pelo site http://www.sbp.com.br/pdfs/Seguimento_prematuro_ok.pdf

 

 

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria

 

 

 

 

 

Estimulação, Intervenção e Tratamento: Como, quando, onde?

A Sociedade Brasileira de Pediatria traz um texto sobre a onde devemos iniciar a estimulação de bebês de risco, quando devemos intervir a ainda mais, quando o tratamento de reabilitação deve ser iniciado.

O texto aborda sobre a estimulação na UTI neonatal, sobre a relação mae-bebê, como podemos facilitar o desenvolvimento adequado, a realização do diagnóstico funcional e a introdução a um programa de reabilitação.

Ele pode ser acessado na integra no link: http://www.sbp.com.br/show_item2.cfm?_categoria=24&id_detalhe=328&tipo_detalhe=s

Nós, da Kids Terapia, esperamos poder aumentar a reflexão de todos os leitores. Aguardamos sugestões e comentários.

 

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria.

 

Como prevenir acidentes com brinquedos

Brincar é uma importante parte do desenvolvimento da criança. Brinquedos oferecem diversão, entretenimento e contribuem para o aprendizado. Para uma brincadeira segura, alguns itens devem ser observados como a marca de conformidade do Inmetro – popularmente conhecida como selo do Inmetro - e a faixa etária indicada na embalagem do brinquedo.

Como proteger a criança de um acidente com brinquedo

Supervisão é um fator importante para manter as crianças protegidas de acidentes com brinquedos. O envolvimento do responsável na brincadeira, ao invés da observação à distância, permite um cuidado ainda maior. Além disso, as crianças adoram quando os adultos participam de seus jogos. Brincar com a criança é uma forma de aprender mais sobre ela e uma oportunidade para ensinar importantes lições. Veja algumas dicas:

• Quando selecionar os brinquedos, considere a idade, o interesse e o nível de habilidade da criança. Siga as recomendações do fabricante e procure brinquedos com selo do Inmetro;

• Inspecione regularmente os brinquedos à procura de danos que podem ocorrer durante a brincadeira ou enquanto a criança manuseia o brinquedo. Observe também a presença de potenciais riscos como partes pequenas que podem se soltar, pontas afiadas e arestas. Conserte o brinquedo imediatamente ou mantenha-o fora do alcance da criança;

• Considere utilizar um testador para determinar aquelas partes pequenas de brinquedos que oferecem risco de engasgamento para crianças de até 4 anos. Crianças na chamada “fase oral” estão explorando o mundo e tendem a fazê-lo colocando brinquedos e outros objetos na boca. Dica: utilize uma embalagem plástica de filme fotográfico como referência, pois ela possui o diâmetro aproximado da garganta da criança (3 cm) e poderá alertar para o risco de forma bastante visual;

• Evite utilizar balões de látex (bexigas). Se realmente precisar utilizá-los, guarde-os fora do alcance das crianças e supervisione-as durante toda a brincadeira. Não permita que crianças encham balões e tenha muito cuidado com os pedaços de bexigas estouradas, pois podem ser acidentalmente ingeridos pelas crianças e ocasionar sérias consequências. Após o uso, esvazie as bexigas e descarte-as juntamente com eventuais pedaços;

• Evite brinquedos que produzem sons altos, com pontas e bordas afiadas e que apresentem projéteis, como dardos e flechas;

• Brinquedos com correntes, tiras e cordas com mais de 15 cm devem ser evitados para reduzir o risco de estrangulamento;

• Brinquedos elétricos podem causar queimaduras. Evite brinquedos com elementos de aquecimento, como baterias e tomadas elétricas, para crianças com menos de 8 anos;

• Certifique-se de que os brinquedos serão usados em ambientes seguros. Brinquedos conduzidos pela criança não devem ser usados próximo a escada, rua, piscina, lago, etc.;

• Ensine a criança a guardar os brinquedos após a brincadeira. Um local seguro para armazená-los previne quedas e outros acidentes. Brinquedos para crianças maiores podem ser perigosos para os menores e devem ser guardados separadamente;

• Presentes como bicicletas, patins, patinetes e skates são boas oportunidades para ensinar às crianças sobre segurança na diversão. Presenteie a criança com os equipamentos de segurança necessários como capacete, joelheira, cotoveleira, luvas e buzina;

• Fique atento ao recall de brinquedos com problemas ou defeitos, divulgado através da mídia, e siga as orientações do fabricante.

Saiba mais:

• Queda e engasgamento são os principais responsáveis pelas lesões e mortes relacionadas com brinquedos. Uma das principais causas de engasgamento é a bexiga/balão de látex;

• Crianças de até 3 anos estão mais expostas ao engasgamento do que as maiores, porque tendem a colocar pequenas coisas na boca. No entanto, crianças mais velhas também estão em risco, pois podem engasgar com bexigas e sacos plásticos;

• Brinquedos dirigíveis, principalmente bicicletas, estão associados a mais acidentes que qualquer outro grupo de brinquedos. Acidentes fatais podem ocorrer quando a criança é atingida por um automóvel ou quando a criança cai numa piscina, num lago, riacho, etc. A maioria dos acidentes com brinquedos dirigíveis ocorre quando as crianças caem dos brinquedos;

• O selo do Inmetro garante que o brinquedo passou por testes que comprovam sua segurança e qualidade. Os materiais utilizados na fabricação dos brinquedos devem ser atóxicos.

• Ensinar a criança a guardar os brinquedos depois de usá-los como atitude de prevenção aos acidentes;

• Checar a manutenção dos brinquedos que possam estar quebrados ou velhos demais, apresentando risco de lesões e inspecionar para identificar a presença de pontas afiadas e arestas (dardos, flechas, etc).

 

Fonte: criancasegura.org.br

 

Breast Crawl

A UNICEF, a Organização Munidal da Saude (OMS), a WABA junto com a comunidade científica recomendam
iniciar a amamentação na primeira meia hora após o nascimento.

As evidências mostram que o início precoce pode evitar 22% de todas as mortes
entre bebês com menos de um mês, em países em desenvolvimento.

Cada recém-nascido, quando colocado sobre o abdômen da mãe, logo após o nascimento, tem a capacidade
para encontrar o seio de sua mãe tudo por conta própria e decidir quando tomar a primeira mamada.
Isso é chamado de "Crawl da mama".

Assista ao video: http://www.youtube.com/watch?v=e9WtH4dq-cw

Fontes: breastcrawl.org e youtube.com

 

 

 

Comecamos o ano de 2013 destacando um artigo de revisão que aborda a importância da avaliação do bebê para detecção precoce de alterações do desenvolvimento infantil

Diagnóstico precoce de anormalidades no desenvolvimento em prematuros: instrumentos de avaliação

Rosana S. Santos;Alexandra P. Q. C. Araújo; Maria Amelia S. Porto

OBJETIVO: Revisar criticamente os instrumentos de avaliação mais utilizados na atualidade na literatura para triagem e identificação precoce de anormalidades no desenvolvimento em crianças.
FONTES DOS DADOS: Foi realizado um levantamento bibliográfico nas bases de dados no SciELO, plataforma CAPES, PubMed e Google Scholar, com os unitermos "prematuridade", "atraso no desenvolvimento", "paralisia cerebral", "diagnóstico precoce" e "testes de avaliação".
SÍNTESE DOS DADOS: Foram listados 455 títulos, sendo selecionados para esta revisão 174 artigos com base em título, relevância temática e resumo. Apenas artigos originais, disponíveis em meio eletrônico, a partir de 1985, com informação sobre a construção, aplicabilidade e propriedades psicométricas dos testes foram usados.
CONCLUSÕES: Os testes de triagem podem acelerar o início da intervenção precoce e facilitar o desenvolvimento futuro destas crianças. Vários instrumentos são utilizados para este fim, dentre eles destacam-se, nas pesquisas nacionais, o teste DENVER II e o Alberta Infant Motor Scale. O Movement Assessment of Infant também emerge como teste de triagem utilizado em nosso país. Além desses, dois outros testes são indicados na literatura mundial por sua alta sensibilidade e especificidade em idades precoces: Test of Infant Motor Performance e General Movements.

Palavras-chave: Prematuridade, atraso motor, diagnóstico precoce, testes de triagem.

O texto na íntegra pode ser acessado no endereço: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0021-75572008000400003&script=sci_arttext

 

Chegou 2013...

Como passaram as festividades?!

Nós da Kids Terapia estamos de baterias recarregadas para mais um ano de muito trabalho, estudos, descobertas e muitas novas amizades!

Esperamos por vocês!

Equipe Kids

Norma que regulamenta berços fabricados e comercializados no Brasil ja esta em vigor

Mais segurança na hora de dormir.


Já está vigorando a norma ABNT NBR 15860, que regulamenta os berços fabricados e comercializados no Brasil. Agora, as bordas devem ser arredondadas e os sistemas de travamento são obrigatórios.

 

Saiba mais no portal Sempre Materna!

Amamentação

Dicas da Sociedade Brasileira de Pediatria, 2012

 

Acesse o endereço eletrônico: http://www.sbp.com.br/flipping-book/Amamentacao18_ago12/index.html#/4/

 

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria

Boas festas

Durante todo o ano fomos presenteados com toda sua confiança e carinho. Agora e a nossa vez de agradecer:

Os sonhos são as melhores partes da realidade então...acredite!
Que possam realizar todos os seus sonhos no ano que esta por vir!

Desejamos um FELIZ NATAL e um ANO NOVO repleto de saúde, paz e sucesso.

Aguardem novidades em 2013...
www.kidsterapia, onde o diferencial acontece!

Instrumentos de Avaliação do Desenvolvimento Infantil

 Para os que se interessarem em saber um pouco mais sobre instrumentos de avaliação infantil, segue a dica de leitura:

INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL DE RECÉM-NASCIDOS PREMATUROS

INSTRUMENTS OF EVALUATION OF CHILD DEVELOPMENT OF PREMATURE NEWBORNS

Rev Bras Crescimento Desenvolvimento Hum. 2011; 21(1): 85-98

Link: http://www.revistasusp.sibi.usp.br/pdf/rbcdh/v21n1/09.pdf

 

Tradução, Adaptação Transcultural e Evidências de Validade das Escalas Bayley III de Desenvolvimento Infantil em uma população de Barueri, São Paulo

É com grande alegria que divido com todos que minha pesquisa de mestrado foi aceita sem ressalvas.

A proposta foi traduzir e adaptar para a população brasileira uma escala de desenvolvimento infantil considerada 'padrão-ouro' pela comunidade científica. Chama-se Escalas Bayley III. Os autores americanos, que possuem os direitos autorais desse instrumento, tambem aceitaram essa versão em português.

As Escalas Bayley III avaliam criancas de 16 dias a 42 meses de idade, nos domínios de desenvolvimento: cognitivo, linguagem receptiva, linguagem expressiva, motor grosso e motor fino.

Um avanço para todos nós profissionais que trabalhamos com desenvolvimento infantil !!

 

 

 

 

 

O Mito dos Andadores

O andador consiste numa base com rodas que suporta uma armação rígida que apóia um assento com aberturas para as pernas e geralmente possui uma bandeja plástica.
Os pais acreditam que, ao usar o andador, a criança estará segura e alegam várias razões para seu uso, como: manter a criança quieta e feliz, encorajar mobilidade, estimular a marcha, fazer exercícios e contê-la enquanto está se alimentando.
Andadores são perigosos! Mesmo com supervisão, a maioria dos acidentes acontece enquanto um adulto está cuidando da criança.
O exemplo do Canadá deveria ser seguido, onde a venda está proibida desde abril de 2004.
A maioria dos modelos disponíveis no mercado possui rodas pequenas, bordas cortantes ou arestas afiadas.
O que pode acontecer de errado do ponto de vista físico:

  1. A criança pode virar o andador para trás, quando apóia os pés no chão e impulsiona o corpo para trás, e bater a cabeça no chão ou na parede;
  2. A criança pode apoiar os pés no chão de maneira inadequada, dobrando o dorso dos pés para trás, correndo o risco de provocar lesões nos dedos dos pés e na região do tornozelo.

Acidentes que podem acontecer com a criança no andador:

  1. fraturas e traumatismos cranianos, ao rolar uma escada para baixo;
  2. queimaduras e ferimentos cortantes, por conseguir alcançar alturas mais elevadas, pegar um copo, um talher em cima da mesa ou panelas no fogão;
  3. afogamento, ao cair numa piscina, banheira ou balde;
  4. envenenamentos, devido ao acesso aumentado a produtos químicos e de uso domiciliar.

A maioria dos acidentes mais graves decorre de quedas em escadas, degraus e desníveis de piso.


RECOMENDAÇÕES:

  1. A aquisição de andadores não é recomendada, por representar risco de lesões graves em crianças pequenas e por não haver benefício algum em seu uso;
  2. Modificações na estrutura dos andadores para prevenir quedas de escadas (mais largos do que a passagem das portas ou mecanismo de freio para parar quando uma ou mais rodas inclinam-se para baixo) tornam seu custo mais alto e não são eficientes em prevenir os acidentes;
  3. Mecanismos de proteção de escadas, como portões em cima e em baixo não costumam prevenir as quedas;
  4. Creches, escolinhas e hospitais não devem permitir o uso de andadores;
  5. Centros de atividades infantis disponíveis no mercado, onde a criança pode saltar, girar e virar, eliminam o risco de quedas de escada e são mais seguros que os andadores;
  6. Todos aqueles que possuem andadores deveriam ser encorajadas a levá-los a locais onde seriam destruídos e seus materiais reciclados.

“MANTENHA SEU FILHO SEGURO... JOGUE FORA O ANDADOR”

 

Relatora: Dra. Renata Dejtiar Waksman
Vice-presidente do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP – gestão 2007-2009; Coordenadora do Núcleo de Estudos da Violência contra a Criança e o Adolescente da SPSP; Pediatra do Departamento Materno-Infantil do Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP.

Texto original divulgado em 2005.
Texto atualizado em 16/08/2007.

Fonte: Site da Sociedade De Pediatria de São Paulo

 

Efeito de um programa de fisioterapia funcional em crianças com paralisia

O objetivo foi verificar o efeito de um programa de fisioterapia funcional

para crianças com paralisia cerebral, associado a orientações aos pais e/ou

cuidadores; e verificar a correlação entre as habilidades funcionais e a assistência

do cuidador, utilizando o Inventário de Avaliação Pediátrica de Incapacidade (PEDI).

Participaram quatro crianças entre 24 e 43 meses de idade, hemiplégicas, espásticas

e nível I no sistema de classificação da função motora ampla (GMFCS). Foram

realizadas quatro avaliações – uma antes do início do programa, as demais aos 30,

60 e 90 dias após a primeira –, empregando-se as partes I (Habilidades funcionais)

e II (Assistência do cuidador) do PEDI. As crianças foram submetidas a sessões de

uma hora de fisioterapia funcional três vezes por semana, durante três meses: duas

vezes a sessão era de fisioterapia com base no conceito neuroevolutivo Bobath e

uma vez, treino de atividades da vida diária. Também foram dadas orientações por

escrito aos pais e/ou cuidadores quanto à assistência à criança, incentivando-os a

praticá-la em casa. A análise dos resultados mostrou que, na última avaliação, as

crianças obtiveram escores significativamente maiores que na primeira. Foi

verificada correlação altamente significativa (r=1,0; p=0,083) entre as partes I e II.

O programa de fisioterapia funcional associado às orientações aos pais e/ou

cuidadores foi efetivo em melhorar o desempenho funcional de crianças nível I

com hemiplegia espástica.

 

O texto na íntegra pode ser acessado no endereço: http://www.scielo.br/pdf/fp/v16n1/08.pdf

Brincar como agente promotor de saúde

Este artigo propõe um modelo de estudo que visa a abordar a brincadeira

como agente promotor de saúde no desenvolvimento. O modelo parte

da brincadeira e divide-se em dois grandes aspectos do desenvolvimento: o

físico e o simbólico. Em seguida, são abordadas áreas específicas do desenvolvimento

humano que o brincar pode estimular. O modelo de estudo proposto

objetiva auxiliar profissionais e pais na compreensão do desenvolvimento

infantil e na utilização da brincadeira como recurso para estimular aspectos

essenciais no ser humano.

 

O texto na íntegra pode ser acessado no endereço: http://www.cfh.ufsc.br/~revista/rch42/RCH42_artigo_8.pdf

Série Nota 10 - Primeira Infância

A partir dessa semana incluimos a série Nota 10 – Primeira Infância, composta por cinco programas, que foi desenvolvida em parceria pela FMCSV e o canal Futura, e traz de forma leve e dinâmica conhecimentos científicos sobre a importância do cuidado com as crianças de zero a três anos de idade.

 
O primeiro episódio trata do desenvolvimento infantil e mostra como as experiências e os estímulos que o bebê vivencia desde a fase intrauterina influenciam a formação de seu cérebro, afetando diretamente a saúde física e emocional, o comportamento, a motricidade e a capacidade de aprendizagem.
 
 
Nos, da Kidsterapia, esperamos que gostem!
Abracos,

 

DESENVOLVIMENTO MENTAL E MOTOR AOS 24 MESES DE CRIANÇAS NASCIDAS

Este estudo teve como objetivo comparar o desenvolvimento aos 24 meses de 152 crianças nascidas a termo, com baixo peso (< 2500g) e peso adequado (3000 a 3499g), pareadas numa proporção de 1:1 por sexo e idade. O desenvolvimento mental e motor foram avaliados pela escala de Bayley. Estudaram-se ainda algumas variáveis ambientais, como as condições sócio-econômicas e demográficas e a estimulação ambiental. As crianças do grupo de baixo peso ao nascer apresentaram, para os índices mental e motor, média significantemente mais baixa do que a do grupo de peso adequado (p<0,001) com diferença de 9,1 e 10,2 pontos, respectivamente. A análise de regressão linear múltipla evidenciou que as condições sócio-econômicas e de estimulação ambiental explicaram 11% e 12% da variação do índice de desenvolvimento mental e 12% e 9% do desenvolvimento motor, respectivamente. Juntas elas explicaram 23% e 21% da variação desses índices. O baixo peso ao nascer influenciou apenas 3% da variação do índice mental e 5% do motor.

 

Para ler o texto na íntegra, acessar: http://www.scielo.br/pdf/%0D/anp/v60n3b/a13v603b.pdf

 

 

Sedentarismo já ameaça reduzir expectativa de vida

Um estudo que analisa dados de Brasil, Estados Unidos, Grã-Bretanha, China e Índia alerta que o crescente sedentarismo nestes países ameaça formar a primeira geração de jovens que viverá menos que seus pais. O trabalho, que tem o American College of Sports Medicine como coautor, conclui que em 2030 a inatividade física pode abreviar em até cinco anos a expectativa de vida, caso seja mantido o ritmo atual.

As projeções, que tiveram a participação de 70 especialistas ligados às áreas de saúde e educação física, indicam que em 18 anos o Brasil terá diminuído em 34% os níveis de atividade física desde o começo da década passada. Somente entre 2002 e 2007, a queda foi de 6%.

Segundo Lisa MacCallum Carter, executiva global da Nike, que também é coautora da pesquisa, o País começa a sofrer os males que já são sentidos há algumas décadas pelos países mais desenvolvidos — de 1965 a 2009, a queda da atividade física nos Estados Unidos foi de 32%.

"As máquinas e carros têm feito as atividades físicas por nós, e isso é uma coisa boa, pois apreciamos o padrão de vida moderno. Mas é preciso observar a quantidade de movimento que é perdida por isso e buscar formas de compensar", afirma a executiva. "Se uma criança está ameaçada de viver uma vida mais curta que seus pais, este é o oposto do progresso humano."

Segundo Lisa, as estatísticas levam em conta outros fatores, como nutrição, mas o sedentarismo tem papel central, especialmente em países desenvolvidos ou em desenvolvimento. Ela lembra que as dez doenças que mais matam nos 50 países mais ricos do mundo estão relacionadas à falta de atividade física.

 

Fonte: Revista veja, 04.11.2012

 

BRINCAR EM UNIDADES DE ATENDIMENTO PEDIÁTRICO

O presente estudo investigou a influência do brincar em crianças internadas em unidades pediátricas, buscando

estabelecer correlações entre o comportamento lúdico e a estruturação do ambiente hospitalar. Participaram 50 crianças da

faixa etária entre 2 e 10 anos, portadoras de diferentes patologias clínicas. Dessas crianças, 25 foram observadas em uma

instituição hospitalar que dispunha de um ambiente físico estruturado, que incentivava o desenvolvimento de atividades

lúdicas; e as demais, em uma instituição que não possuía tal ambiente. Os resultados mostraram que na primeira instituição as

crianças agiam de forma independente na escolha do material lúdico e na livre inserção em um grupo; contudo, na segunda

instituição as atividades não variavam muito, além de o local ser pouco freqüentado. Assim, ao se compararem as instituições,

observou-se que um ambiente estruturado estimula a ação lúdica, além de influir nas formas de interação e no tipo de

brincadeira desenvolvidos pelas crianças em unidades pediátricas.

Para ler o texto na íntegra, acessar o endereço: http://www.scielo.br/pdf/%0D/pe/v11n1/v11n1a13.pdf

Programa de Fisioterapia Aplicado no Desenvolvimento Motor de Bebês Saudáveis em Ambiente Familiar

O objetivo deste estudo foi verificar o desenvolvimento motor de bebês até dezoito meses de idade e a avaliação do ambiente antes e após a participação em um programa de fisioterapia direcionada ao bebê com o envolvimento dos pais nas suas casas. Participaram deste estudo 22 bebês, divididos em dois grupos: Grupo Interventivo (GI) e Grupo Controle (GC). Os grupos foram avaliados no início e no fim de oito semanas; as mães do GI receberam orientações de um programa de fisioterapia para bebês e de mudanças no contexto a cada semana. Os instrumentos utilizados nesta pesquisa foram: a escala Alberta e o questionário AHEMD-SR. Na análise estatística utilizaram-se os testes não paramétricos de Wilcoxon, Mann-Whitney, McNemar e Correlação de Spearman. Observou-se significância no desenvolvimento motor no GI do pré para o pós intervenção (p=0,029). Os resultados sugerem que bebês, quando estimulados de maneira correta em ambiente familiar, desenvolvem maior qualidade em seu aprendizado motor.

Para leitura do texto na íntegra acessar: http://eduem.uem.br/ojs/index.php/RevEducFis/article/view/11551

MEDIDAS DE AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL: UMA REVISÃO DA LITERATURA NOS ÚLTIMOS CINCO ANOS

 

 

Realizar uma revisão na literatura sobre publicações relacionadas a diversos aspectos do desenvolvimento infantil, assim como descrever os principais instrumentos de avaliação desta área do conhecimento. Revisão da literatura nas bases de dados Medline, Lilacs e Scielo, no período de 2005 e 2010, utilizando-se os seguintes descritores em português e inglês: desenvolvimento infantil e instrumentos de avaliação do desenvolvimento. Foram encontrados 15228 artigos relacionados ao tema desenvolvimento infantile 1283 artigos relacionados a instrumentos de avaliação do desenvolvimento. Foram identificados seis instrumentos de avaliação do desenvolvimento mais citados na literatura no período. Os resultados sugerem um avanço no número de estudos e publicações sobre o desenvolvimento infantil ao longo dos anos evidenciando um crescimento dos estudos nessa área. Cada instrumento de avaliação apresenta vantagens e desvantagens. Há uma escassez de literatura acerca da validação de escalas internacionais para a população brasileira, assim como a falta de instrumentos desenvolvidos no Brasil com comprovação de validade.

Autores:  Vanessa Madaschi e Cristiane Silvestre Paula

Para acesso do texto na integra: http://www.mackenzie.br/fileadmin/Graduacao/CCBS/Pos-Graduacao/Docs/Cadernos/Volume_11/Madaschi_e_Paula_v_11_n_1_2011.pdf

 

 

 

DESENVOLVIMENTO MOTOR DE LACTENTES PRÉ-TERMO PARTICIPANTES DE UM PROGRAMA DE INTERVENÇÃO

O objetivo do presente estudo foi avaliar a evolução do desenvolvimento motor de lactentes pré-termo participantes de um programa de intervenção precoce com e sem treinamentos dos pais. Participaram do estudo 8 lactentes pré-termo (idade gestacional média de 32 semanas e idade cronológica média de 3 meses e 6 dias) e suas famílias. Os participantes foram divididos em dois grupos: 4 lactentes participaram do grupo intervenção com orientação e treinamento dos pais (grupo experimental – GE) e 4 lactentes participaram do grupo intervenção sem orientação e treinamento dos pais (grupo-controle – GC). Os bebês foram avaliados pela Alberta Infant Motor Scale durante quatro meses, considerando os comportamentos motores nas seguintes subescalas: prona, supina, sentada e em pé. Os resultados demonstraram que os bebês do GE obtiveram melhor evolução dos comportamentos avaliados em relação ao GC. Pode-se afirmar que a participação dos pais, associada ao programa de intervenção fisioterapêutica aplicado, beneficiou significativamente o desenvolvimento motor dos bebês estudados.

Autores: Formiga, C. K. M. R.,  Pedrazzani, E. S. e Tudella, E.

Para acesso ao texto na integra: http://www.crefito3.com.br/revista/rbf/rbfv8n3/pdf/239.pdf

O que são células-tronco?

O que são células-tronco?

São células encontradas em embriões, no cordão umbilical e em tecidos adultos, como o sangue, a medula óssea e o trato intestinal, por exemplo. Ao contrário das demais células do organismo, as células-tronco possuem grande capacidade de transformação celular, e por isso podem dar origem a diferentes tecidos no organismo. Além disso, as células-tronco têm a capacidade de auto-replicação, ou seja, de gerar cópias idênticas de si mesmas.

 

Que avanços as pesquisas científicas com células-tronco podem trazer para a medicina? 

As células-tronco podem ser utilizadas para substituir células que o organismo deixa de produzir por alguma deficiência, ou em tecidos lesionados ou doentes. As pesquisas com células-tronco sustentam a esperança humana de encontrar tratamento, e talvez até mesmo cura, para doenças que até pouco tempo eram consideradas incontornáveis, como diabetes, esclerose, infarto, distrofia muscular, Alzheimer e Parkinson. O princípio é o mesmo, por exemplo, do transplante de medula óssea em pacientes com leucemia, método comprovadamente eficiente. As células-tronco da medula óssea do doador dão origem a novas células sangüíneas sadias.

 

Por que permitir a pesquisa com embriões, se as células-tronco são também encontradas em tecidos adultos?

Porque as células embrionárias seriam as únicas que têm a capacidade de se diferenciar em todos os 216 tecidos que constituem o corpo humano. As células retiradas de tecidos adultos têm capacidade de dar origem a um número restrito de tecidos. As da medula óssea, por exemplo, formam apenas as células que formam o sangue, como glóbulos vermelhos e linfócitos.

 

O que a Lei da Biossegurança aprovada na Câmara permite? 

Ela autoriza as pesquisas científicas com células-tronco embrionárias, mas impõe uma barreira. Poderão ser pesquisados apenas os embriões estocados em clínicas de fertilização considerados excedentes, por não serem colocados em útero, ou inviáveis, por não apresentarem condições de desenvolver um feto. O comércio, produção e manipulação de embriões, assim como a clonagem de embriões, seja para fins terapêuticos ou reprodutivos, continuam vetados.

 

Os cientistas podem adquirir os embriões diretamente nas clínicas de fertilização assistida?

Sim. O cientista precisa da autorização do conselho de ética do instituto onde trabalha, como em qualquer projeto que envolva a manipulação de material humano. Uma vez autorizado, o pesquisador poderá adquirir os embriões diretamente nas clínicas. Eles deverão estar estocados há mais de três anos e só poderão ser utilizados com o consentimento dos pais, mediante doação. Atualmente, estima-se que o país tenha 30.000 embriões congelados.

 

Qual o motivo da polêmica em torno da lei? 

Para explorar as células-tronco usando as técnicas conhecidas hoje, é necessário retirar o chamado "botão embrionário", provocando a destruição do embrião. Esse processo é condenado por algumas religiões – como a católica - que consideram que a vida tem início a partir do momento da concepção. Há perspectivas de que no futuro se encontrem técnicas capazes de preservar o embrião, o que eliminaria as resistências religiosas.

 

É possível desenvolver uma técnica para obter células-tronco sem precisar dos embriões? 

Sim. No início de 2007, cientistas americanos anunciaram a descoberta de uma nova fonte de células "coringa", extraídas do líquido amniótico, que preenche o útero durante a gravidez. Extraídas e cultivadas em laboratório, as células deram origem a vários tipos de células diferentes - ou seja, funcionam como células-tronco. Conforme os cientistas, as células-tronco extraídas do líquido amniótico não são idênticas às células-tronco embrionárias. Em alguns casos, porém, elas funcionam até melhor, dizem eles. Mas a gama de aplicações para esse novo tipo de célula-tronco pode ser menor do que no caso das embrionárias.

 

Qual é o tamanho do embrião quando as células são extraídas para pesquisas? 

Até o momento, os cientistas conseguiram obter células-tronco de blastocistos, um estágio inicial do embrião com apenas 100 células. Um grupo de pesquisadores americanos conseguiu extrair células-tronco de mórulas, que têm entre 12 e 17 células. Em qualquer caso o embrião é microscópico. As células retiradas são cultivadas em laboratório, e podem render material para diversos anos de trabalho.

 

Em que estágio se encontram as pesquisas de tratamentos com células-tronco? 

Apenas no caso de leucemia e certas doenças do sangue se pode falar efetivamente em tratamento. As perspectivas ainda são a longo prazo, pois praticamente todas as terapias se encontram em fase de testes, embora alguns resultados preliminares sejam promissores. Os cientistas ainda têm várias questões a resolver, como a possibilidade de desenvolvimento de tumores, verificada em testes com camundongos.

 

E no Brasil, o que existe em termos de pesquisas? 

Na Bahia, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz estão tratando com sucesso cardiopatias causadas pela doença de Chagas. No Hospital Pró-Cardíaco do Rio de Janeiro e no Instituto do Coração de São Paulo, células-tronco são usadas em pacientes que sofreram infarto. Também há estudos em vítimas de lesões medulares, diabetes do tipo 1, esclerose múltipla e artrite.

 

Como é a legislação sobre células-tronco em outros países? 

Nos Estados Unidos, o tema esteve no centro dos debates das eleições presidenciais de 2004. Em 2001, o presidente George W. Bush cortou o financiamento público para as pesquisas, permitidas durante o governo Clinton, mas depois decidiu permitir o financiamento limitado. A lei brasileira é considerada equilibrada, e está bem próxima da legislação aprovada há poucos anos em plebiscito na Suíça. Em alguns países, como a Coréia do Sul e a Inglaterra, a legislação também permite a clonagem terapêutica.

 

O que o uso de células-tronco tem a ver com a clonagem? 

A "clonagem terapêutica" consiste na transferência de núcleos de uma célula para um óvulo sem núcleo. Este óvulo dará origem a um embrião, do qual se retiram as células-tronco. A vantagem seria evitar a possibilidade de rejeição, caso o doador seja o próprio paciente. Em caso de portadores de doenças genéticas, há ainda a possibilidade de um doador compatível. Este tipo de clonagem é diferente da clonagem reprodutiva, que é quando um embrião clonado é implantado em um útero, com o objetivo de reprodução de pessoas.

Escritor ensina brincadeira que aprendeu com crianças da Nigéria

Como será que as crianças brincam lá na África? Rogério Andrade Barbosa, escritor de vários livros que se passam nesse continente, lançou no Salão do Livro a obra "Ndule Ndule" (ed. Melhoramentos; R$ 27).
Rogério é um dos homenageados deste ano no Salão do Livro, pois está completando 25 anos de carreira.
O autor conversou com as crianças presentes no Salão sobre o livro, no qual reúne brincadeiras que conheceu em países africanos como Congo, Nigéria e África do Sul. "É curioso notar que várias dessas brincadeiras têm correspondentes aqui no Brasil, com algumas poucas mudanças", conta o autor à Folhinha.
As crianças fizeram perguntas sobre sua obra e sobre a África. No final, aprenderam a brincar de "mamba", brincadeira da África do Sul em que todos formam uma grande cobra, numa espécie de pega-pega. E ainda mostraram ao autor um trabalho desenvolvido em sala de aula, onde pesquisaram brincadeiras brasileiras e compararam com as africanas.
No áudio abaixo, Rogério ensina a brincadeira "ambutan", que aprendeu com as crianças da Nigéria, e ainda conta sobre sua experiência na África, por onde viaja com frequência há 20 anos para realizar pesquisas. Aprenda e faça em casa ou onde quiser!

Fonte: Folha
Site: http://folha.com/no1078446

Criança com 6 anos incompletos pode ir para 1º ano

Crianças com menos de 6 anos podem cursar o 1.º ano do ensino fundamental desde que comprovada sua capacidade intelectual por meio de avaliação psicopedagógica, de responsabilidade da escola. A decisão judicial, em caráter liminar, foi tomada pelo juiz federal Claudio Kitner, da 2.ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, e vale em todo o País.
O juiz acatou pedido do Ministério Público Federal em Pernambuco contra resoluções do Conselho Nacional de Educação (CNE) que determinam que só podem ingressar no ensino fundamental crianças que completem 6 anos até o dia 31 de março do ano letivo a ser cursado.
No ano passado, a decisão, também em caráter liminar, havia sido obtida para os alunos do Estado de Pernambuco. Agora, ela foi estendida para o País. O Ministério da Educação tem 20 dias para recorrer da sentença.
Isonomia. O juiz Kitner acatou o argumento do procurador da República Anástacio Nóbrega Tahim Júnior, de que as regras do CNE "ferem o princípio da isonomia, já que não consideram as peculiaridades de cada criança". Ele destacou que as resoluções, agora suspensas, "maculam a dignidade da pessoa humana ao obrigar crianças (...) a repetirem de ano, obstando o acesso ao ensino fundamental, ainda que seja capacitado para o novo aprendizado".
O presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Estado de Pernambuco, José Ricardo Diniz, comemorou a decisão. Para ele, trata-se de "um avanço", "um sinal de respeito à individualidade das crianças".
Multas. A decisão deverá ser comunicada pela União às secretarias de Educação dos Estados e do Distrito Federal em até 30 dias, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. A sentença também estabeleceu multa diária de R$ 100 mil para o caso de descumprimento da decisão pela União.
Uma outra multa, no valor de R$ 30 mil, será aplicada se for expedido qualquer outro ato normativo contrário à determinação judicial.

Fonte: Estadão
Site: http://goo.gl/nyyoc